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Edição de 31-01-2020
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    Arquivo: Edição de 15-03-2010

    SECÇÃO: Desporto


    Agora e mais do que nunca o CPN necessita da ajuda de todos...

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    O título desta peça reflecte bem o apelo – urgente – saído da Assembleia Geral (AG) que o CPN levou a cabo – no seu salão nobre – na noite do passado 6 de Março. Uma sessão onde foi para lá de notório que o clube se encontra gravemente doente, uma “doença” que se não for alvo de uma intervenção rápida e urgente levará com certeza o popular CPN à morte mais cedo do que possa imaginar. Temendo pela sobrevivência da instituição foi pois em considerável número que a família cepeenista (o mesmo é dizer os associados) se deslocou à dita AG. A noite teve início com a leitura do relatório elaborado pela Comissão Administrativa (CA), empossada na AG de 6 de Fevereiro último, a qual ao longo de um mês – de gestão – efectuou uma análise exaustiva da situação global do clube. Foi então possível verificar que o CPN se encontra mergulhado num mar de dificuldades, quer – e principalmente – de origem financeira quer ao nível do estado das infraestruturas.

    No plano financeiro foi avançado que o clube tem neste momento uma dívida global de aproximadamente 635 000 euros, sendo que incluído neste número está a dívida de 366 190 euros à banca. Dito ainda que o actual balanço mensal do CPN é francamente negativo em virtude das receitas provenientes da piscina grande (a qual se encontra encerrada desde Setembro último) não existirem, uma das muitas situações que levou a CA a questionar o último período de gestão da Direcção demissionária. Aliás, neste aspecto Rui Machado, um dos elementos da CA, recordaria mais à frente que um dos grandes problemas da Direcção liderada por Augusto Mouta era precisamente o facto da piscina grande acarretar uma elevada factura mensal de gás. Face a isto o presidente demissionário proporia na altura subir o fundo da piscina e poupar assim cerca de 2 200 euros por mês, tendo Machado avançado então que a última factura de gás foi de 6.600 euros, isto só com a piscina pequena em funcionamento, comparando este valor com o de 5 500 euros mensais dispendidos em Janeiro, Fevereiro, Março e Abril do ano passado, altura em que a piscina grande se encontrava a funcionar (em paralelo com a pequena). «Algo se passa aqui de errado!», opinou Rui Machado.

    A palavra “anómala” foi, na sessão, por várias vezes pronunciada pelos elementos da CA para classificar o estado de diversos equipamentos e infraestruturas do clube essenciais no suporte e desenvolvimento das suas actividades. «A CA avaliou tecnicamente, através de profissionais competentes, externos ao clube, que com este quiseram colaborar graciosamente, o estado dos equipamentos e instalações de suporte ao funcionamento das piscinas. Adicionalmente, foi efectuada uma vistoria às áreas sociais e os espaços comuns do clube. Em ambos os casos a constatação comum foi de negligência na manutenção e preservação dos mesmos, que resultam numa imagem, visível e constatável, de abandono e desleixo (…). Tornou-se evidente a má gestão, dizemos mesmo gestão danosa consecutiva na manutenção das piscinas o que, ao longo dos anos, leva à ideia a exploração nefasta e consciente a que o CPN foi sujeito por parte dos responsáveis das piscinas», podia ler-se no relatório apresentado.

    No campo dos exemplos da «gestão danosa» no que diz respeito ao aspecto da manutenção Alfredo Sisto (da CA) citou alguns casos, como o de um motor da piscina grande que estava “preso” numa determinada oficina por falta de verba para o consertar, uma vez que eram pedidos 400 euros para o arranjo da peça, tendo esta CA ido buscá-lo para o reparar noutro local por… 120 euros! Ou ainda a história de um outro motor (na parte dos chuveiros dos balneários) que segundo o técnico de então da piscina não funcionava e que para a aquisição de um novo seriam precisos 1 200 euros. Elementos desta CA colocaram pés a caminho chamando ao clube um técnico que ao verificar o equipamento constatou que o mesmo não funcionava porque estava… desligado! «Existem muitos casos semelhantes a estes, casos de autêntica negligência», diz a CA.

    Ainda sobre o aspecto financeiro a CA iniciou negociações com algumas entidades no sentido de renegociar os prazos de pagamento dos montantes em dívida. São os casos da EDP, e da EDP-Gás, duas fontes vitais para que o clube possa ir funcionando, tendo Joaquim Moutinho, 1º secretário da Mesa da AG, dado a entender que a negociação destas dívidas é, para já, prioritária em relação a tudo o resto pois sem electricidade nem gás a morte do clube acabaria por ser uma realidade dali a poucas semanas.

    Em curso estão ainda negociações com instituições de crédito para a aquisição de um empréstimo que possa, pelo menos, fazer com que o clube recomece a andar. Mas não está fácil, muito longe disso. Os bancos (já contactados) não emprestam dinheiro ao CPN porque este não tem neste momento garantias que justifiquem um empréstimo. Factores como dívidas de IVA, IRS, Segurança Social, por exemplo, são apontados pelas entidades bancárias para justificar a recusa de um possível financiamento. «Actualmente torna-se virtualmente impossível lidar com as dívidas acumuladas do passado e os gastos actuais correntes do clube. A iminência da necessidade de pagamentos de luz ou gás não permite o pagamento compulsivo das (outras) dívidas», frisa a CA.

    CONTINUIDADE

    DO CLUBE

    É VIÁVEL

    Pese embora o cenário seja negro, a CA é da opinião de que o clube é viável. E segundo eles essa «viabilidade passa pela exploração completa das piscinas grande e pequena. Existem condições que permitem ao CPN ter viabilidade financeira, isto é, uma receita mensal superior aos custos, desde que a piscina grande seja rentabilizada e todas as estruturas de suporte ao seu financiamento estejam operacionais de modo a diminuir os gastos de gás. No entanto, para fazer face às dívidas prementes e à necessidade de obter alguns meses para permitir chamar atletas e utentes para preencher os espaços de aulas e de banhos livres, é necessário um investimento externo de alguma dimensão». Estamos a falar numa verba de pelo menos 50 000 euros, assim foi dito pela CA. «Se houver esse investimento externo é nossa forte convicção que o CPN poderá voltar a ser o viveiro de jovens atletas e o local de encontro de utentes das piscinas do ginásio e do bar do clube que já foi num passado recente», asseguram.

    A primeira reacção a este relatório veio de Carlos Oliveira, presidente do Conselho Fiscal, que rectificou os números da dívida global do CPN, informando que os mesmos são de cerca de 537 000 euros e não de aproximadamente 635 000 euros, justificando este lapso de análise da CA – a qual admitiu tal lapso pelo facto de nenhum dos seus elementos ter conhecimentos em termos de contabilidade, sublinhando que dentro das suas limitações técnicas fizeram o melhor que sabiam – com o facto de no relatório estarem uma ou duas verbas em duplicado.

    No entanto, daria os parabéns a todos os elementos da Comissão, não só pela elaboração de um documento de análise profundo como este, mas sobretudo pela coragem que tiveram em guiar o clube numa hora difícil. Elogios à CA que surgiram da boca da quase totalidade dos associados presentes, não só pela coragem demonstrada em ficar à frente do CPN uma altura destas mas igualmente pela entrega com que o fizeram ao longo deste mês de gestão corrente, sacrificando na maior parte das vezes as suas vidas pessoais – conforme foi dito pelos próprios – para tentar encontrar uma saída para esta crise.

    Foi pois com naturalidade que os associados apoiaram a continuidade da CA, isto na sequência da inexistência de qualquer lista para ser formada uma nova Direcção, conforme se verificou no ponto três da Ordem de Trabalhos, o qual era destinado à eleição dos novos corpos gerentes.

    Comissão que aceitou então continuar em funções por mais um mês, mais precisamente até ao próximo dia 10 de Abril, altura em que será realizada uma nova AG com o ponto único alusivo à eleição dos novos corpos gerentes. Mas foram avisando logo que só ficariam mais um mês, em busca de um milagre que mantenha o clube vivo, mas que depois da próxima AG aconteça o que acontecer não permanecem à frente dos destinos do CPN nem como CA nem como Direcção.

    AS INTERVENÇÕES

    DE JOAQUIM

    MOUTINHO

    Foto ARQUIVO MANUEL VALDREZ
    Foto ARQUIVO MANUEL VALDREZ
    Foi por esta altura que o 1º secretário da mesa da AG, Joaquim Moutinho (na imagem), usaria da palavra para também ele tecer algumas considerações sobre o momento do clube.

    Começaria por sulinhar a importância de transformar esta CA numa Direcção, pois perante os bancos e outras entidades (com as quais o clube pretenda negociar) a existência de uma equipa directiva deixa transparecer uma maior credibilidade e estabilidade.

    Seria da opinião que é ainda possível salvar o CPN do abismo, uma vez que o mesmo tem património, e é precisamente nesta altura que é necessário tirar partido desse património para tentar dar a volta à situação.

    Outra questão fulcral na credibilidade que o CPN deve fazer transparecer para o exterior são as suas contas, ou melhor a aprovação das mesmas. Nesta assembleia os relatórios de Gerência e de Contas voltaram a ser chumbados pela maioria dos associados, o que mais tarde levou Moutinho a recordar então que sem contas aprovadas não há direito a subsídios nem créditos bancários.

    Prepararia ainda os sócios para o pior, caso na próxima AG não seja encontrada uma Direcção (uma vez que a actual CA havia dito minutos antes que não iria continuar em funções depois da assembleia de 10 de Abril), referindo que aí teria de ser criada uma Comissão Liquidatária para... “encerrar” o CPN. Mas enquanto há vida há esperança, e foi um pouco nesse sentido que desta AG surgiu um apelo a toda a comunidade de Ermesinde, e restante concelho de Valongo, no sentido de ajudarem o CPN neste momento crítico.

    O clube está mal, corre risco de vida, e precisa de todos, mas todos, agora e mais do que nunca para poder voltar a ser a nobre, ecléctica, vencedora e respeitada instituição desportiva que nos habituou a ser ao longo dos seus quase 70 gloriosos anos de vida.

    Por: Miguel Barros

     

     

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