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Edição de 31-01-2021
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    Arquivo: Edição de 20-12-2009

    SECÇÃO: Destaque


    Inovação social em debate no congresso da UDIPSS Entre o Passado e o Futuro

    Teve lugar no passado dia 16 de Dezembro, na Fundação Cupertino de Miranda, o Congresso “Entre o Passado e o Futuro”, promovido pela UDIPSS – União Distrital das Instituições Particulares de Solidariedade Social do Porto, e cujo objectivo era sobretudo promover a discussão e reflexão sobre Inovação Social. O debate, cujas conclusões serão vertidas para um Livro Branco, que se espera deva estar pronto sensivelmente dentro de um mês, permitirá à UDIPSS e suas congéneres e à CNIS (Confederação Nacional) detectar carências, fundamentar respostas e justificar eventuais propostas futuras dirigidas à tutela, adiantou Artur Borges, presidente da UDIPSS-Porto, entidade promotora do Congresso.

    Edmundo Martinho, presidente do Instituto de Segurança Social, também presente na sessão de abertura, manifestou o desejo de que os novos instrumentos técnicos ao serviço da solidariedade sejam também acompanhados de progresso e inovação ao nível dos conceitos estruturantes das organizações. O bispo do Porto, D. Manuel Clemente, presidiu à sessão de encerramento, que também contou, entre outros, com a presença do padre Lino Maia, presidente da CNIS.

    Fotos URSULA ZANGGER
    Fotos URSULA ZANGGER
    O Congresso organizado pela UDIPSS-Porto contou com 310 congressistas inscritos, os quais encheram por completo a sala de conferências da Fundação Cupertino de Miranda.

    Vários temas estiveram em debate com os congressistas a organizar-se em grupos de discussão que abordaram “O Desafio da Sustentabilidade Económica das IPSS e as Finanças Sociais”, “Inovação Social no Desenvolvimento Comunitário”, “Liderança e Gestão de Organizações sem Fins Lucrativos”, “Comunicação no 3º Sector”, “Potenciar a Criatividade na Gestão de Pessoas em Organizações Sociais”, “Estratégias de Promoção da Participação e do Voluntariado em IPSS”, “Inovação Social e Desemprego” – que decorreram da parte da manhã – e “O Empreendedorismo Social e as IPSS”, “Jovens em Risco, Cidadania e Coesão Social”, “Identificação e Envolvimento de Stakeholders: Benefícios para o 3º Sector”, “Os Desafios do Envelhecimento e a Inovação Social”, “Marketing para o 3º Sector”, “Plataformas Colaborativas: Como Potenciar o Trabalho das IPSS em Rede na Implementação de Projectos de Qualificação Organizacional” e “Os Media e os Gestores Sociais”.

    Joaquim Azevedo, da Universidade Católica, Miguel Seabra da Hub Porto, João Meneses da Tese e Diogo Vasconcelos, da Cisco, deram o pontapé de partida na sessão plenária, mas já antes, na sessão de abertura, algumas intervenções marcaram o início do Congresso. Artur Borges, falando em nome da organização, e após os agradecimentos às personalidades presentes, traçou um quadro das IPSS (que, só no distrito, representam 15 mil trabalhadores, com uma média de 40 trabalhadores por instituição), sendo o segundo maior empregador distrital.

    O presidente da UDIPPS--Porto identificou depois alguns dos problemas que mais exigem a resposta destas instituições, como o desemprego, a saúde mental e a exclusão social. «São necessárias novas respostas sociais, uma identidade mais sólida e uma marca de qualidade na aproximação à comunidade e na melhoria dos serviços sociais prestados», considerou Artur Borges.

    De seguida, Rui Nunes, em representação da vereadora Guilhermina Rego, da Câmara Municipal do Porto, destacou a importância da igualdade de oportunidades, um valor ético que exige mais intervenção que apenas a do Mercado ou a do Estado. Afirmou que a coesão social não era incompatível com a competitividade e apontou os projectos municipais concretos da Educação de Valores e do Porto de Futuro. Abordou depois a «inversão dramática da pirâmide demográfica» e dos desafios que ela hoje coloca.

    Armando Pereira, que se lhe seguiu em nome de Carlos Lage, da CCDRN, ausente devido a compromisso inopinado e indeclinável da sua agenda europeia, pegou no tema do desenvolvimento sustentável, obrigando a uma perspectiva inovadora. «Não há retoma do desenvolvimento económico sem resolução dos desequilíbrios sociais vigentes», concluiu.

    Por fim, Edmundo Martinho, presidente do Instituto da Segurança Social ISS), defendeu que a inovação é um combate que deve ser levado a cabo com uma grande capacidade analítica, devendo ser evitadas as tentações de encontrar em certos instrumentos soluções messiânicas, sobretudo se não forem acompanhadas de um rejuvenescimento da nossa própria responsabilidade. «Instrumentos novos em organizações velhas não resulta», avisou Edmundo Martinho e, pelo contrário, deu o exemplo de uma velha solução que era um bom exemplo: o Banco Alimentar.

    Existe um desafio civilizacional face ao envelhecimento, apontou ainda. Mas é preciso reequacionar os problemas. Hoje é-se velho a partir de que idade?, questionou, recusando a infantilização do envelhecimento.

    DECLARAÇÕES

    À IMPRENSA

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    Posteriormente, em conversa com a comunicação social, Artur Borges chamou a atenção para a necessidade de reestruturação de equipamentos e competências no serviço social, referindo as respostas que há hoje que dar a realidades como o número crescente de doentes de parkinson ou alzheimer, e o papel que nesse aspecto podem ter as IPSS.

    Um outro exemplo foi o do apoio domiciliário, que não pode ser satisfatório se não for acompanhado de uma intervenção ao nível da melhoria das condições habitacionais das pessoas.

    Os acordos de cooperação com as IPSS deveriam ser desenvolvidos, dentro da perspectiva que são estas as organizações que mais de perto acompanham a resposta às carências da população mais desprotegida.

    Edmundo Martinho, por sua vez, deu também o exemplo, negativo, de uma IPSS que pudesse até estar tecnicamente bem equipada, mas que o não estaria ao nível conceptual se, por exemplo, recusasse um seropositivo.

    O presidente do ISS apontou depois novas soluções que lhe pareciam interessantes no domínio do combate à exclusão social, como o Plano de Cuidados da Saúde Mental, visando dar às pessoas alojamento e acompanhá-las ou os planos de reinserção dos sem-abrigo, passando também pelo realojamento das pessoas, mas implicando igualmente um grande trabalho contra a toxicodependência, o alcoolismo e outros factores responsáveis pela situação criada.

    Citando estudos norte-americanos nesta área, Edmundo Martinho estimava que custava mais à sociedade ir cuidando dos seus sem-abrigo, do que propriamente a resolver o problema.

    A sessão de encerramento, na qual não pôde estar presente o secretário de Estado da Segurança Social Pedro Marques, que se fez representar por Luís Cunha, contou com a presença do bispo do Porto, D. Manuel Clemente, ovacionado de pé pelos congressistas. Apelando a uma maior participação dos cidadãos na sociedade que nos pertence, D. Manuel Clemente citou a recente encíclica “Caritas in veritate” (Junho 2009) para destacar aspectos importantes da doutrina social da Igreja.

    Também presente na sessão de encerramento esteve o padre Lino Maia, presidente da CNIS (Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade), que insistiu na defesa do trabalho em rede das IPSS, no sentido de melhor operacionalizar os recursos comuns. E defendeu ainda que estas se adaptem aos desafios e à situações concretas do mundo de hoje. Outra ideia vincada por Lino Maia foi a de que o Estado não deve querer fazer tudo, substituindo as IPSS, que tanta experiência têm no domínio do serviço social, mas ajudar a que estas o façam cada vez melhor.

    CONCLUSÕES

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    As conclusões do Congresso, que serão vertidas num Livro Branco cuja publicação se prevê para mais ou menos daqui a um mês, devem contemplar as grandes linhas-de-força que resultaram dos debates, a saber:

    • Fim do assistencialismo, ultrapassando-o pela capacitação e envolvimento das pessoas enquanto agentes do seu próprio desenvolvimento;

    • Criação de novos espaços de colaboração;

    • Optimização de recursos, envolvimento activo dos utentes, organização de centrais de compras;

    • Abertura ao mundo e às boas práticas internacionais;

    • Novo modelo de gestão das organizações, mais participativo, e profissionalização da gestão e dos modelos de governança;

    • Construção de uma marca solidária;

    • Novas fontes e modelos de financiamento e empreendedorismo;

    • Uso da tecnologia para criar novas respostas às necessidades;

    • Continuidade!!!

    Por: LC

     

     

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