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Edição de 30-04-2022
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    Arquivo: Edição de 30-01-2008

    SECÇÃO: Editorial


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    No Entrudo come-se tudo…

    Já cheira a Carnaval e com ele os chamados “manjares do Entrudo”.

    O Entrudo é celebrado no nosso país com comida farta e melhorada.

    Na nossa região usa-se a orelheira, no cozido ou com feijão branco.

    Mas também é tempo de matança – com sua licença – do porco.

    Do dito bicho tudo se aproveita: o sangue, o focinho, o rabo, o pé, as unhas e até as tripas.

    Dos bons cozidos e dos velhos sarrabulhos, fazem ainda parte os enchidos: chouriço, chouriças de sangue e de carne, morcelas, farinheiros, presunto e outras carnes.

    Os enchidos e os presuntos estiveram ao fumo na cozinha, a alma da casa, onde se realizam todas as tarefas domésticas, desde a matança das galinhas, os fritos e os assados das velhas das sardinhas, do bacalhau, é onde se faz o pão, se aquece a água, se guarda a lavagem para os porcos, se lavam os pés à noite, as mãos antes das refeições, se reza nas noites de Inverno…

    Na região da Guarda come-se o bucho recheado, que em Rio de Onor se chama “butiêlo”, bucho de porco recheado de ossos de porco com carne, “custiêlo”, espinhaço e “couratcha” (couro da barriga, adubado com vinho, água e sal e curado no fumeiro).

    Ainda em Rio de Onor, para além do «butêlu» também se come galo com arroz. Por sinal também é costume jogar ao tiro ao galo nestas ocasiões.

    Como doce usam-se em muitas vezes filhoses, cujas composições são diferentes de região para região.

    De qualquer forma são sempre refeições fartas e gordas que, no sul do País e nas casas fidalgas, eram acompanhadas de grande variedade de doces, na sua maioria conventuais.

    É evidente que depois desta fartura só um jejum muito apertado nos poderá salvar…

    E nesse aspecto temos a ASAE que nos protege, moderna, actuante, que não nos vai deixar comer orelheira que não tenha sido desinfectada. Acredito que irão vasculhar orelha por orelha, bem como verificar se as cotonetes usadas por – com sua licença o porco – eram de marca de confiança sanitária…

    Quanto ao sarrabulho, impossível! Estamos em pleno século XXI, quem suporta a barbaridade que é a matança do animal e os alguidares de barro e as panelas de ferro e a lareira acesa, e a poluição sonora e ambiental de toda aquela azáfama à volta – com sua licença –, do porco? Não, não pode ser, Portugal está à frente, mesmo muito à frente da Europa, nestas questões de higiene e bem-estar das populações!...

    Neste Carnaval ninguém pense em ficar doente, em comer de mais, temos que mostrar que estamos à altura do momento altamente pedagógico que vivemos. Vamos colaborar, não encham as urgências, não obriguem os desgraçados dos bombeiros a palmilharem quilómetros para nada quando lhes parecer que alguém está muito mal, por favor deixem-no morrer. Assim como assim, ele morria de qualquer forma!…

    Agora com a matança dos porcos e dos galos, cuidado!, eles têm de ter uma morte condigna…

    Por: Fernanda Lage

     

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