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    Arquivo: Edição de 15-05-2008

    SECÇÃO: Editorial


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    Os jovens e a política

    O Presidente da República, no seu discurso do 25 de Abril, mostrou preocupação com o alheamento dos jovens da política. É realmente um problema importante para reflexão, na verdade penso que, de uma forma geral, se assiste a um discrédito generalizado em relaçào à classe política, diria mais: socialmente nem sempre os jovens que estão integrados nas juventudes partidárias são exemplos credíveis para os outros jovens.

    A intervenção de Cavaco Silva e a sua preocupação, corresponde na minha maneira de ver, a um discurso politicamente correcto, a uma exigência da prática democrática, a um cativar jovens para os diferentes cargos que a democracia exige.

    Na verdade as pessoas que se interessavam pelos problemas políticos nunca foram em grande número, é caso para perguntar: - Onde estava Cavaco Silva no 25 de Abril?

    Não quero dizer com isto que nos devemos alhear desse problema, mas penso que ele vem por acréscimo, é resultado de uma formação global do indivíduo e só assim teremos políticos humanizados, que sejam cultos, que se envolvam nos problemas do dia a dia, que desenvolvam capacidades de liderança, criatividade, inter-ajuda, exigência e rigor, integrados em actividades escolares, de bairro, da terra, em clubes, associações e nunca numa perspectiva carreirista da política, fechada, pessoal, narcisista.

    Li atentamente o resultado do trabalho realizado pela Universidade Católica, bem como as reivindicações dos grupos de jovens recebidos polo Presidente da República, encontrei aí resultados muito curiosos, sobre os quais nos devemos debruçar, preocupações legítimas deste tempo, mas acima de tudo preocupações para ficarmos bem na “fotografia”.

    Não consigo ver a política desintegrada da formação global de cada indivíduo, todos temos de ser políticos, porque todos participamos em actos políticos.

    A carreira política devia estar reservada para os melhores, para os que a ela aderissem com verdadeira paixão, mas levassem com eles as preocupações do mundo e não as suas.

    Mas voltemos ao trabalho realizado por Pedro Magalhães e Jesus Sanz Moral, da UCP, e às suas principais conclusões:

    «Quer de um ponto de vista absoluto quer comparativo, é notória a insatisfação dos portugueses com o funcionamento da democracia, assim como a existência de atitudes favoráveis a reformas profundas ou mesmo radicais na sociedade portuguesa.

    (...)

    Os portugueses evidenciam atitudes de baixo envolvimento com a política.

    (...) Os jovens encontram-se menos expostos à informação política pelos meios de comunicação convencional do que o resto da população.

    (...) Exceptuando o voto, a população portuguesa tende a ser céptica em relação à eficácia da participação política dita “convencional”.

    (...) Do ponto de vista dos comportamentos participativos, os jovens adultos também não se distinguem particularmente do resto da população activa, ao passo que os indivíduos com menos de 18 anos não se distinguem particularmente dos indivíduos com 65 anos ou mais.

    (...) São baixos, do ponto de vista comparativo, os níveis de pertença a associações e de dedicação ao voluntariado em Portugal (com excepção da participação em associações de cariz religioso).

    (...) Os portugueses são claramente favoráveis a medidas que aumentem a presença de mulheres na vida política, criem novos mecanismos de participação, personalizem o sistema eleitoral e introduzam mecanismos de democracia directa ou semidirecta.

    (...) O posicionamento dos jovens tende a estar mais à direita do que a generalidade da população, mas aquilo que mais claramente os distingue é o facto de percepcionarem menor utilidade das categorias de “esquerda” e de “direita” na compreensão da vida política. Este maior “desalinhamento” ideológico também se reflecte num desalinhamento partidário.

    Esta é, de uma forma muito linear e sucinta, o panorama encontrado neste trabalho e sobre o qual vale a pena reflectir e actuar. Especialmente a classe política, deve analisar o porquê deste desencanto.

    Por: Fernanda Lage

     

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