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Edição de 31-03-2021
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    Arquivo: Edição de 10-07-2010

    SECÇÃO: Destaque


    O CENTENÁRIO DA REPÚBLICA

    Imprensa republicana em Ermesinde

    Os republicanos achavam, e bem, que a sua mensagem de revolução e renovação das mentalidades e a nova forma de fazer política precisavam de chegar ao povo. Com esse objectivo privilegiaram os contactos pessoais, através de comícios, de festas e daquilo a que hoje chamaríamos “jornadas culturais”. Mas também incentivaram a produção de jornais, onde publicavam artigos de cariz doutrinário, em apoio aos seus ideais revolucionários. Muitas terras, mesmo pequenas, tiveram no período da Primeira República o seu jornal. Em Ermesinde sucedeu o mesmo. Surgiu o “Maia-Vallonguense” que contou com a existência local de uma estação de correios, recentemente aberta.

    Os jornais deviam servir, também, para anunciar a República
    Os jornais deviam servir, também, para anunciar a República
    O MAIA-VALLONGUENSE

    No tempo pós-revolucionário da implantação da República, quando ainda se sentiam bem os efeitos revolucionários nas mentalidades, e a República procurava chegar a todo o país, pela via da propaganda, dos comícios, das grandes manifestações e até do jornalismo doutrinário, surgiu o “Maia-Vallonguense” que se apresentou como um jornal noticioso e independente, mas claramente republicano, procurando chegar aos leitores dos dois concelhos, que lhe serviam de título.

    O seu 1.º número surgiu no dia 14 de Janeiro de 1912, e tinha como Director, António Guerreiro, e Editor, Domingos Amorim. O preço de capa era 40 réis, mais tarde, reduzido para metade. A Redacção e Administração funcionava na Quinta da Formiga, onde estava instalado o Internato da Escola Guerreiro. A partir do n.º 3 (28.1.1912) a Redacção e Administração passou a ser na Rua de Cedofeita, no Porto, onde funcionava o Externato da mesma Escola Guerreiro.

    Publicaram-se apenas 5 números, o último dos quais no dia 18 de Fevereiro de 1912.

    As suas características e objectivos ressaltam, de forma mais ou menos evidente, logo no primeiro Editorial, quando se escreve: «Jornal, semanario independente, dizemos nós, e não poderá gosar de tal predicado, se se não deixar guiar pelo dedo da Justiça na apreciação dos factos, se não for livre em tal apreciação.

    Republicano dentro da Republica, defendel-a-ha em todos os transes, mas será livre na critica aos actos do governo, quando os homens que estiverem á sua frente se não deixem orientar pelo recto caminho do dever que conduz á prosperidade da patria.

    Como independente não se filia em nenhum partido político, porque a sua politica é o bem estar do povo.

    Em materia religiosa defenderá a liberdade de todo o cidadão (...)».

    Os jornais “Notícias de Caminha”, “A Vida Nova”, de Lousada, e o “Correio do Ave” noticiaram nas suas páginas, com palavras elogiosas, o aparecimento do jornal republicano de Ermesinde.

    O seu conteúdo é marcadamente doutrinário e político, dando especial relevo às notícias com estas características, embora também existam artigos de opinião, notícias de Ermesinde, e se dê algum relevo ao problema da instrução.

    A este propósito, logo no seu 2.º número, datado de 21 de Janeiro de 1912, se anuncia uma nova Revista – que não conseguimos saber se alguma vez saiu a público – a “Educação Nova”:

    «Esta revista mensal illustrada, da Escola Guerreiro, em Ermezinde, é aconselhada aos paes de familia pelo modo como orienta sobre os processos educativos mais modernos, é um guia seguro, pela sinceridade com que é escripta.

    Aconselhando-se a sua leitura, convidamos os paes a que a tomem de assignatura, cujo preço é relativamente insignificante, 1$000 réis por anno.

    Para a assignatura, basta enviar um postal, com o nome e morada, à redacção da “Educação Nova” – Escola Guerreiro – Ermezinde».

    O correio era praticamente o único meio para as comunicações interpessoais
    O correio era praticamente o único meio para as comunicações interpessoais
    ESTAÇÃO

    DOS CTT

    DE ERMESINDE

    Ainda Ermesinde se chamava S. Lourenço de Asmes quando, em 1909, se instalou a primeira Estação de Correios da Freguesia.

    No período da Primeira República já tinha um distribuidor domiciliário de correio. E a necessidade do seu serviço, por causa do grande desenvolvimento comercial e industrial da freguesia, era tão grande que, em Março de 1920, quando o carteiro fez greve, a Junta de Freguesia enviou um ofício ao Governador Civil do Porto, informando tomar à sua responsabilidade a distribuição do correio em Ermesinde, enquanto durasse a greve do respectivo funcionário.

    Com o decorrer do tempo, a vila de Ermesinde conheceu grande desenvolvimento e um crescente ritmo demográfico, pelo que se tornou necessário remodelar e ampliar os serviços dos Correios.

    Conscientes desse problema, os membros da Comissão Administrativa da Junta da Freguesia de Ermesinde, reunidos no dia 20 de Setembro de 1930, resolveram pedir uma nova Estação Telégrafo-Postal para Ermesinde, tendo em consideração que a existente era “primitiva” (de 3.ª classe), não podendo servir bem toda a população de Ermesinde e Alfena. Além disso, Ermesinde era um centro em grande desenvolvimento, argumentavam eles ao explicitarem os seguintes elementos: passam 50 comboios na Estação Ferroviária de Ermesinde; existem fábricas de fiação e tecidos, resineira, fundição de ferros e de sinos, fábrica de cobertas e de pomadas; oficinas de serralharia; marcenaria; drogarias; armazéns de diferentes artigos; empresas de transportes; moagem a vapor; cinco padarias; quatro talhos; três farmácias; seis médicos; além de escolas e do grande Colégio da Formiga.

    OS TELEFONES

    CHEGARAM

    A ERMESINDE

    NA PRIMEIRA

    REPÚBLICA

    Os telefones chegaram a Ermesinde no decorrer da Primeira República, graças ao empenho pessoal de várias personalidades de Ermesinde, entre as quais se destaca Alberto Dias Taborda.

    Quando se pensou nesse importante melhoramento, Alberto Taborda deslocou-se à Companhia dos Telefones, no Porto, com o propósito de saber em que condições poderia esse novo e importante meio de comunicação chegar à população de Ermesinde. Foi informado de que era necessário um mínimo de 20 requisições de telefones, para que a Companhia procedesse à ligação telefónica entre o Porto e Ermesinde.

    Taborda, que era homem decidido, pôs mãos à obra, contactou as pessoas de maior relevo social na freguesia e depressa conseguiu as primeiras dezasseis assinaturas. Não bastaram, mas não tardou que arranjasse as duas dezenas de utentes impostas pela Companhia dos Telefones. Ermesinde teria telefone muito antes de outras terras mais importantes em termos administrativos e até mais populosas.

    Apenas no fim da década de sessenta, e dando cumprimento a mais uma aspiração de Ermesinde, agora vila e já bastante povoada, foi inaugurada, no princípio do Verão de 1969, a Central Automática Telefónica de Ermesinde.

    Por: Manuel Augusto Dias

     

     

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