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Edição de 31-03-2021
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    Arquivo: Edição de 30-04-2009

    SECÇÃO: Destaque


    ERMESINDE – História e Memórias

    No passado dia 24 de Abril, à noite, na Biblioteca Municipal de Valongo, decorreu a 1.ª sessão do 1.º Ciclo de Conferências sobre o Concelho de Valongo, cabendo a honra da “estreia” à nossa cidade de Ermesinde. Estiveram presentes mais de uma centena de pessoas e também os Presidentes da Junta de Freguesia de Ermesinde e da Câmara Municipal de Valongo. Foram conferencistas Manuel Augusto Dias, Gracinda Marques, Jacinto Soares e José Manuel Pereira, que foram escutados com muito agrado.

    Fotos ANDRÉ CARVALHO/CMV
    Fotos ANDRÉ CARVALHO/CMV
    No âmbito do maior dinamismo que a directora da Biblioteca Municipal de Valongo vem dando àquele espaço de cultura, chamando escritores e público, foi agora a vez de a sua atenção se concentrar sobre os autores do concelho. A 1ª freguesia a abrir o Ciclo de Conferências sobre o Concelho de Valongo, foi precisamente aquela que é a maior em termos populacionais e, provavelmente, aquela de que ultimamente têm sido publicados mais estudos monográficos.

    Antes das conferências, propriamente ditas, houve, no átrio interior da Biblioteca, um espaço musical muito agradável com o Orfeão da Associação Académica e Cultural de Ermesinde, dirigido pelo maestro Sérgio Nery.

    Depois, o Auditório da Biblioteca ficou completamente sobrelotado com o enorme número de pessoas que quis ouvir os conferencistas. Antes, porém, a directora da Biblioteca, Isaura Marinho e Fernando Melo, Presidente da Câmara de Valongo, intervieram para darem uma explicação sobre o que ia acontecer e também para informarem que, afinal, o jornalista da TVI, Júlio Magalhães, não podia estar presente como moderador, porque sofreu um pequeno acidente e teve de ser tratado no Hospital. Por isso, foi substituído pela jornalista e escritora Sandra Guimarães, que esteve muito bem em toda a sessão.

    O 1.º conferencista a usar da palavra, foi Manuel Augusto Dias, autor de uma das mais recentes monografias de Ermesinde, falando da evolução histórica de Ermesinde ao longo do tempo. Foi escutado com interesse pela plateia, tendo oportunidade de falar desta terra desde a inicial fixação humana junto às linhas de água permanentes que desde sempre aqui correm, até à actualidade, pondo em confronto o pequeno meio rural de outrora com a cidade populosa que é agora. Explicou a mudança de paróquia para freguesia, a mudança do nome de Asmes para Ermesinde e os momentos mais significativos da História da nossa terra, dando maior destaque às Inquirições de 1258, às Invasões Francesas a Portugal (recordou a celebração do 2º Centenário da 2ª Invasão, a que mais afectou esta região), às Lutas Liberais (de que Ermesinde também foi palco), à criação do Concelho de Valongo, à inauguração das Linhas do Douro e Minho, que colocaram Ermesinde no mapa nacional e estiveram na base do seu enorme crescimento popular; a Ermesinde como estância balnear do Porto até à segunda metade do século XX; e à emancipação a Vila (1938) e a Cidade (1990).

    Sucedeu-lhe no uso da palavra, Gracinda Marques que falou das Memórias Paroquiais de 1758, referentes a S. Lourenço de Asmes. Segundo a conferencista, que é autora, com José Manuel Pereira, do livro “Bombeiros Voluntários de Ermesinde: 75 Anos de Vida”, as Memórias Paroquiais de 1758 traçam um perfil do Reino de Portugal, feito pelos párocos, em resposta a um inquérito determinado pela Secretaria de Estado do Reino. As 60 questões deste Inquérito centravam-se nas terras, nas serras e nos rios. Os inquéritos respondidos pelos párocos das paróquias correspondentes ao actual Concelho de Valongo ainda não foram devidamente estudados na historiografia local, por isso foi de enorme relevância falar deles nesta Conferência, que serviu para divulgar alguns dados e curiosidades referentes à Paróquia de S. Lourenço de Asmes, sem que a oradora deixasse de aludir a um ou outro aspecto relevante ou curioso das demais freguesias do Concelho, como aconteceu com a pequena anotação de ladrões que o Abade de S. Martinho de Campo diz existirem ao tempo naquela terra e que escapavam para o Brasil para não serem presos.

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    Seguiu-se a intervenção do 3º conferencista, Jacinto Soares, autor da recente publicação “Ermesinde – Memórias da Nossa Gente”, que se referiu a alguns vestígios do património histórico da cidade de Ermesinde, dando maior ênfase às construções do tipo agrícola. Falou também do nosso artesanato, particularmente do caso dos brinquedos de madeira que tiveram em Ermesinde um importante centro de produção e dos jugos e cangas e referiu, igualmente, as actividades tradicionais ligadas a matérias-primas, nomeadamente o carvão da choça que aqui dava rendimento a muitas famílias e que daqui seguia para o Porto. Não esqueceu os “Conglomerados” que existem no Alto da Serra e que deveriam ser preservados, dada a sua importância geológica. De permeio, trouxe à lida algumas curiosidades linguísticas e etnográficas que também contribuem para enfatizar a identidade e as características mais marcantes desta terra que, até 1911, se chamou S. Lourenço D’ Asmes. Entre os vocábulos típicos falou das “olheiras”, das “estrelas”, “buchas”, “aboízas” de vime, da “sarrisca” e dos “briquetes”.

    Encerrou o conjunto de conferências, José Manuel Pereira, que dissertou sobre o Movimento Associativo numa cidade em desenvolvimento como é Ermesinde. Falou da emergência das primeiras redes sociais na Idade Média, passando pela Revolução Francesa e pela Revolução Industrial, conjuntura do processo evolutivo em que ocorreu o êxodo rural e a deslocalização para o espaço urbano. Referiu a Lei de 14 de Fevereiro de 1907, como aquela que consagrou o princípio da liberdade de associação que, no período do Estado Novo, seria condicionada aos princípios ideológicos daquele regime autoritário, até que o “25 de Abril” a devolveu. No caso de Ermesinde, o autor do livro “CPN: 50 Anos de História” destacou três prestigiadas associações de Ermesinde: a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ermesinde (fundada em 1921, que se integra nas instituições de carácter humanitário), o Clube de Propaganda da Natação (fundado em 1941, que pertence ao sector desportivo) e o Centro Social de Ermesinde (fundado em 1954, cuja principal valência é o apoio à pobreza).

    No fim, e porque já passava da meia-noite, apenas houve tempo para um curto debate entre os assistentes e os conferencistas. A fechar esta histórica noite, foi oferecido aos presentes um amável “Porto de Honra”.

    Por: Luís Dias

     

     

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