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Edição de 30-04-2022
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    Arquivo: Edição de 31-05-2009

    SECÇÃO: Editorial


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    A ausência de verdade

    Todos procuramos a verdade, seja ela encarada numa perspectiva filosófica, religiosa, científica ou social. Precisamos de acreditar no que fazemos, só assim a vida faz sentido. Hoje é difícil saber o que é verdade ou mentira, não estou a pôr em causa a subjectividade da própria verdade, que é real e depende das pessoas das crenças, da moral e das diferentes sociedades, refiro--me àquela verdade que é demonstrável, mas mesmo essa é muitas vezes esquecida, alterada com meia dúzia de palavras doces, ditas com muita convicção.

    “Tal como as cerejas” que também aparecem em Maio e se ligam entre si de tal forma que umas arrastam as outras, e é uma tentação estar junto dum cesto de cerejas, agora uma, depois outra, e nunca mais paramos de as comer, daí o ditado popular “tal como as cerejas”, este mês de Maio tem sido pródigo em contos e ditos, que se cruzam, enredam e confundem as mais diversas mentiras e as tentam transformar em verdades.

    Num momento tão complexo «no coração da crise planetária» – como lhe chamou Edgar Morin, já lá vão alguns anos ao abordar a Violência do Mundo e ao fazer a sua análise sobre as condições históricas que tornaram possíveis as acções terroristas de 11 de Setembro e da necessidade da criação de uma «consciencialização global destinada a inventar um outro futuro» –, penso que continuam actuais as suas palavras, apetece partir para outra galáxia, onde não tenha que estar constantemente a duvidar de tudo e de todos.

    Não há tempo para pensar, não há tempo para reconhecer os erros, todos se sentem com razão e tudo na vida é um jogo, jogo esse de que só alguns conhecem as regras, onde a batota é constante, e só é denunciada quando o adversário está a ganhar, caso contrário continua tudo na mesma.

    Foi este deixa correr de qualquer forma, remendo sobre remendo, que nos levou a esta situação, não queríamos ver a verdade, tínhamos medo de nos ver ao espelho, é fácil utilizar filtros que nos envolvam numa penumbra que torna tudo suave e conveniente.

    Onde estão os verdadeiros responsáveis da crise?

    O povo costuma dizer que «zangam-se as comadres, descobrem-se as verdades», será que vamos mesmo saber a verdade?...

    Penso que era bom acreditar que se pode sempre renascer aprendendo com os nossos erros e os dos outros, mas este mundo não pode continuar como está. Em véspera de eleições, até parece que todos dizem o mesmo, mas não é verdade, cada um de nós tem que encontrar a sua verdade, mas cuidado não se confunda a verdade com a mentira!...

    Por: Fernanda Lage

     

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