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Edição de 31-03-2021
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    Arquivo: Edição de 30-03-2006

    SECÇÃO: Editorial


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    Em torno da Educação

    Muito se tem falado nos últimos tempos de educação e do ensino, sempre que há uma reforma, sempre que muda um ministro, sempre que acontecem desgraças, sempre que se compara o nosso país com outros países, sempre que se fala em economia, em emprego e desemprego, lá vamos cair nas questões de formação, nos sistemas de ensino, na educação do nosso povo.

    Mas nunca como hoje se responsabiliza de uma forma tão extensiva a escola, o ensino, os professores.

    Fernando Iharco, aqui há uns anos, num artigo que escreveu sobre o Objectivo da Educação lembrava Dostoievsky: «… Ouvimos muita coisa sobre educação, mas a recordação de algo de belo e querido, que tenhamos sabido preservar desde a nossa infância, é a melhor de todas as educações. Se um homem levar consigo pela vida fora lembranças suficientes desses momentos, ele estará salvo para o resto dos seus dias…».

    Muitas vezes me interrogo sobre quem sou, o que foi decisivo na minha formação, e encontro sempre como fundamentais pequenas coisas, pessoas e objectos, textos e pequenos gestos, uma palavra que jamais se esquece, uma ajuda em determinado momento. Tantas coisas, aparentemente insignificantes, podem mudar uma vida. Um professor, uma música, um teatro, um filme. Quantos gestos efémeros que são apanhados por uns e não disseram nada a outros.

    Isto levanta uma outra questão que tem a ver com cada um de nós. Com os meus interesses, com a minha sensibilidade, com o que eu já aprendi anteriormente.

    Ensinar no sentido de educar desde os primeiros dias até aos últimos, é deixar os outros serem humanos. Heidegger dizia que ensinar no sentido de educar, é muito mais difícil, e acrescentava: «Quem ensina tem que dominar uma maior massa de informação, tê-la sempre pronta a ser utilizada, mas ensinar requer algo de muito mais difícil, complexo e poderoso: deixar aprender».

    “Viver é aprender”. Todos os dias aprendemos novas coisas, todos os dias a vida nos ensina a escolher caminhos, a esquecer o que não vale a pena guardar, a reformular a nossa conduta, e a lembrar o que de mais forte ficou, como o azeite que se agarra à garrafa, esses saberes que fazem parte integrante da nossa educação, do nosso ser. Isso ninguém nos tira, é só nosso e de cada um de nós.

    Penso, sinceramente, que como educadores a grande mensagem que temos de fazer passar a quem nos rodeia é mostrar o que aprendemos quando aprendemos a aprender.

    Esta atitude de vida implica uma grande humildade, uma grande atenção e uma vontade de crescer numa atitude de educar e educarmo-nos.

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    Por: Fernanda Lage

     

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