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Edição de 28-02-2021
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    Arquivo: Edição de 20-09-2008

    SECÇÃO: Cultura


    Exposição comemorativa de 120 anos da Linha do Tua

    Foto GEOFF PLUMB
    Foto GEOFF PLUMB
    Esteve exposta até ontem no Fórum Vallis Longus, na capital do concelho, uma interessante exposição de fotografia, comemorativa dos 120 anos da inauguração da Linha ferroviária do Tua.

    Organizada pelo MCLT (Movimento Cívico pela Linha do Tua), esta mostra esteve patente desde o dia 29 de Agosto até 19 de Setembro), sendo constituída por fotografias da autoria de Geoff Plumb, Aníbal Gonçalves e do próprio MCLT (a grande maioria).

    Sendo uma exposição organizada por aquele movimento cívico, não era de admirar a presença junto da exposição, de alguns comunicados referentes à luta pela defesa daquela linha, quer enquadrando os aspectos mais gerais, quer mesmo incluindo um recente comentário acerca do último acidente aí ocorrido.

    «A Linha do Tua, uma das obras de engenharia ferroviária mais notáveis de Portugal, corre o sério risco de vir a ser submersa e, consequentemente, destruída, com a construção da anunciada barragem de Foz Tua», lê-se num dos comunicados, como introdução. E prossegue este: «Hoje em dia há outras soluções energéticas, muito mais eficazes, que dispensam a construção de barragens e centrais hidroeléctricas (...). É possível encontrar outras soluções (...) mas não há a possibilidade de substituir as consequências negativas da construção da barragem de Foz Tua. Com a construção (...) não só ficará submersa a Linha do Tua – único meio de transporte que as populações locais têm à sua disposição para se deslocarem à capital do concelho – como às Caldas de Carlão, sendo também afectadas as Termas de S. Lourenço, além de vinhas da Região Demarcada do Douro e olivais de grande qualidade. Ou seja, um conjunto de valores patrimoniais que estão parcialmente abrangidos pela classificação daquela região pela UNESCO como Património da Humanidade».

    Foto GEOFF PLUMB
    Foto GEOFF PLUMB
    E o documento, em relação ao qual ninguém pode deixar de reflectir, alarga assim o foco desta intervenção cultural, a partir da fotografia, fazendo-nos por sua vez questionar se, ao enveredar-se por um desenvolvimento económico global e abstracto, e ao revés da potencialização da economia local e dos dinamismos de fixação e contacto que são necessários às populações transmontanas (no caso), não se está, depois de 120 anos de implantação da Linha, a privilegiar uma verdadeira fuga em frente para a barbárie.

    O documento do MCLT sobre os recentes acidentes graves ocorridos na Linha do Tua coloca, e com alguma pertinência, a seguinte questão: «A Linha do Tua registou em 120 anos de exploração um único acidente mortal. Desde que a construção da Barragem do Tua ganhou o apoio da EDP e do Governo somam-se quatro acidentes, lamentando-se a perda de quatro vidas».

    Enfim, não pode daqui naturalmente tirar-se qualquer conclusão de natureza malévola, mas a coincidência não deixa de ser muito perturbadora.

    Mas voltemos à exposição. Não gostamos, francamente, da sua apresentação.

    Foto URSULA ZANGGER
    Foto URSULA ZANGGER
    Deficientemente montada, ora por inépcia ou inexperiência do MCLT ora pelos serviços culturais da Câmara que a acolheram, tinha painéis dispersos e aparentemente inconsequentes, o que se lamenta, quer porque as fotografias, elas mesmas, não o mereciam, quer porque a causa que faz mover o MCLT poderia sair daqui mais bem defendida.

    Há que louvar, contudo – frise-se bem, o acolhimento da Câmara de Valongo à exposição, pois que por muito envergonhado que fosse, fique claro que trouxe uma questão muito actual da política cultural (e não só) para apreciar... e reflectir.

    Por: LC

     

     

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