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    Arquivo: Edição de 10-09-2009

    SECÇÃO: Tecnologias


    Como e quanto cresce o desenvolvimento do kernel do Linux

    Num relatório actualizado à data de Agosto de 2009, a Liux Foundation tornou público um estudo sobre o desenvolvimento do kernel Linux, em que é bem claro o crescimento exponencial do interesse dos programadores por este sistema operativo de software livre.

    O estudo, da autoria de Greg Kroah-hartman (Novell), Jonathan Corbet (LWN.net) e Amanda mcPherson, da Linux Foundation aponta para o envolvimento, desde 2005, de mais de 5 000 programadores no kernel Linux. Desde a primeira publicação deste estudo, em Abril de 2008, houve um aumento de 10% do número de programadores envolvidos, tendo aumentado igualmente numa escala sem precedentes o número de novas linhas de código, que cresceu em cerca de 2,7 milhões de linhas desde então.

    O estudo aqui apresentado da Linux Foundation (http://www.linuxfoundation.org/publications/whowriteslinux.pdf) começa por definir o que é o kernel do Linux, apresentando-o como o coração do sistema operativo, não desprezando todavia as imensas contribuições do projecto GNU, dos projectos de desktop Gnome e KDE e do projecto X.org, além de outras fontes.

    O estudo abarca, por isso, o desenvolvimento do kernel desde a versão 2.6.11 até à 2.6.30.

    O modelo de desenvolvimento do kernel Linux tem ocorrido a uma média de dois//três meses, para as principais actualizações, como pode ser constatado no quadro publicado ao lado.

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    O trabalho de desenvolvimento avança através de pequenas mudanças, chamadas “patches”.

    É também notório o aumento do número de “patches” por hora, como se constata no quadro seguinte.

    O tamanho do kernel, desde a referida versão número 2.6.11, de Março de 2005, correspondente ao início do primeiro estudo, até à mais recente à data do último estudo, 2.6.30, de Junho de 2009, quase suplicou em número de linhas de código, tendo passado de 6 624 076 para 11 560 971.

    Mas isto é apenas uma amostra do trabalho feito pelos desenvolvedores do Linux, pois não apenas se têm acrescentado linhas de código, como esse aumento é o resultado da diferença entre as linhas acrescentadas e as linhas apagadas, sendo ainda de registar as linhas modificadas (quase tantas como as apagadas. Como exemplo, relativamente ao kernel 2.6.11, foram adicionadas 3 224 linhas de código, enquanto se apagaram 1 360 e se modificaram 1 290.

    Mas no mais recente kernel 2.6.30 foram adicionadas 12 993 linhas de código, apagadas 4 958 e modificadas 2 830 linhas. E a tendência é firmemente neste sentido crescente.

    De onde vêm estes programadores que asseguram o desenvolvimento do Linux?

    Muitos deles estão ligados a empresas, e o número de empresas conhecidas de onde provêm os programadores não cessa também de aumentar: 2.6.11 - 68; 2.6.12 - 90; 2-6.13 - 94; 2.6.14 - 90; 2.6.15 - 108; 2.6.16 - 111; 2.6.17 - 120; 2.6.18 - 133; 2.6.19 - 128; 2.6.20 - 138; 2.6.21 - 143; 2.6.22 - 180; 2.6.23 - 181; 2.6.24 - 194; 2.6.25 - 228; 2.6.26 - 203; 2.6.27 - 183; 2.6.28 - 213; 2.6.29 - 230; 2.6.30 - 240.

    Ao todo, implicados no desenvolvimento do kernel, seja qual for a versão, desde a 2.6.11 até à 2.6.30, estiveram programadores provenientes de nada menos do que 532 companhias.

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    E que companhias são estas? Ora, por ordem de contribuições surgem a Red Hat (12,3%), IBM (7,6%), Novell (7,6%), Intel (5,3%), Consultant (2,5%), Oracle (2,4%), Linux Foundation (1,6%), SGI (1,6%), Parallels (1,3%), Renesas Techonoly (1,3%), Fujitsu (1,1%), MontaVista (1,1%), MIPS Technologies (1,1%), Analog Devices (1,0%), Hewlett Packard (1,0%), Freescale (0,9%), Google (0,9%), Linutronix (0,9%), Astaro (0,8%), NetApp (0,7%), Marvell (0,6%), Nokia (0,6%), Simtec (0,6%), QLogic (0,6%), Movial (0,5%), AMD (0,5%) e Sun (0,5%).

    Mencionam-se no estudo ainda outras empresas nas quais os programadores mais contribuíram para o kernel do Linux: Vyatta, Atheros Communications, NTT, XenSource.

    Quanto aos programadores propriamente ditos, individualmente, estão entre os mais prolíficos David S. Miller, Ingo Molnar, Al Viro, Adrian Bunk, Takashi Iwai, Bartlomiej Zolnierkiewicz, Chris Mason, Ralf Baechle, Tejun Heo, Stephen Hemminger, Andrew Morton, Paul Mundt, Russell King, Thomas Gleixner, Alan Cox, Greg Kroah-Hartman.

    Linus Torvalds, o criador do kernel Linux, não parece na lista dos trinta programadores mais prolíficos, embora a sus contribuição continue activa e crucial para o kernel.

    De facto, é preciso não só desenvolver o mkernel mas também revê-lo constantemente, para que as musanças possam ser aprovadas. Entre os programadores mais envolvidos nesta área estão nomes como alguns dos já citados e outros, tais como John W. Linville, Mauro Carvalho Chehab, Jeff Garzik, o próprio Linus Torvalds e James Bottomley.

    Que companhias suportam

    o desenvolvimento do Linux?

    O estudo apresenta depois um perfil de quatro tipos de companhias que apoiam o desenvolvimento do Linux:

    1- Aquelas que pretendem assegurar que o Linux corra no seu hardware, o que, em contrapartida torna este mais atractivo para os utilizadores de Linux, potenciando as vendas de hardware destas empresas - caso da IBM, Intel, SGI, MIPS, Hewlett-Packard, Fujitsu, etc..

    2 - Aquelas que distribuem o sistema operativo Linux, casos da Red Hat, Novell e MontaVista, interessadasem conquistar consumidores e empenhadas num kernel Linux ainda melhor.

    3 - Aquelas que utilizam o Linux como componente de produtos tais como câmaras de video, televisões, telemóveis, casos da Sony, Nokia e Samsung. Ao participarem na melhoria do kernel asseguram que o Linux continue a ser uma base sólida para os seus produtos no futuro.

    4 - Aquelas que não estando no mundo das tecnologias de informação, ainda assim consideram benéfico o trabalho de desenvolovimento do Linux, casos da Volkswagen, ou da Quantum Controls BV, que fabrica aparelhos de navegação para iates. Nenhum outros sitema operativo tem tanto poder para influenciar o desenvolvimento em vista dos seus utilizadores.

    A lista, quanto às companhias mais prolíficas, não deixa de ter algumas ausências surpreendentes, caso da Canonical (que suporta o Ubuntu), mas é preciso não esquecer, como lembrava o início do estudo, que estas contribuições se referem apenas ao kernel do Linux, sendo o sistema operativo como um todo, uma coisa muito mais vasta. Basta dizer que as contribuições de software da Free Software Foundation são de tal ordem importantes que o sistema deve ser chamado de GNU/Linux e não apenas Linux, tal a importância do projecto Gnu.

    E que seria do sucesso do Linux, sem os apelativos desktops desenvolvidos pelos projectos concorrentes KDE e Gnome?

    É que sem a casca estragava-se a cebola!

    Por: LC

     

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