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Edição de 28-02-2021
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    Arquivo: Edição de 10-07-2010

    SECÇÃO: Especial


    XVII FEIRA DO LIVRO DO CONCELHO DE VALONGO

    No sentido certo...

    Foto URSULA ZANGGER
    Foto URSULA ZANGGER
    Impossibilitados de proceder, por agora, a um balanço definitivo da décima-sétima edição da Feira do Livro do Concelho de Valongo, dado termos de escrever sobre o quadro da sua realização ainda ela está a meio, há contudo mesmo já agora, elementos suficientes para podermos apontar de antemão um balanço positivo em tudo aquilo que entretanto aconteceu.

    Em primeiro lugar, começando por lembrar a todos aquilo que, às vezes, parece não ser tão óbvio, ter a feira não apenas um interesse comercial para os expositores presentes, mas merecer igualmente carinho e atenção no que respeita à promoção do livro e da leitura, enfim, num sentido mais lato, à promoção da Cultura.

    Se, quanto ao primeiro aspecto, do interesse comercial, constatámos, até com alguma surpresa, a generalizada satisfação dos livreiros, quanto ao segundo aspecto, o da intervenção dos agentes culturais, há que reconhecer, ter--se igualmente tratado de um ano bom. Esperemos agora que não se trate apenas de uma boa colheita, de natureza meramente esporádica.

    Vamos por partes. A canícula que se fez sentir neste início de Julho – ao contrário da chuva, e mesmo frio, do ano anterior – necessariamente trouxe gente ao Parque Urbano, muita gente mesmo, ainda que só uma ínfima parte desta parasse nos stands da Feira do Livro, por razões de natureza cultural profunda que já em anos anteriores apontámos, que radicam em meio século de obscurantismo, e mesmo mais atrás, na ausência de políticas culturais num sentido iluminista.

    De qualquer modo, o afluxo de gente não podia deixar de sentir-se mesmo na venda do próprio livro, ainda que a recessão se mantenha, ainda que os níveis de vida tenham evoluído num sentido negativo.

    Em geral nenhum dos livreiros se queixou de uma evolução para pior, havendo mesmo alguns que, claramente, apontaram melhorias de facturação relativamente ao ano interior.

    Mas será preciso dizer também – façamos justiça –, que para muitos dos livreiros presentes, a razão de estarem na Feira do Livro do Concelho de Valongo nem sequer era, sobretudo, para alcançar um grande volume de vendas, mas assegurar a presença, fazer contactos, dar seguimento ao trabalho iniciado noutras feiras desta época (com destaque para a Feira do Livro do Porto, que como se sabe, a antecede no calendário deste tipo de eventos).

    Foto MANUEL VALDREZ
    Foto MANUEL VALDREZ
    Uma outra razão para a presença são as próprias condições desta Feira do Livro, realizada num local bem aprazível (não se compara com a já citada, do Porto), com a oferta dos pavilhões por parte da Câmara de Valongo, que cumpre aqui um papel de promoção cultural que há que enaltecer.

    Alguns livreiros apontam mesmo – e estamos de acordo – como um aspecto muito positivo, a solicitude demonstrada pela organização no sentido de resolver todos os problemas encontrados, em tempo útil.

    E entramos aqui, precisamente – ao falarmos da organização –, no segundo aspecto que queríamos abordar, o da promoção do livro e da leitura.

    Vários foram os aspectos positivos a destacar, desde alguns mais simples, a outros mais significativos. Melhorias, por exemplo, ao nível da animação musical de fundo do certame, que era muito menos intrusiva que em anos anteriores, além de mais apropriada àquilo a que vinha.

    Melhorias, por exemplo, ao nível da própria configuração dos stands, que eram muito mais cómodos de gerir, na abertura e no fecho, e mesmo mais adequados à exposição do livro. Uma única crítica, mas generalizada, era que não permitiam espontaneamente a entrada das pessoas, apesar das portas laterais existentes para que o pudessem fazer. O ideal teria sido manter, no fundamental, a mesma configuração, mas ter sacrificado uma parte do balcão, para aí deixar uma abertura frontal.

    Mas se estas são questões a melhorar, no aspecto mais importante – a nosso ver –, o da animação cultural da Feira, houve uma grande evolução, num sentido claramente positivo e que se espera marque não uma edição, mas um sentido futuro, sem retorno.

    Uma destas novidades foi uma feliz intervenção teatral que trouxe à feira, em carne e osso, meia dúzia de escritores, que receberam os visitantes à entrada no primeiro dia da feira: Gil Vicente, Camões, Bocage, Pessoa, Florbela, Agustina e Rosa Lobato Faria marcaram assim presença na feira. Da parte da organização houve a ideia de homenagear em particular Rosa Lobato Faria, desaparecida recentemente, e um dos escritores que estiveram presentes em iniciativas levadas a cabo pela Biblioteca Municipal. Assim se entende a sua inclusão naquele grupo de notáveis.

    Foto URSULA ZANGGER
    Foto URSULA ZANGGER
    E parece haver vontade de fazer prosseguir esta tão adequada iniciativa.

    Mas o melhor guardamos mesmo para o fim, para castigo dos que não lêem senão o princípio dos textos. É que a Feira do Livro do Concelho de Valongo, este ano, colocou no centro da sua programação a promoção dos editores e dos autores, dando espaço a muitas apresentações de livros e a muitos eventos à volta da escrita, sendo nela o lugar da Poesia muito importante neste ano.

    Quer a associação cultural Ágorarte, quer as editoras Mosaico de Palavras e Lugar da Palavra (relativamente a esta última, à hora a que escrevemos ainda não realizou) organizaram eventos à volta da Poesia, ora lançando livros ora organizando saraus.

    Com o manifesto e curioso interesse dos próprios livreiros, para quem os saraus de poesia não retiram as pessoas dos stands, ao contrário dos espectáculos musicais de maior vulto.

    Quanto ao gosto estético, ele poderá ser controverso, mas é um caminho que tem que se fazer.

    Por: LC

     

     

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