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    Arquivo: Edição de 15-07-2006

    SECÇÃO: Editorial


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    «O mundo não é humano só por ser feito por seres humanos...»

    Ao reler, por mero acaso, uma revista que abordava questões relacionadas com a “ Ética na Contemporaneidade”, encontrei a seguinte citação: «É importante não olhar para o Islão de forma ideológica. Toda a gente tem que pensar sobre o seu próprio percurso de vida e liberdade, sem receio e vivê-lo de uma forma independente (…). Se os intelectuais do ocidente e certamente os governos aceitarem o diálogo connosco, numa perspectiva crítica, então ele fará todo o sentido. É importante que o ocidente pense seriamente sobre os direitos humanos e não o faça só quando lhe dá jeito». Faradsch Sarkuhi

    Embora pareça repetitiva, nunca é demais, num jornal com as características de “A Voz de Ermesinde”, reforçar e convidar os seus leitores a reflectir no mundo que habitamos, na hipocrisia que nos cerca, na falta de ética com que se resolvem os problemas, normalmente encapotados com aparentes justificações que nos tentam convencer que são justas e verdadeiras.

    «(…) O mundo não é humano só por ser feito por seres humanos, e não se torna humano só por nele se fazer ouvir a voz humana, mas sim, e só, quando se torna objecto de diálogo. Por muito que as coisas do mundo nos afectem, por muito profundamente que nos abalem, só se tornam humanas para nós quando podemos discuti-las com os nossos semelhantes». Hannah Arendt.

    Articular o conceito de Humanidade com os Direitos do Homem e com o Desenvolvimento Sustentável é prioritário na formação dos nossos jovens. E especialmente para quem se dedica profissionalmente, ou numa actividade de voluntariado, ao Serviço Social.

    Hoje vivemos numa sociedade complexa, a globalização trouxe consigo um mundo mais abrangente, um mundo cada vez mais multicultural.

    A cultura ocidental tem tido dificuldade em gerir os problemas das outras culturas. É difícil despir-nos de todas as influências culturais ocidentais.

    Imagens de guerra e de sofrimento voltaram a invadir as nossas casas e os nossos jornais.

    Hoje o Líbano faz parte dos quinze países que ocupam a região considerada Berço da Humanidade – a Pátria dos Fenícios, que criaram o primeiro alfabeto, desenvolveram a navegação comercial, fundaram Cartago. A sua cultura foi praticamente varrida por Alexandre o Grande.

    Mais tarde assumiu a sua liberdade, no fim da 2ª Grande Guerra.

    Suíça do Oriente como era conhecida, com grande desenvolvimento turístico, com casinos e hotéis de luxo, era por vezes comparada com o Mónaco.

    Dominada pelos Sírios a pretexto da defesa do país, só em 2004, com a resolução 1559 da ONU, foi ordenado ao Governo libanês que assumisse o controlo total do seu território.

    Apesar disso, nunca foi muito clara a situação do controlo da fronteira com Israel. Foi a partir desta fronteira que se iniciou este último conflito israelo-libanês, que se tem vindo agora a agudizar.

    Foi a coincidência da minha leitura com os últimos acontecimentos no Líbano que me fez reflectir um pouco nesta dicotomia – a cultura ocidental e as outras –, por vezes esquecidas ou colonizadas, que voltei aos direitos da Humanidade, às questões da multiculturalidade, às questões do desenvolvimento sustentável, ao direito à liberdade…

    Um velho ditado diz: «A palavra é de prata e o silêncio é de ouro», o que Saramago questiona dizendo: «A palavra é de ouro e o silêncio é de prata, porque sem diálogo não há liberdade».

    Eu diria: Sem diálogo não há liberdade, mas para haver diálogo é preciso ouvir o outro, respeitá-lo, entendê-lo, e para isso, às vezes, precisamos do silêncio….

    Por: Fernanda Lage

     

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