Subscrever RSS Subscrever RSS
Edição de 30-09-2022
  • Edição Actual
  • Jornal Online

    Arquivo: Edição de 15-06-2009

    SECÇÃO: Opinião


    foto

    Manter o rumo

    Poucas vezes os resultados eleitorais terão causado tanta surpresa como os das “Europeias” de 2009, com as expectativas resultantes das sondagens a falharem na quase totalidade, com pronunciada diferença para o PS, que recolhia nas sondagens votações a ultrapassar os 35% e que a realidade veio a confirmar não chegar aos 27%, ficando demasiado aquém dos 44,53% registados no escrutínio de 2004, averbando como consequência, passar de doze deputados eleitos para apenas sete, com o gravame de que, mesmo que Portugal mantivesse o direito a eleger vinte e quatro representantes, o número de socialistas a rumar para Estrasburgo não seria diferente dos sete conseguidos.

    Como sempre acontece nestas circunstâncias, todos os grandes concorrentes gritaram vitória, excepção feita ao Partido Socialista, que não encontrou argumento algum que lhe tivesse permitido acompanhar os seus adversários, os mesmos que durante a campanha eleitoral pediram aos eleitores que mostrassem um cartão amarelo ao Governo, censurativo das políticas seguidas nos quatro anos que leva de governação. Os resultados permitem concluir que o pedido foi escutado e materializado nas urnas.

    Compreende-se por tudo isto o desalento dos socialistas que acorreram ao Hotel Altis na esperança, alimentada pelas sondagens (cuja independência e rigor alguns partidos põem em causa), de celebraram mais uma noite de glória, sendo intuitivo que os governantes, que cedo chegaram à referida unidade hoteleira, tivessem a esperança de serem eles a fazerem o discurso da vitória, nele introduzindo a desejada declaração de que a política de afrontamento e de endividamento do país, acabara de ser ratificada pelos portugueses e, consequentemente, a vontade do povo cumprir-se-ia com mais e mais dívida a contrair no mercado interno e no externo, pouco se importando com os custos e dificuldades que isso implique para a qualidade de vida dos portugueses e desenvolvimento sustentado do país.

    Ilustração GEORGE GROSZ
    Ilustração GEORGE GROSZ
    O que é mais difícil de entender, são as declarações do primeiro-ministro quando diz que não há nada a alterar na orientação governativa. Manter o rumo será a palavra de ordem. Se estivéssemos habituados às afirmações dos políticos serem verdadeiras, então duas conclusões seriam extraíveis: a arrogância dos socialistas impedi-los-ia de perceberem a recusa dos portugueses às suas políticas e comportamentos e a compreensível esperança dos sociais-democratas de virem a averbar nas próximas legislativas “score” idêntico ao registado nas europeias. Prémio que Ferreira Leite não deixará de agradecer ao seu homólogo, telefonando-lhe na noite eleitoral.

    Estranho é os políticos, tão sabedores da “poda” que os leva a frequentemente lembrarem que não recebem lições de ninguém seja do que for, teimarem na ignorância de não entenderem que os portugueses repetidamente deram provas de não gostarem de serem governados em sistema ditatoriais: tiveram o 25 de Abril, penalizaram o autoritarismo da maioria PSD, acabam de mostrar um cartão amarelo ao “quero posso e mando” socialista, e a arrogância do primeiro-ministro não o deixa perceber os avisos?

    Uma palavra para o fenómeno da abstenção, para dizer que as proclamadas apreensões dos políticos soam a farisaísmo. Com a abstenção de 63,2% ou de 59% (a primeira calculada a partir dos cadernos eleitorais e a segunda com os mesmos “limpos” dos mortos) foram eleitos vinte e dois eurodeputados. Se a abstenção se tivesse ficado pelos 5% ou 10% o que é que teria acontecido? Exactamente o mesmo. Por isso é que recentemente já advogamos que o critério de eleitos deve ser alterado para se conformar com o número de votos recolhidos e não com os registos dos cadernos. Quando assim se proceder, poderemos esperar que os programas eleitorais dos partidos sejam objectivos, que os candidatos se preocupem em mobilizar os eleitores a votar, os princípios elementares democráticos sejam observados e a democracia olhada pelos cidadãos como o regime em que os eleitos efectivamente se preocupam com a resolução dos problemas dos povos. Enquanto tal não acontecer, esperar reduções nas taxas de abstenção é milagre difícil de concretizar.

    Por: A. Alvaro de Sousa

     

    Outras Notícias

     

    este espaço pode ser seu Este espaço pode ser seu Este espaço pode ser seu
    © 2005 A Voz de Ermesinde - Produzido por ardina.com, um produto da Dom Digital.
    Comentários sobre o site: webmaster@domdigital.pt.