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Edição de 31-05-2024
Jornal Online

SECÇÃO: Editorial


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Maio, mês de multidões

O primeiro 1.º de Maio, após o triunfo da Revolução do 25 de Abril de 1974, há 50 anos, revelou-se o dia em que os portugueses – já sem o medo que ainda retraía muitos no dia dos acontecimentos revolucionários, pelo tabu político de tantos anos, pelas dúvidas que inquietavam os mais temerosos, pela ansiedade quanto ao desfecho do Movimento das Forças Armadas – saíram à rua, em grande número. Multidões encheram as avenidas e praças das grandes e pequenas cidades e até de muitas vilas, de norte a sul de Portugal. Finalmente, os portugueses puderam comemorar livremente o Dia do Trabalhador. Aconteceu até, que, em Coimbra, nesse dia, foi “eleita” no Estádio da Cidade, pelo enorme número de manifestantes presentes – numa espécie de “democracia direta” – a primeira Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Coimbra sob proposta do executivo distrital do Movimento Democrático de Coimbra e com o apoio do Movimento Intersindical. Faziam parte dessa Comissão, segundo o “Diário de Lisboa” de 2-5-1974, p. 13) os seguintes democratas: Adriano Garcia (técnico dos Serviços Municipalizados), Amílcar Carvalho (delegado de propaganda médica), António Pereira Júnior (empregado forense), António Portugal (profissional de seguros), Aurélio Augusto dos Santos (comerciante), Ivo Cortesão (professor liceal), Licínio Alves da Costa (delegado de propaganda médica), Manuela Leandro (advogada), Octávio Lopes (engenheiro eletrotécnico), Pedro Mendes de Abreu (gerente comercial), Rodrigo dos Santos Ventosa (comerciante) e Rui Carrington da Costa (médico). Este último foi o presidente. Aprovada por aclamação a referida proposta, dirigiram-se para a Praça 8 de Maio, onde o anterior presidente, engenheiro Angusto Araújo Vieira, lhes deu as chaves do Município. A referida Comissão, que integrava uma mulher (aliás, em Coimbra, o 1.º ato eleitoral para as autárquicas, após o 25 de Abril, elegeu para presidente da Câmara, uma mulher, Judite Mendes Abreu, formada em Letras e em Direito, que logo após o 25 de Abril havia sido presidente da Comissão Administrativa da Figueira da Foz), tomou posse, num 2.º momento, no dia 4 de maio, no Governo Civil, em cumprimento das instruções emanadas do Ministério do Interior quanto à constituição das Comissões Administrativas das Câmaras Municipais.

Outros “Maios” com grandes multidões na rua foram, por exemplo, o 8 e 9 de maio de 1945, quando em Portugal se celebrou a vitória dos Aliados na 2.ª Guerra Mundial. A imprensa portuguesa deu conta das festas populares que ocorreram de forma espontânea nas grandes cidades de Lisboa e Porto, mas também um pouco por todo o país. A derrota dos regimes ditatoriais europeus, sobretudo do fascismo italiano e do nazismo alemão, deu algumas esperanças de mudanças políticas em Portugal, que não passaram de efémeras expectativas em torno da fundação do MUD (Movimento de Unidade Democrática), que pouco tempo depois seria extinto. Mesmo assim, a paz e o almejado fim do racionamento, que tanta fome trouxe aos portugueses durante a Guerra, já eram grandes motivos de festa.

Outro “Maio” de grandes expectativas, e com grandes multidões nas ruas, foi o de 1958, quando o general Humberto Delgado foi candidato da “oposição democrática” às eleições Presidenciais, que a estrutura do regime português se encarregou de anular nas suas consequências imediatas, dado que, apesar dos banhos de multidão nos seus comícios (como aconteceu no Porto, no dia 15 de maio de 1958), os resultados oficiais lhe deram apenas 23,5% dos votos, sendo os restantes para o candidato do regime, o almirante Américo Tomás.

Finalmente outro “Maio” que concentra centenas de milhares de pessoas é o 13 de maio, em Fátima. A primeira aparição mariana aos pastorinhos na Cova da Iria (Fátima – Vila Nova de Ourém) aconteceu no dia 13 de maio de 1917, em plena I República. Sucederam-se outras aparições até 13 de outubro, esta testemunhada por milhares de pessoas, jornalistas incluídos. O regime tentou “apagar” estes acontecimentos sobrenaturais, mas não conseguiu. A partir de 13 de maio de 1923 (ainda durante a I República) multidões de peregrinos rumaram regularmente a Fátima nesse dia, de cada ano. E o movimento de peregrinos nacionais e estrangeiros, alimentado pela fé, tem crescido até aos nossos dias, como se viu no último 13 de maio.

Por: Manuel Augusto Dias

 

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