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Edição de 31-01-2021
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    Arquivo: Edição de 15-03-2010

    SECÇÃO: Destaque


    Uma cidade aberta para o mundo

    Na noite da passada sexta-feira 5 de Março, o Centro Cultural de Alfena acolheu uma iniciativa das equipas de protocolos de RSI, acção social e gabinete de Psicologia da Associação Ermesinde Cidade Aberta (AECA) enquadrada na iniciativa “Pais que Cuidam”, um projecto de educação parental que vai na sua terceira edição. No concreto, o grupo de mães que integravam o “Pais que Cuidam” apresentaram no palco daquele centro cultural uma dramatização de vivências resultante da «troca de experiências relativas à parentalidade». Além da dramatização, que foi acompanhada por um grupo de quatro jovens músicos, foi ainda exibido um pequeno filme sobre o andamento desta experiência.

    Fotos URSULA ZANGGER
    Fotos URSULA ZANGGER
    O evento público levado a cabo em Alfena, se outro sucesso não tivesse tido, teria, visivelmente, pelo menos um, o facto da sala de espectáculos do Centro Cultural se encontrar repleta de público atento e interessado.

    Mas muito mais do que este sucesso imediato, avulta o sucesso igualmente visível do grupo que levou a cabo este trabalho com a participação entusiasmada do grupo de mães do projecto “Pais que Cuidam”.

    Num processo compartilhado de educação para a cidadania, as técnicas Ana Morais, Joana Barros e Liliana Fernandes foram desenvolvendo, desde Outubro, e ao longo de 16 sessões, uma série de encontros nos quais, com a ajuda de técnicos exteriores competentes nas respectivas áreas, se foram abordando questões como a violência conjugal e os maus tratos sobre crianças, uma educação responsável, uma alimentação saudável, e outras questões relativas à vida familiar.

    Por fim, nas últimas cinco ou seis sessões, o grupo de mães, com a ajuda de um jovem técnico teatral, empenharam-se em pôr de pé uma dramatização das situações vivenciais discutidas, precisamente aquilo que vieram apresentar ao Centro Cultural de Alfena.

    E o resultado é, de facto, surpreendente.

    Não mentimos se dissermos que este trabalho dramático superou largamente, pela sua qualidade de representação, muitos dos espectáculos que, inclusive, vão estando agora em cena na Mostra de Teatro Amador do Concelho de Valongo, muito graças, evidentemente, ao trabalho do jovem encenador Pedro Cavadas, que dirigiu as cerca de mais ou menos uma dúzia de mulheres que participaram no projecto.

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    O resultado foi um “espectáculo” – enfim, chamemos-lhe assim, mesmo se esta representação não tinha sobretudo um carácter de arte cénica, mas mais de exibição performativa no quadro de uma acção de educação parental –, mas dizíamos nós um espectáculo (passe então a ideia) de grande expressividade verbal, gestualidade e rigor.

    Ao nível de uma muito boa exibição teatral, mesmo se levada a cabo com uma mão-de-obra à partida carente de competências, como é o caso destas mulheres, muitas delas a batalhar numa situação social de dificuldades, bem expressas pela integração no projecto dos protocolos do Rendimento Social de Inserção, Acção Social e Gabinete de Psicologia da Associação Ermesinde Cidade Aberta.

    As várias cenas que o trabalho dramático representou mostraram uma mulher que se queixava da violência sofrida do marido, uma mãe que lamentava a pouca ajuda recebida da filha nas lides domésticas e a sua atitude perante os novos fenómenos de moda e atitude perante o corpo (como a filha que pretende iniciar a sua vida sexual ou como a filha que pôs um piercing), ou de uma mulher que tinha finalmente arranjado um trabalho num supermercado.

    Quanto ao filme que foi exibido no final da performance, destaque-se a montagem feliz, a excelente e cuidada escolha da trilha sonora e a economia de meios com que se fez o registo da acção.

    Aqui eram apresentadas algumas das técnicas usadas na comunicação com e entre as participantes, como por exemplo a escolha de um objecto com que se identificassem, ou o exercício do espelho em que uma mulher tenta imitar os gestos de uma outra tal como se fosse o seu virtual espelho.

    UM FINAL FELIZ

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    E UM VOTO

    DE PERENIDADE

    No final, pela natureza do espectáculo e pela assinalável desenvoltura demonstrada pelas participantes, teve-se a certeza da aposta ganha e de que esta experiência não será esquecida tão cedo por estas, que adquiriram competências sociais que lhes poderão ser preciosas no futuro.

    Sem vedetas (aliás todas as “actrizes” participaram na dramatização colocando uma máscara neutra no rosto), revelando uma visível cumplicidade feliz e colectiva, estas mulheres ofereceram no final, quer ao jovem encenador Pedro Cavadas, quer às três arquitectas da acção – Ana Morais, Joana Barros e Liliana Fernandes –, um ramo de flores, que surgiu muito mais significativo e sentido do que meramente cerimonial e “obrigatório”

    Que a cidade se abra, assim, muitas e muitas vezes, é o nosso voto!

    Por: LC

     

     

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