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Edição de 31-10-2020
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    Arquivo: Edição de 10-12-2009

    SECÇÃO: Cultura


    Vítor da Rocha apresentou o seu novo romance

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    Lê-lo faz-nos – de certa forma – entrar na máquina do tempo e recuar quase quatro décadas para “saborear” – ou voltar a fazê-lo para os mais velhos – a beleza natural e o seu envolvente sossego de uma freguesia rural às portas de uma grande cidade. Ali chegados é como se o tempo parasse e o imáginário então viajasse pelos verdejantes campos pintados numa série de quadros vivos de uma ruralidade que com o avançar dos tempos foi gradualmente desaparecendo dando lugar ao caos desenfreado do urbanismo. Paralelamente a este retrato acompanha-nos a história de uma mulher, uma mulher que também ela se despiu dos “sinais primários” da pureza e inocência humana para vestir a “pele da ambição” de subir na vida a qualquer custo.

    Estas curtas linhas servem – na visão do autor das mesmas – para descrever – ou tentar fazê-lo – “Nina Mina de Ouro”, o novo romance do escritor Vítor da Rocha.

    Presença habitual na Feira do Livro do Concelho de Valongo – em representação da editora da qual é proprietário – este escritor transmontano radicado em Rio Tinto há cerca de 30 anos, e que curiosamente desenvolve a sua carreira de docente do ensino básico na freguesia valonguense de Campo, apresentou a sua mais recente obra no passado dia 28 de Novembro, no Salão Nobre do Clube dos Fenianos do Porto. Diante de uma vasta assistência o livro – chancelado pela Editora Mosaico de Palavras – foi apresentado de uma forma minuciosa por Álvaro Santos, o qual foi precedido de um agradável momento musical levado a cabo pela Academia de Música de Vilar do Paraiso.

    Obra riquíssima em figuras de estilos – povoada de deliciosas metáforas, personificações e comparações – em “Nina Mina de Ouro”, é contada a história de Nina, uma menina, e mais tarde mulher, oriunda da então rural freguesia de Rio Tinto, que «graças à mais-valia dos seus dotes físicos, consegue alcançar o éden moderno – carro topo de gama e conta bancária robusta. Ainda que pelo caminho se vá despindo de tudo – ideais, marido, filha, mãe, amigos, simples objectos sem valor que só atrapalham a subida. É todo um modo de vida, ritmado pelos humores das coisas, das terras e das casas e pelas vozes dos vizinhos, que vai ficando para trás das costas da personagem, na sua impávida cavalgada para um objectivado além dourado. (...) Uma violenta condenação da modernidade urbana, onde a condição de ter suplantou irremediavelmente a de ser.», como pode ser lido na sinopse que o autor faz deste livro.

    Ao longo da obra podemos descortinar um permanente paralelismo entre a personagem principal da história, Nina, e a freguesia de Rio Tinto. Uma foi perdendo a inocência de criança demasiado cedo para dar lugar a uma mulher cuja ambição em atingir o “el dorado” da vida a fazia passar por cima de tudo e de todos, e a outra perdendo os seus traços de aldeia para se transformar numa selva de betão sem planeamento encoberta pelos vapores cinzentos dos veículos que nela habitam.

    Nesta obra Vítor da Rocha prova uma vez mais que é um escritor sem medo de agarrar as palavras, sejam elas delicadas ou mais agrestes e provocadoras para as mentes de alguns leitores mais púdicos... digamos assim.

    Por: Miguel Barros

     

     

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