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Edição de 31-05-2024
Jornal Online

SECÇÃO: Ciência


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Cuco, uma ave como nenhuma outra

O cuco, pertencente à família Cuculidae, é uma ave dentro de um grupo fascinante e distinto no reino animal. Com cerca de 140 espécies distribuídas globalmente, os cucos são conhecidos pelas suas características únicas e comportamentos intrigantes. Uma das características mais notáveis destas aves passa pelo seu comportamento de parasitismo de ninho. Ao contrário da maioria das aves que constroem ninhos e cuidam de seus filhotes, muitos cucos depositam os seus ovos nos ninhos de outras aves. Este comportamento, conhecido como parasitismo de ninho, tem evoluído de uma forma surpreendente. As fêmeas de algumas espécies de cucos têm a capacidade de imitar a coloração dos ovos das aves hospedeiras, aumentando as hipóteses de que os seus ovos sejam aceites e incubados pelas outras aves.

Além do parasitismo, os cucos possuem um canto característico, muitas vezes associado à chegada da primavera em várias culturas. O canto do cuco-comum (Cuculus canorus) é especialmente famoso e é frequentemente celebrado em lendas e tradições populares.

Uma das funções ecológicas mais importantes dos cucos é o controlo de populações de insetos. A alimentação destas aves contempla uma grande quantidade e variedade de insetos, lagartas e outros artrópodes que podem ser prejudiciais a plantas cultivadas e a várias espécies florestais. Ao controlar estas populações de pragas, os cucos ajudam a manter o equilíbrio ecológico e a saúde dos ecossistemas.

O artigo que trazemos este mês explora a diversidade nos cucos, que muitas vezes são vistos como os “maus da fita”. Na realidade, o comportamento de parasitismo dos cucos pode parecer prejudicial às aves hospedeiras, mas também pode ter efeitos positivos na diversidade genética das populações de aves. As aves hospedeiras desenvolvem estratégias e comportamentos para reconhecer e rejeitar ovos de cucos, o que promove uma seleção natural contínua. Esta “corrida armamentista” evolutiva entre cucos e suas aves hospedeiras pode levar a uma maior variabilidade genética e ao fortalecimento das populações de aves hospedeiras.

Os cucos, com seus comportamentos únicos e papel ecológico vital, são mais do que apenas um símbolo de primavera. São guardiões da diversidade ecológica e desempenham funções cruciais nos ecossistemas, pelo que o seu estudo e conservação são essenciais.

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“DESVENDADO MISTÉRIO SECULAR SOBRE A COR DOS CUCOS

A variação natural característica das espécies encontra-se, por vezes, restrita a um só sexo, criando um enigma ao qual os cientistas há muito procuram resposta. Num novo estudo publicado na revista científica Science Advances, um consórcio internacional co-liderado pela estudante de doutoramento em Biodiversidade, Genética e Evolução da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, Cristiana Marques, também investigadora no BIOPOLIS-CIBIO, aplicou ferramentas de genómica de nova geração para estudar um mistério natural com mais de 200 anos – a fêmea de cuco “hepática”. O estudo revela a razão genética que explica o facto de fêmeas de diferentes espécies de cucos possuírem cores muito distintas.

Em 1788, o naturalista sueco Anders Sparrman, um discípulo do famoso Lineu, descreveu uma variedade de cucos arruivados à qual chamou “cuco hepático”, e que considerou tão distinta dos habituais cucos cinzentos que a catalogou como uma nova espécie de ave. Ao longo dos séculos seguintes, tornou-se claro para os naturalistas que os cucos hepáticos eram apenas uma variedade colorida do cuco-canoro europeu mais comum (Cuculus canorus), mas com uma particularidade: enquanto os machos de cuco são sempre cinzentos, as fêmeas podem ser ou cinzentas (semelhantes aos machos), ou ser da variante arruivada, apelidada “hepática”.

Esta descoberta tornou-se mais intrigante quando se descobriu que outras espécies de cuco, para além do mais famoso cuco-canoro europeu, também tinham a mesma variação cinzenta-ou-hepática restrita às fêmeas.

A cor é essencial para o estilo de vida parasítico dos cucos: a fêmea dispõe apenas de segundos para pôr os seus ovos nos ninhos de outras aves; para o fazer, o seu dorso cinzento e o peito barrado mimetizam a cor de aves de rapina como o gavião, afugentando temporariamente o hospedeiro. Os cientistas têm-se por isso debatido com várias questões: qual é a razão para esta cor alternativa, porque é que apenas as fêmeas são variáveis, e porque é que tantas espécies de cucos mostram esta variação?

“As diferenças de aspeto entre indivíduos de sexos diferentes são comuns em animais, mas variação que é restrita a um sexo é muito menos comum” explica Miguel Carneiro, investigador principal no BIOPOLIS-CIBIO, orientador de Cristiana Marques e um dos autores do estudo. “Um exemplo é a perda de cabelo com a idade, que afeta alguns homens e outros não, mas que não afeta as mulheres. Exemplos como este não são habituais, em particular em espécies selvagens, por isso esta oportunidade de estudar a variante hepática do cuco foi muito aliciante”, acrescenta o investigador.

A chave está numa mutação com cerca de 1 milhão de anos

“Nós começámos por estudar uma população de cucos da Hungria na qual as fêmeas hepáticas coexistem com fêmeas cinzentas,” descreve a estudante da FCUP, Cristiana Marques, uma das autoras principais deste trabalho. Depois de os cientistas descodificarem os genomas dos cucos, encontraram algo estranho: “as fêmeas cinzentas e hepáticas têm um perfil genético comum, tão semelhantes como qualquer vizinho. No entanto, quando olhamos para os cromossomas sexuais, vimos que, no cromossoma W, que é um cromossoma específico das fêmeas de aves, eram tão diferentes que parecia que estávamos a olhar para duas espécies distintas”, explica Marques.

Será que as outras espécies de cuco poderiam ajudar a resolver esta questão? Os investigadores focaram-se, de seguida, no cuco-oriental, uma espécie asiática na qual as fêmeas também por vezes são da variante hepática. Quando consideraram a informação genética das duas espécies, a história das fêmeas hepáticas tornou-se mais clara: “Reconstruímos a árvore evolutiva destes cucos e descobrimos que, ao contrário do resto do genoma, no cromossoma W o parentesco é maior consoante a cor da fêmea. Ou seja, uma fêmea de cuco-canoro hepática tem um

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Por: Luís Dias

 

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