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Edição de 31-03-2020
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    Arquivo: Edição de 10-12-2009

    SECÇÃO: Cultura


    LIVRO DE CRÓNICAS “ O MEU POVO EM GENTE” FOI APRESENTADO NO CLUBE LITERÁRIO DO PORTO

    O grande coração de Nuno Afonso

    Com o Clube Literário do Porto literalmente a rebentar pelas costuras, Nuno Afonso não poderia ter tido uma melhor moldura humana do que aquela com que agradavelmente se defrontou na apresentação do seu primeiro livro.

    “O Meu Povo em Gente”, título da obra em que reúne algumas das suas crónicas, e que é lançado agora pela Papiro Editora, teve a apresentá-lo Helena Leote que, sempre com muito espírito, fez valer a proximidade profissional com o autor, e Alexandra Alves que, em nome da editora, proferiu também umas breves palavras augurando o êxito da edição.

    Fotos MANUEL VALDREZ
    Fotos MANUEL VALDREZ
    Pouco certo do acolhimento que iria receber este seu primeiro livro, Nuno Afonso em breve viu transformar-se alguma apreensão inicial... na reconfortante preocupação de ver como o espaço do Clube Literário seria capaz de dignamente receber as dezenas de amigos, familiares, alunos e antigos alunos, leitores de “A Voz de Ermesinde” e admiradores seus que ali foram para o lançamento da obra.

    Distribuída da melhor maneira a audiência, Alexandra Alves referiu a «ambiência de outras eras» captada no livro, apontou o seu «português castiço» e fez votos de sucesso não muito difícil de prognosticar.

    Depois foi Helena Leote, que professora como Nuno Afonso e sua cúmplice de lides profissionais e de gosto pelas Letras, traçou o retrato do homem e da obra, num registo a um tempo respeitoso e divertido. Começou por afinar a corda sensível, referindo coincidências que tocam, datando memórias do seu pai (de quem também apresentou um livro) relacionadas com a vida do autor que ali agora apresentava.

    Brincou depois com o nome da aldeia transmontana que ficou marcada na infância e na obra de Nuno Afonso (e cuja foto ilustra a capa do seu livro), Alimonde, sublinhando a dualidade do lugarejo perdido e da vastidão do mundo. Explicitamente não o disse, mas dizemos nós agora, nome que assenta como uma luva também ao carácter do autor, a um tempo atencioso dos lugares, das pessoas, dos ambientes, das emoções, no mais minucioso olhar sobre um pequeno mundo algures no planalto, e uma perspectiva madura e refinada pelo saber e o conhecimento, cosmopolita, e ampla, só possível pela sua vivência de lugares e de costumes tão distintos que obrigam a abrir a mente e a repensar o mundo com compreensão e redobrado encantamento.

    POÇO SEM FUNDO

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    Mas voltemos à apresentação da também autora Helena Leote, e à caracterização que ali fez dos ambientes e das personagens de Nuno Afonso nesrte livro: «Venturas e desventuras de gente entre o real e o fictício». As crónicas são um «poço sem fundo», elogiou ainda, referindo de seguida um outro aspecto em Nuno Afonso, o da mestria da escrita. E, de seguida, ao seu testemunho também sobre a pessoa humana que ali estava ao seu lado, «profissional íntegro, homem de que nos orgulhamos». E gostosamente, pedindo desculpa por tanto falar e já depois de ter introduzido o texto poético a que a seguir aludimos, ainda se confessou retratando-se a si própria com duas bocas e uma orelha, tal o seu gosto por falar. Terminou então dizendo o poema “Impressão Digital” de António Gedeão (de “Movimento Perpétuo”), poeta que, também por coincidência, nasceu no mesmo dia em que Nuno Afonso, a 24 de Novembro. E quando o poema termina (...) Vê moinhos? São moinhos./Vê gigantes? São gigantes., apontou Nuno Afonso ali sentado ao seu lado.

    «Bem-vindo ao mundo dos autores», concluiu.

    O novo autor, esse quase pedindo desculpa por esta atenção dos holofotes sobre si, despediu brevemente os presentes para que pudessem ir descansar, e agradeceu ainda «o panegírico de Helena Leote, ainda que o sinta absolutamente sincero».

    Mas, na verdade, esta chegada ao mundo dos autores não é de agora, discretamente Nuno Afonso foi publicando as suas crónicas ao longo de anos e anos, com uma disciplina que só tem paralelo na sua escrita, fluente e saborosa, apimentada com as especiarias com que a nossa língua se faz banquete abastado, e que autores como Aquilino foram capazes de mostrar absolutamente sumptuosa.

    E é aqui que se vê quem defende verdadeiramente a Língua Portuguesa, quem a ama de facto, em palavras e actos. E o que dá uma autoridade indiscutível a Nuno Afonso, quando este autor defende, por exemplo, o Acordo Ortográfico.

    Mas adiante! O repórter de ocasião e autor destas linhas teve o privilégio de, fora do seu círculo de intimidade, ter sido o primeiro (ou um dos primeiros) a ler muitas das crónicas de Nuno Afonso, publicadas no jornal “A Voz de Ermesinde”. E a lê-las, uma por uma, sempre rendido à forma da escrita, ao humaníssimo retrato das suas personagens e ao rendilhado dos ambientes nela espelhados com tanta delicadeza e vivacidade como só alguém com um grande coração seria capaz de fazer.

    Por: LC

     

     

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