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Edição de 30-04-2022
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    Arquivo: Edição de 30-10-2007

    SECÇÃO: Editorial


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    Outono inseguro, Inverno incerto...

    Durante todo o século XX o Homem lutou por um estado social, por reformas condignas, por estabilidade nos empregos, pelo direito ao trabalho, à educação, à saúde.

    Entramos no séc. XXI e tentam convencer-nos que tudo foi em vão, o emprego é precário porque só desta forma se seleccionam os “melhores”, a sociedade do futuro só empregará pessoas excelentes, prontas para tudo.

    A mobilidade é a palavra de ordem, as famílias encontram-se de vez em quando, os filhos não lhes reconhecem autoridade, a educação passa a ser da responsabilidade das instituições, creches, escolas e colégios, e aos professores tudo lhes é exigido – na aula na escola e até em casa.

    Os jovens imitam os adultos, vivem o dia a dia não importa à custa de quem, nada de compromissos, vai-se adiando, adiando, como se fosse possível adiar a vida…

    Os que entram agora no “Outono” e que tiveram um passado de luta no dia a dia, convencidos que lutavam por um mundo melhor, solidário, que acreditaram que era possível chegar ao Outono e confiar num Inverno confortável e seguro, hoje interrogam-se, quem falhou?

    Há dias uma minha tia dizia-me:

    - Não estou preparada para esta situação de isolamento, de egoísmo, quem falhou, fui eu que não soube educar ou não fui educada para isto?

    Vivemos num mundo descartável, descartam-se os filhos, descartam-se os idosos, descartam-se os doentes, descartam-se os trabalhadores e vai-se à procura de outros mundos que nos dêem uma solução à medida.

    Fecham-se as fábricas, despedem--se os operários e vai-se abrir em outro país onde há mão-de-obra barata (ainda que desqualificada).

    Continua a acreditar-se demasiado na tecnologia, pensa-se que tudo se resolve, adia-se…

    Se uma empresa é altamente poluente, muda-se de país, para bem longe, desde que vá poluir os outros, tudo bem!...

    Algumas empresas, as chamadas multinacionais, cresceram tanto que passaram a considerar o Globo como seu espaço geográfico, procurando tirar partido das diferentes ofertas de oportunidade que os diferentes países oferecem, especialmente os mais pobres.

    Dentro desta lógica tudo é efémero e a minha geração não está preparada para esta forma de viver.

    Nunca pensamos chegar ao Outono sem certezas, sem calma e paz para encarar o rigor do Inverno…

    Por: Fernanda Lage

     

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