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Edição de 31-01-2020
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    Arquivo: Edição de 31-10-2008

    SECÇÃO: Cultura


    Valongo recebeu a visita de um dos maiores vultos da literatura infanto-juvenil portuguesa

    Fotos MANUEL VALDREZ
    Fotos MANUEL VALDREZ
    Sala cheia para receber Alice Vieira, escritora que no passado dia 10 de Outubro esteve na Biblioteca Municipal de Valongo, em visita inserida no âmbito da rubrica cultural promovida pela autarquia valonguense “Os Escritores visitam a Biblioteca”.

    Reconhecida tanto a nível nacional como internacional como uma das mais notáveis escritoras de literatura infanto-juvenil, Alice Vieira fez em Valongo, durante mais de uma hora, as delícias dos jovens – e não só – que lotavam por completo o auditório da biblioteca na sequência de um atractivo e extremamente simpático diálogo onde focou essencialmente a paixão e cumplicidade que vem mantendo com a escrita ao longo de quase três décadas de actividade profissional. Satisfazendo o elevado grau de curiosidade – foram muitas as questões colocadas – do seu público-alvo, a escritora fez uma retrospectiva de toda a sua carreira, dando a conhecer entre outros episódios aquele em que iniciou a sua caminhada no mundo da literatura. Tudo aconteceu um pouco por acaso no final da década de 70, por influência dos seus filhos que, certo dia, se queixam da monotonia provocada pela ausência de livros... uma vez que já haviam lido todo o espólio literário existente na sua biblioteca pessoal. Vai dai a mãe decide dar uma ajuda e começou a escrevinhar uma história com base em acontecimentos comuns do dia-a-dia das suas crianças... o mundo da escola, o círculo familar, etc.. O resultado foi “Rosa, minha irmã Rosa”, a primeira obra da autora. O bichinho pegou e de lá para cá muitos outros livros se seguiram. «Tenho cerca de 60 livros publicados», respondeu a escritora a uma menina que timidamente lhe havia perguntado quantos eram já os livros editados.

    Alice Vieira revelou igualmente – para os que ainda não sabiam – que o seu contacto com a escrita não se restringe unicamente à publicação de livros, uma vez que desde os 17 anos de idade se dedica, de corpo e alma, à sua primeira grande paixão profissional, digamos assim, o jornalismo. No seu impressionante currículo saltam à primeira vista os trabalhos realizados nos extintos “Diário Popular” e “Diário de Lisboa”, no “Diário de Notícias” e, mais recentemente no “Jornal de Notícias”, último diário este onde continua a exercer funções de jornalista. Escolher entre o jornalismo e a “profissão” de escritora é tarefa impossível para esta cidadã natural de Lisboa: «Não consigo prescindir de nenhumas destas duas actividades. Se por um lado gosto imenso de escrever livros, por outro faz-me falta a escrita do jornal, a adrenalina diária vivida num jornal. São tipos de escrita diferentes... mas não consigo viver sem as duas».

    A ESCRITORA DESVENDA

    A FORMÚLA SECRETA

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    Refere, aliás, que muitas das histórias que do seu imaginário saltam para os livros nascem de factos da vida real extraídos do seu trabalho enquanto jornalista. Quando questionada acerca da “fórmula secreta” para se ser escritor, Alice Viera foi prática e objectiva na resposta: «Há que trabalhar muito todos os dias. Para se escrever bem tem primeiro de se escrever mal, mas o essencial é... escrever». À medida que os tempos mudam a escrita de Alice Vieira também acompanha essa mudança, e prova disso é o seu último livro, “Vida nas Palavras de Inês Tavares”, lançado precisamente na véspera desta visita a Valongo, que descreve a vida de uma comum menina da actual geração, a dos telemóveis, dos iPods, dos “Morangos com Açúcar”...

    E se no passado aproveitou a vida dos seus filhos, e dos amigos destes, como “fonte de inspiração” para muitos dos seus trabalhos, hoje essa inspiração é captada através dos netos, “membros” da tal nova geração de adolescentes.

    Sentindo-se como um peixe na água no meio deste mar de adolescentes – provenientes das escolas básicas EB 2/3 de Campo, de Sobrado e de Valongo – Alice Vieira recebeu das mãos de dois deles duas pequenas lembranças que, certamente, lhe trarão no futuro à memória esta sua passagem por Valongo. E nós, há também que dizê-lo, não iremos esquecer igualmente esta visita de uma das mais brilhantes escritoras da história da literatura infanto-juvenil portuguesa.

    Por: Miguel Barros

     

     

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