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Edição de 30-06-2020
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    Arquivo: Edição de 15-05-2010

    SECÇÃO: Destaque


    XIV FEIRA DE ARTES POPULARES

    Desde os cabazes de Natal para Angola e as botas de pneu até... ao velho Amiga

    A reportagem de “A Voz de Ermesinde” teve ocasião de falar com alguns destes artesãos e de ouvir algumas histórias interessantes, quer sobre as propostas que ali traziam, quer sobre as condições do seu ofício. No mais breve resumo, poder-se-á dizer: histórias bonitas, mas negócio feio.

    Fotos URSULA ZANGGER
    Fotos URSULA ZANGGER
    Uma das artesãs em que reparámos foi Lita Oliveira, que ali na feira procedia a trabalhos de pintura de azulejo que nos despertaram a atenção pela sua qualidade mas, ao mesmo tempo o apego aos motivos tradicionais. Com ela só pudemos comunicar com ajuda, pois esta artesã é portadora de deficiência auditiva, tendo feito a sua aprendizagem primeiro na Escola Secundária Soares dos Reis, e posteriormente num curso profissional. Além dos azulejos expostos, esta artesã esteve ainda a mostrar-nos o seu portfolio recheado com muitas obras suas.

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    AMERILDO

    – NOME

    DE SAPATEIRO

    Fátima Morais, a simpatia em pessoa, estava com a mãe, uma senhora muito tímida, que nem queria ficar na fotografia, a tomar conta do stand do seu irmão, Amerildo Morais, mestre sapateiro em Vila Flor, que ali ganhava a vida a criar, produzir, consertar, restaurar e vender calçado.

    Era a primeira vez que vinham a uma feira. Amerildo tinha aprendido o ofício com o pai, já sapateiro. E logo que saiu da escola foi esta a vida que escolheu. Aqui o que nos chamou a atenção foram alguns pares de botas de fabrico artesanal, com sola de pneu, e que não deixavam dúvidas sobre o saber do artesão.

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    NO STAND

    DO XICO TANOEIRO

    Glória Oliveira estava no seu stand de tanoaria, ou melhor dizendo, mesmo que a empresa tenha o seu nome, estava no stand do seu marido, o Xico Tanoeiro, como é conhecido ali por Sever do Vouga, onde hoje reside com a mulher, ou em Oliveira de Frades, de onde é natural. Mas o seu verdadeiro nome é Manuel Oliveira Alves, e o nome herdou-o de um tio também dedicado à arte. Mas Glória também sabe alguma coisa do ofício. Lá nos explicou que a madeira melhor era a de carvalho, embora a de castanho também fosse boa para a tanoaria.

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    BAMBU

    DE VILA VERDE

    Noutro stand, dedicado a artigos em vime, tala e bambu, estivemos à conversa com Abílio Pereira, de Viatodos, Barcelos, que ali nos surpreendeu com várias coisas, a primeira era a de que a maioria do vime que utilizava na sua cestaria comprava-o em Espanha e era importado do Chile (!). A segunda foi que grande parte do seu negócio, sobretudo por alturas do Natal, era feito com os cabazes vendidos para Angola (!). Mas não ficou por aqui, a terceira, era que o bambu que utilizava – vimo-lo em vários cestos e vimo-lo em duas grossas canas que tinha no stand – era ali do Minho, havia muito em Braga e, sobretudo, Vila Verde, e os agricultores, para se verem livres dele, até lho davam. Abílio Pereira, contudo, não conseguia governar a vida só com a cestaria, dedicando-se também à venda de mosquiteiros e cortinados.

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    UM TEAR

    DE 500 ANOS

    Emília Rocha, de Caíde, bem disposta e maliciosa, dizia que «tirava e metia», a sua arte era o tear e tinha um, velho de 500 anos, comprado a desfazer-se num sótão, e grande demais para trazer a Valongo. Bem conhecida nos arredores da estação de Caíde, esta tecedeira está também ligada ao rancho local e bem tentou que, ao menos, ficássemos com uma cassete do rancho, pois no negócio da feira (unânime desilusão), ainda não se tinha estreado.

    UMA MUITO CURTA

    MAS SENTIDA

    HOMENAGEM

    Finalmente, uma dolorosa nota nossa, mais pessoal, que temos que apontar. Vindo de Alcobaça (mais precisamente Alfeizerão), estava Vasyl Tsvyk, responsável juntamente com Ana Paula, do stand de Os Carunchos, que apresentava peças de uso pessoal e utilitárias em madeira, com embutidos, e aplicações. Neste stand tivemos a triste notícia de saber que Tomaz Rodrigues, iniciador, com Ana Paula, deste tipo de artesanato e doutro artesanato em madeira (mobiliário), e do qual nos tornámos amigos, tinha morrido de doença em viagem marítima noutro continente, há cerca de um ano. Aqui fica a singela homenagem a um homem que sempre respirou a liberdade, e que abandonou uma carreira como alto quadro de uma empresa na Alemanha para vir fazer artesanato em Portugal. Mareante, cruzava os sete mares com o seu catamaran quando não fazia artesanato ou não punha um pauzinho na engrenagem da Microsoft, tendo sido, já faz alguns anos, um dos grandes entusiastas e divulgadores do Amiga em Portugal.

    Por: LC

     

     

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