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    Arquivo: Edição de 30-12-2007

    SECÇÃO: Crónicas


    Será sempre difícil andar para diante

    Gravura MEDIEVAL/COLECÇÃO BONNART
    Gravura MEDIEVAL/COLECÇÃO BONNART
    De há muito me dei conta de que será sempre difícil que Portugal ande para diante. E a razão é esta: somos como somos, moldados pela força de uma cultura alicerçada na localização geográfica, e temos uma natural dificuldade em aceitar que os melhores possam assumir os lugares que merecem.

    Em contraponto a uma tal realidade cultural e social estão certas entidades estrangeiras, dedicadas ao financiamento da ciência, mormente da Matemática e da Física, que só concedem bolsas verdadeiramente chorudas a personalidades com grande potencial comprovado, mas ainda abaixo de certa idade. Em todo o caso uma idade muito longe do que é usual designar de velhote.

    Vem tudo isto a propósito da recente vitória do causídico António Marinho Pinto na corrida de que participou para o cargo de Bastonário da Ordem dos Advogados. Embora sem grande admiração, lá me foi possível ouvir de Marinho Pinto o tal alegado excesso de advogados na nossa vida social, bem como o de Faculdades de Direito!!

    Não pode contestar-se a naturalidade de quem quer que seja defender os seus interesses legitimamente instalados, sendo compreensível que se procure, em mui boa medida, evitar estabelecer competição com gente mais jovem e mais aguerrida, ainda sem o peso das responsabilidades que acompanham, em geral, o avanço da idade. É natural que as coisas assim aconteçam.

    Mas o que não é natural é que a defesa desses interesses legítimos passe pela proibição do exercício de uma profissão para que se obteve, entretanto, a essencial capacidade. E não se venha com miudezas malandrecas, porque só no terreno é que se pode ver quem joga bem e quem joga melhor. Se o Senhor José Águas mantivesse o direito histórico de operar, em nome do Benfica, os livres da marca de grande penalidade, talvez o tal miúdo Eusébio não tivesse levado o Benfica à vitória na sua segunda final europeia.

    Esta tomada de posição de António Marinho Pinto sobre o suposto excesso de advogados é a melhor estimativa para se poder pensar que o seu consulado virá a estar longe do que se tem de esperar de uma entidade como a Ordem dos Advogados. Um facto que terá de adicionar-se à injusta e permanente tomada de posição contra os magistrados, sobretudo, os juízes. À partida, com o historial que temos das intervenções públicas de António Marinho Pinto, o futuro não parece ser muito promissor. Sobretudo, para os jovens licenciados, ou mestres, ou mesmo doutores, que queiram trabalhar livremente como advogados e escrutinados pelas naturais regras da concorrência. Vamos esperar um pouquinho, esperando, entretanto, que o bom senso prevaleça.

    Por: Hélio Bernardo Lopes

     

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