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    Arquivo: Edição de 10-12-2008

    SECÇÃO: Arte Nona


    Eu matei Adolfo Hitler

    Publicado recentemente (Junho de 2007) pela Fantagraphics Books (Seattle, Estados Unidos) e agora distribuído em Portugal, “I Killed Adolph Hitler”, da autoria de Jason, é a primeira edição, em língua inglesa, do original “J’ai tué Adolh Hitler” (“Eu Matei Adolfo Hitler”) , editado originalmente ainda em 2007 nas Éditions de Tournon – Carabas (França).

    Para apimentar ainda mais este cocktail altamente cosmopolita, diga-se que o autor, Jason, nasceu na Noruega, em 1965. A edição da Fantagraphics, por sua vez, foi impressa em Singapura.

    A presente obra, cujos traços foram coloridos por Hubert, e cujo grafismo adopta uma “inocente” e pura linha clara – em que as personagens são sobretudo figurados como cães, mas há uma ou outra ave –, desenvolve contudo uma espécie de thriller de ficção científica, destinado a um público adulto.

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    A edição da Fantagraphics exibe, na contra-capa, um conjunto de três perguntas e uma conclusão, que são, ao fim e ao cabo, nada mais que um resumo do enredo de “Eu Matei Adolfo Hitler”.

    Ora vejamos, pedindo desculpa de antemão aos leitores por um eventual desliza de tradução que, contudo, não deve matar o sentido pretendido:

    «E se vivêssemos num mundo onde ser assassino profissional fosse legal e um lugar-comum como profissão, tal como um médico ou um advogado?

    E se um cientista contratasse um destes assassinos para o mais espantoso feito da sua carreira... recuar no tempo e matar Adolfo Hitler antes da sua maldita ascensão ao poder?

    E se Hitler conseguisse sobreviver à tentativa de assassínio, roubasse a máquina do tempo e viesse dar uma espreitadela ao século XXI... deixando o seu fracassado assassino encalhado 70 anos atrás?

    Se pensa que pode adivinhar as respostas a algumas destas questões... está enganado. E precisa de ler “Eu Matei Adolfo Hitler”, a última obra-prima com cara de pau de Jason».

    De facto, o estilo gráfico de Jason, buscando limitar a expressão de emoções e recorrendo a uma ilustração falsamente infantilizada, que se poderia encontrar em obras da Banda Desenhada para a Infância, ou a adaptações da Animação ao estilo Walt Disney, é surpreendente e desafiador, quase uma rasteira.

    Enquanto o assassino se dedica com dedicação e por inteiro à sua profissão, a sua mulher procura consolar-se sozinha. E vai imaginando que se acaricia [e enquanto o o texto de Jason o descreve, o seu desenho apenas a mostra em poses tranquilas e nada erotizadas]. Enquanto isso, da janela da sua [deles] própria casa, o assassino executa um trabalho. Feito este, confidencia à mulher: «Penso que devíamos começar a ver outras pessoas».

    E a sua carreira prossegue, com mortes às centenas. Vêm clientes procurá-lo por todos os motivos, tentando despachar ora o vizinho, ora a esposa, ora a mãe, o pai, o companheiro, os irmãos, a irmã..., até que, ele próprio é vítima de uma tentativa de assassínio, de que escapa miraculosamente. Uma dúvida assalta-o, e se agora fosse a sua própria mulher a querer matá-lo? Mas a esposa nega-o veementemente.

    Acontece então a proposta da sua vida: embarcar numa máquina do tempo e ir 70 anos atrás para matar Adolfo Hitler, após uma primeira tentativa falhada por parte do cientista que agora o quer contratar. A máquina esteve em repouso 50 anos, é esse o tempo que é necessário para ela se recarregar e permitir uma nova viagem.

    O assassino aceita este trabalho, mas tendo falhado a sua tentativa, permite a Hitler refugiar-se e perder-se na multidão em pleno século XXI. Mas as verdadeiras peripécias, ao nível do argumento, com volte-faces dramáticos e espectaculares, só vão agora verdadeiramente começar.

    Ao nível gráfico, a obra é pouco mais que minimalista, vivendo exclusivamente do traço. E esta é claramente uma daquelas obras em que o trabalho de coloração seria até perfeitamente dispensável.

    Nascido em Molde, na Noruega, onde estudou Artes, Jason é autor de “Hey, Wait...”, “Sshhhh!”, “The Iron Wagon”, “Tell Me Something”, “You Can´t Get There From Here”, “Why Are You Doing This?”, “Meow, Baby!, “The Left Bank Gang”, “The Living and the Dead” e “The Last Musketeer (2008)”.

    A sua primeira graphic novel data de 1995, “Lomma full av regn” (Bolso Cheio de Chuva), que lhe valeu logo o Sproing Award, o mais importante prémio de Banda Desenhada na Noruega.

    Tem obras suas publicadas na Alemanha, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Alemanha, Holanda, Eslováquia, Suécia, Suíça, Polónia e Estados Unidos.

    Por: LC

     

     

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