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Edição de 30-09-2020
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    Arquivo: Edição de 30-10-2005

    SECÇÃO: Editorial


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    Em véspera de Finados

    Todos os anos os nossos cemitérios se enchem de gente que visita os seus familiares e amigos que já partiram no dia dos “Fieis Defuntos”. Trata-se de um ritual pelo qual tenho o maior dos respeitos. No entanto reconheço, como em muitas outras coisas, que também aqui a sociedade de consumo fez das suas!... E neste caso não se trata somente do aspecto económico, mas acima de tudo da atitude, da subversão dos valores, da facilidade com que limpamos a nossa consciência comprando uma velinha ou um raminho de flores.

    Acredito na eternidade dos homens bons, dos que nos deixaram ensinamentos, dos mais humildes aos homens das ciências, das artes, aos pensadores, aos que dedicaram a sua vida à luta pela liberdade, pela igualdade de direitos, pela melhoria da vida colectiva, que nos marcaram pelo seu exemplo, pelo seu saber, pela felicidade que nos deram, pelo prazer da sua escrita, pelas maravilhas que criaram, pela sua conduta e honestidade, e que nos ajudaram a crescer.

    Em todos nós ficaram marcas de homens e mulheres que a todo o momento lembramos e que foram fundamentais para a nossa formação. Esses serão sempre eternos, continuam presentes nas nossas vidas.

    E porque partiu ainda há pouco tempo, faz todo o sentido homenagear Rosa Parks, essa mulher que recusou ceder o seu lugar num autocarro a um passageiro branco. O seu exemplo provocou na América uma revolta popular sem precedentes. Era uma mulher simples, mas a sua atitude despoletou na população negra uma luta que culminou com a declaração da inconstitucionalidade da lei que decretava a separação das raças nos transportes. Independentemente de ter sido um acto politicamente pesado ou não, o que é certo é que a sua atitude precipitou o protesto dos negros contra uma tradição injusta e humilhante.

    Hoje em dia parece-nos uma história muito distante, mas nunca é demais lembrar que continua a haver racismo, que há povos espezinhados e maltratados, que todos os dias morrem pessoas à fome, que os direitos dos homens continuam a não ser respeitados. Em vésperas de Finados faz todo o sentido lembrar também todos os que morrem injustiçados.

    Relembro ainda as pessoas com quem privei nesta terra e que me marcaram, algumas bem simples, mas cuja amizade, ternura, honestidade, fazia delas pessoas encantadoras.

    Revejo amiúde os familiares e amigos com que privei e que continuam presentes no meu quotidiano, gosto de os rever, de os citar, de os dar a conhecer.

    São essas histórias, são esses valores, são essas raízes que nos prendem à terra onde nascemos.

    Por: Fernanda Lage

     

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