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Edição de 31-07-2017
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    Arquivo: Edição de 10-07-2008

    SECÇÃO: Especial


    XV FEIRA DO LIVRO DO CONCELHO DE VALONGO

    XV Feira do Livro – um ponto da situação

    Por estes dias, o Parque Urbano de Ermesinde está no centro das atenções. Espectáculos de magia, teatro, dança e concertos para todos os gostos dão vida à XV Feira do Livro de Ermesinde que está a decorrer mesmo ali, no coração da cidade. Já com cinco dias de feira cumpridos, quisemos saber como tem corrido o certame. Estivemos à conversa com os expositores e as opiniões estão divididas.

    Se, por um lado, uns se regozijam com as vendas, não tendo mãos a medir e chegando mesmo a afirmar que, a esta altura, os lucros se situam num patamar idêntico ou até, acima do verificado na feira do ano passado, outros, de braços cruzados e já um pouco desanimados, lamentam a pouca afluência de público e as vendas desastrosas. Dizem, os que se queixam, que a crise é a grande culpada desta situação, outros atribuem responsabilidades ao mau tempo e/ou ao desinteresse que a nossa sociedade sempre manifestou pela leitura. Mas ainda é cedo para fazer qualquer tipo de balanço. A feira ainda agora começou e, até ao dia 13, há ainda muito caminho a percorrer.

    Num ponto os representantes da editoras estão de acordo: o espaço é amplo e bem aproveitado. Ninguém poupa elogios à organização que, segundo afirmam, não mediu esforços para proporcionar um ambiente agradável e convidativo aos visitantes.

    António Rebelo - Lamegarte
    António Rebelo - Lamegarte
    António Rebelo, da Lamegarte está a participar na feira com seis stands e a representar um total de 14 editoras – Livros do Brasil, Piaget, Prefácio, Porto Editora, Roma Editora, Esfera dos Livros, Gradiva, Assírio e Alvim, Impala, Principia, Plátano Ofício do Livro, Sodilivros e Presença. «Tendo em conta a crise que estamos a atravessar, a feira está a correr muito bem, está muito melhor do que a do ano passado!». «Até ao dia de hoje (terça-feira, dia 8), já ultrapassei a facturação da feira do ano anterior, afirma Antóno Rebelo. Na Lamegarte os visitantes não passam só para ver, já sabem o que procuram, e se não há disponível, encomendam. O responsável acrescenta que tem recebido muitas encomendas e que, apesar da enorme procura, tem conseguido satisfazer todos os pedidos. António Rebelo relaciona a elevada procura de livros com o aumento da oferta de publicações. «Este ano tenho o dobro dos stands do ano passado, é normal que venda mais», referiu.

    Já o mesmo não se pode dizer de João Fontes, também com seis stands, mais dois do que o ano passado. Este expositor traça um cenário muito diferente destes primeiros dias de feira. A representar as editoras Cetop, Publicações Europa-América, Livros da Vida e Inquérito, João Fontes elogia, apenas, a organização do evento, com destaque para a animação que tem decorrido paralelamente à feira. Mas não esconde o descontentamento, afirmando que «as pessoas passam e não mostram muito interesse pelos livros». «Noto que este ano passa menos gente, por aqui». «O primeiro dia de feira foi um descalabro, não vendi quase nada», revela desiludido.

    Nem mesmo as visitas das escolas conseguem amenizar a situação. João Fontes queixa--se do distanciamento com que as crianças que por ali passam olham para os livros: «Os garotos que vêm fazer visitas não trazem dinheiro para comprar algo, acho que os professores e auxiliares deviam incentivar a compra de livros, deviam estar preparados para isso», declara.

    Elvira Santos - ArtEscrita
    Elvira Santos - ArtEscrita
    Para Marta Marinho, da Inovação à Leitura, representante de oito editoras – Colares, Campo das Letras, Caminho, Texto Editora, Pergaminho, Edições 70, Arca das Letras e Dom Quixote – a feira está a correr bem. «Tenho vendido bastante, as pessoas vêm ver o que há na feira, querem saber os preços mas também se vêem algum autor que lhes chame a atenção voltam atrás para comprar», refere.

    Da mesma opinião é Luís Teixeira, a representar a Quidnovi, Oqo, Livros Horizonte, Educação Nacional, Âmbar, Relógio d´Água e Medialivros. Chegando mesmo a afirmar que «a feira está melhor do que a do ano passado». Na livraria Index a literatura infantil é a mais requisitada. «Os pais que vêm acompanhados dos filhos compram-lhes sempre algum livro», revela Luís Teixeira.

    Mas as coisas não “correm sobre rodas” para todos os expositores. Amílcar Marques, já participa na feira há quatro anos consecutivos e mostra-se desanimado. «As vendas têm vindo a decrescer de dia para dia». «Há pouco público, talvez por causa do frio que se faz sentir principalmente à noite», refere. O representante do Mercado dos Livros elege o sábado (dia 5) como o melhor dia de vendas mas fica à espera que a situação melhore: «Esperemos que as pessoas ainda venham».

    Uma das novidades da feira é a presença de uma editora com pouco mais de ano – ArtEscrita – que surgiu em Junho do ano passado e, como tal, está a estrear-se na feira. Com 24 títulos publicados a ArtEscrita é um projecto que «aposta nos jovens», quem o diz é Elvira Santos, representante da editora. «Damos muito valor aos jovens, temos autores de 10, 13, 17 anos...». «Se queremos que os jovens sejam o futuro de amanhã temos de lhes dar oportunidades», argumenta. Relativamente à feira, Elvira Santos confidencia o que já seria de esperar: as vendas são muito baixas. «Em Portugal não temos o hábito da leitura, é só imagem, as pessoas vêm ver o que há na feira mas não compram muito», refere Elvira Santos. «Acima de tudo pretendemos dar a conhecer o nosso projecto, que surgiu da partilha do amor pelos livros comum a quatro pessoas, fazemos isto por amor à camisola», revela Elvira Santos, sempre com um sorriso estampado no rosto.

    A avaliar pela maioria dos testemunhos dos expositores tudo aponta para que haja cada vez menos dinheiro para investir em livros nos bolsos dos visitantes da XV Feira do Livro de Ermesinde. No Ateliê das Letras «a procura é sempre pelo mais barato», refere Jorge Pereira, representante de oito editoras – Mundicultura, Sistema Jota, Rota Editoras, Estudo Didáctico, Kalandaka, Convite à Música, Ludomédia e Everest. «A feira tem estado bastante calma, as pessoas não vêm à procura de um livro específico mas optam por ver o que há e os preços que se praticam», declara.

    Amílcar Marques - Mercado dos Livros
    Amílcar Marques - Mercado dos Livros
    Laura Baptista, apesar de não sentir grandes diferenças nas vendas relativamente ao ano passado opta por técnicas de marketing para cativar os visitantes. «Pus uma mesa com livros a um euro, posso perder algum dinheiro mas assim chamo a atenção das pessoas que por aqui passam, e que acabam muitas vezes por comprar outros livros mais caros», revela. A representante da editora Civilização comercializa livros de variados géneros, mas afirma que os mais vendidos são as publicações para crianças. «Os tempos estão difíceis e por isso as pessoas não compram muito livros caros.

    Quem se queixa do mesmo é Ricardo Couto, da Licultura, a representar a Página Editora, Marina, Ocasião, Dinalivro, MTS e FGS. «As pessoas estão só de passagem, mais para ver os espectáculos do que propriamente para comprar.» «Nós temos um cliente muito específico porque só vendemos colecções que normalmente apresentam preços elevados», refere. Este facto agrava ainda mais a situação das vendas uma vez que a maioria das pessoas vai à procura de livros isolados.

    A representar as editoras Bichinho do Conto, Asa, Gailivro e Verbo, Valentim Ribeiro mostra-se optimista relativamente aos actuais hábitos de leitura. «A maior parte dos nossos livros são direccionados para crianças, elas vêm com os pais e já sabem o que querem comprar, já conhecem os autores e isso é bom, porque mostra que os hábitos de leitura estão a mudar». «Mas às vezes os pais fazem contas à vida e decidem que não podem levar um ou outro». Valentim Ribeiro revela que está a vender razoavelmente mas em termos de público podia ser bem melhor.

    A Associação Cultural e Artística Ágorarte, em representação das editoras Afrontamento, Terramar, Chimpanzé, Intelectual, Kapa, Gatafunho, Deriva, Contexto, Associação José Afonso e AMI – marca também presença na feira do livro, não por objectivos comerciais mas para dar a conhecer a associação. Carlos Faria declara que «a feira tem cumprido o seu objectivo» e chama a atenção para a necessidade de cativar as pessoas e acabar com o «prurido pelos livros» que os portugueses possuem. O representante da Ágorarte fez referência a eventos importantes desta feira como sendo o lançamento do livro de Fernando Nobre e de Maria de Lurdes dos Anjos.

    O certame conta com a participação de 79 editoras distribuídas por 46 stands. Se ainda não visitou a XV Edição da Feira do Livro, deste ano, ainda o poderá fazer até ao final do próximo domingo, dia 13. Fica o convite.

    Por: Teresa Afonso

     

     

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