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Edição de 31-03-2021
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    Arquivo: Edição de 30-06-2005

    SECÇÃO: Tecnologias


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    Software livre nas escolas

    A necessidade de aprender informática

    Na sociedade contemporânea a informática assume particular relevo como disciplina omnipresente em quase todos os sectores de actividade. É difícil encontrar exemplos de categorias profissionais que não possam tirar partido de ferramentas informáticas para melhorar a sua produtividade e a sua eficiência. E não são só os computadores pessoais que diariamente encontramos em qualquer loja ou escritório - são os telemóveis que todos usamos, que actualmente são dispositivos complexos que servem não apenas para a comunicação em tempo real à distância, mas também como ferramenta lúdica, já que possuem câmara fotográfica, hipótese de aceder a serviços via Internet, jogos Java, etc.; são os automóveis, que cada vez mais são compostos por sistemas electrónicos geridos por um computador central (como o GPS); são as consolas de jogos que fazem as delícias dos miúdos; são os electrodomésticos em casa (o micro-ondas, a máquina de lavar, a televisão e o leitor de DVD, por exemplo, são normalmente controlados por um microprocessador); são inúmeros dispositivos que nos rodeiam no dia-a-dia, alguns dos quais por vezes sem que nos demos conta, mas que são efectivamente dispositivos electrónicos que executam um determinado software (um programa de computador). É, portanto, fundamental aprender minimamente a lidar com estes dispositivos.

    A “revolução informática” é coisa recente – o computador pessoal (PC), por exemplo, tem pouco mais de vinte anos de idade, mas nessas duas décadas mudou radicalmente os nossos hábitos – quem imaginava há vinte anos atrás ter correio electrónico e acesso à Internet em casa? A informática tem modificado profundamente muitos aspectos do nosso dia-a-dia, tanto na vida doméstica como profissional. O acesso à Internet, a facilidade de comunicar e aceder a informação útil do outro lado do mundo em segundos, abre possibilidades fabulosas para os nossos profissionais, para as nossas empresas. Saberemos aproveitá-las? A revolução informática tem acontecido a um ritmo tal, em tão curto espaço de tempo, que muitos de nós revelam muita dificuldade em acompanhá-la, em adaptar-se à mudança. Sermos capazes de nos adaptarmos aos novos tempos e tirar partido das novas oportunidades que a revolução informática coloca ao nosso dispor depende única e exclusivamente de nós, da nossa capacidade de adquirirmos novos conhecimentos, de estarmos atentos e abertos à mudança e apreendermos o que é novo – por outras palavras, de nos educarmos!

    A frustração de ter acesso a computadores, impressoras, telemóveis sofisticados, Internet, etc., e não ser capaz de tirar partido destes recursos, é muito grande. O acesso a estes meios não é complicado, pois eles estão um pouco por toda a parte – em nossa casa, nas escolas, nas empresas. O problema está em saber tirar partido deles, na educação para a boa utilização destes recursos. A revolução informática veio dar origem a duas novas classes sociais: os “info-ricos” e os “info-pobres”. A capacidade de lidar com computadores é hoje motivo de distinção social – por exemplo, na procura de emprego. Para evitar esta clivagem, para combater a infoexclusão e procurar que todos possam tirar partido dos recursos informáticos que nos rodeiam, há que educar nesse sentido, sobretudo os jovens. Daqui que a presença dos meios informáticos nas escolas e a leccionação de disciplinas como a de Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) seja fundamental.

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    O COMPUTADOR E OS PROGRAMAS

    Software é qualquer programa de computador, qualquer conjunto de instruções que o computador segue para realizar uma tarefa. Quem usa frequentemente computadores está decerto habituado a usar programas de processamento de texto, folha de cálculo, de correio electrónico, eventualmente de tratamento de imagem, bases de dados, etc.. Sem o software, o computador de nada serve. E está também habituado, pelo menos no mundo da informática “doméstica”, a que esses programas têm um preço. E a que a cópia desses programas é ilegal, isto é, para cada computador é necessário uma licença de utilização. Ao adquirir um programa numa loja, o utilizador não compra o “programa” propriamente dito (o conjunto de instruções que o compõem), mas sim apenas uma licença de utilização duma forma binária desse programa num único computador (ou em vários, consoante a licença). A “forma binária” é um exemplar do programa pronto a ser executado numa determinada plataforma informática (por exemplo, em computadores equipados com microprocessador compatível com o Intel 386).

    Cada programa de computador é escrito numa linguagem matemática que faz sentido para nós, humanos (desde que conheçamos a linguagem, claro). Mas para que o computador entenda o programa, é necessário transformar essa linguagem para um conjunto de códigos numéricos, que correspondem a instruções que o computador entende (uma “linguagem-máquina”). A esta transformação chama-se compilação do programa. O resultado é uma sequência de números, que correspondem a instruções que uma determinada família de processadores “entende”, mas cuja leitura, para nós humanos, é extremamente penosa. Ao adquirir um programa numa loja, aquilo que o utilizador normalmente recebe é uma versão compilada (dita “binária”) do programa, e não o código original (código-fonte) em formato por ele legível, e a tal licença para utilizar essa versão num único computador, desde que cumpra regras como comprometer-se a não fazer cópias dessa versão binária (excepto eventualmente uma cópia de segurança), e a não a usar em simultâneo em mais do que um computador. Se o utilizador possuir, por exemplo, dois computadores, e desejar executar o programa em simultâneo em ambos, deve comprar dois exemplares do programa (mais precisamente, duas licenças).

    O SOFTWARE LIVRE

    Esta situação é especialmente penosa para as empresas, que possuem muitas vezes dezenas ou centenas de computadores. Basta multiplicar o preço de um exemplar de um programa pelo número de postos de trabalhos que o usam para verificar que o custo é normalmente muito elevado. E isto verifica-se para cada um dos programas que a empresa possa usar, inclusivamente para o sistema operativo (um por computador). O efeito é agravado se considerarmos que sensivelmente de dois em dois anos, são lançadas no mercado novas versões dos mesmos programas, que há que voltar a comprar. Este é, em termos simples, o modelo de comercialização do software dito “proprietário”, que pertence sempre a quem o produz, e que comercializa licenças de utilização do dito cujo.

    Por oposição a este modelo, está a ganhar popularidade um pouco por todo o mundo o software livre. De acordo com Richard Stallman, criador da Fundação para o Software Livre (Free Software Foundation, EUA, http://www.fsf.org), para que um programa seja livre é necessário:

    «1. Que possa ser usado sem restrições para qualquer propósito;

    2. Que possa ser estudado e adaptado às necessidades do utilizador (acesso ao código fonte é requerido);

    3. Que possa ser distribuído e copiado livremente;

    4. Que possa ser melhorado, e esses melhoramentos possam ser lançados para o público, por forma a que todos beneficiem (acesso ao código-fonte é requerido)».

    Por oposição ao software proprietário, o software livre disponibiliza para o utilizador o código fonte (o código original em linguagem matemática), e não apenas a versão binária. Isto significa que qualquer pessoa interessada pode estudar o programa, verificar como funciona, aprender com ele, e eventualmente alterá-lo consoante as suas necessidades. Esta é a base de funcionamento de um modelo cooperativo de desenvolvimento há muito usado sobretudo em universidades, e que em meados da década de 90 deu origem ao fenómeno conhecido por open source (software de código aberto, disponível). Muitas empresas comerciais aperceberam-se de que podiam desenvolver software livre de acordo com este modelo, beneficiando da experiência e do know-how de toda uma comunidade não relacionada com a empresa, e propor aos seus clientes soluções a custo zero de aquisição, lucrando (a 100%) com os serviços prestados a esses clientes, e não apenas com uma baixa percentagem na venda de licenças, que muitas vezes constituem um custo de aquisição de tal forma incomportável para o cliente que inviabiliza a aquisição da solução. Para os clientes, a opção pelo software livre é extremamente económica em relação à versão proprietária, sendo que o capital economizado (ou parte dele) pode ser depois investido em serviços de optimização das soluções informáticas à medida da empresa, normalmente com elevado ganho para a organização.

    Por: FERNANDO LEAL

     

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