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Edição de 25-06-2024
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    Arquivo: Edição de 31-01-2023

    SECÇÃO: História


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    FACTOS DA NOSSA HISTÓRIA

    O 31 de Janeiro de 1891. Impacto em Ermesinde

    A primeira tentativa de implantação da República em Portugal deu-se no coração do Porto, no dia 31 de Janeiro de 1891, há 132 anos. Os revolucionários do “31 de Janeiro” não conseguiram os seus intentos, mas espalharam a semente revolucionária que havia de germinar 19 anos mais tarde, a 5 de Outubro de 1910.

    No Porto tinha triunfado, 71 anos antes, a Revolução Liberal (24 de agosto de 1820) e os utópicos republicanos do final de oitocentos achavam que havia de ser na mesma cidade que se teria de hastear também, pela primeira vez, a bandeira republicana. E assim foi, de facto. Por alguns momentos na Praça de D. Pedro (atual Praça da Liberdade), no antigo edifício da Câmara Municipal do Porto esteve içada a bandeira do Partido Republicano, enquanto o Dr. Aves da Veiga (licenciado em Direito na Universidade de Coimbra), uma das figuras mais destacadas do 31 de Janeiro, se dirigia ao povo que ali se concentrara, desde a varanda dos Paços Municipais, proclamando a República e divulgando a constituição do novo governo.

    A capital do Norte era, efetivamente, um dos centros de maior dinamismo conspirativo contra a Monarquia decadente que juntava, entre outros descontentes, estudantes, militares, jornalistas e juristas.

    Naquela madrugada, o Batalhão de “Caçadores 9” constituído sobretudo por sargentos (no punhado de oficiais que participaram, destacaram-se o capitão Leitão e o alferes Malheiros), dirigiu-se aos antigos Paços do Concelho do Porto (hoje esse edifício não existe, foi demolido no século XX para construir a atual Avenida dos Aliados), aclamando e vitoriando a República. Para além do Dr. Alves da Veiga, tiveram um envolvimento empenhado no movimento revolucionário do Porto, João Chagas, Basílio e Bruno Teles.

    PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA NA CÂMARA DO PORTO (31 DE JANEIRO DE 1891) – ILUSTRAÇÃO PUBLICADA NA REVISTA OCCIDENTE, N.º 437, DE 11 DE FEVEREIRO DE 1891, P. 4
    PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA NA CÂMARA DO PORTO (31 DE JANEIRO DE 1891) – ILUSTRAÇÃO PUBLICADA NA REVISTA OCCIDENTE, N.º 437, DE 11 DE FEVEREIRO DE 1891, P. 4
    Nos primeiros instantes, a vitória parecia estar do lado dos revoltosos, mas, entretanto, houve uma surpreendente reviravolta. Quando as hostes revolucionárias, constituídas por militares e civis, subiam a Rua de Santo António (atual 31 de Janeiro), para tentarem a aliança com a guarda municipal, esta disparou sobre os revoltosos. Estes recuaram e refugiaram-se no edifício da Câmara, mas não conseguiram evitar a derrota. Para ela muito terá contribuído também a transferência, poucos dias antes, de alguns quadros superiores do exército fixado no Porto para outros quartéis do país. Assim, foi mais fácil à guarda municipal conseguir reagir com eficácia e suster o movimento, acabando por frustrar a tentativa revolucionária. Seguiu-se, naturalmente, a repressão sobre os revoltosos, na sua maioria militares (alguns oficiais, mas muito mais sargentos e soldados), que foram levados para bordo de navios ancorados no porto de Leixões, para serem presentes a Conselhos de Guerra.

    A Revolta Republicana da madrugada de 31 de janeiro de 1891 no Porto foi ainda, e sobretudo, uma reação da alma patriótica republicana ao humilhante Ultimato Inglês de 11 de janeiro de 1890. Várias vilas e cidades do País estavam preparadas para aderirem, de imediato, ao movimento e proclamarem a República nos respetivos municípios. Mas, a notícia do fracasso arrefeceu os ânimos e foi preciso esperar cerca de duas décadas para que o sonho republicano se tornasse realidade.

    ERMESINDE EM 1891

    Vejamos, a título de exemplo, a atitude da Junta da Paróquia de S. Lourenço de Asmes (a reação das outras juntas do município de Valongo não deverá ter sido muito diferente), reunida extraordinariamente no dia 13 de fevereiro de 1891. O Regedor era José Ferreira da Rocha; a Junta da Paróquia, empossada no dia 2 de janeiro de 1890, tinha a seguinte constituição: Presidente – Manuel Moreira Lopes; Vice-Presidente – Domingos Ferreira Bernardes; Secretário – Joaquim Gomes da Costa; Tesoureiro – Manuel António Marques; Vogais: – José Lourenço Ferreira Silva, Manuel António da Silva e Manuel Lourenço Barbosa.

    Manuel Moreira Lopes, o Presidente da Junta, era há anos uma figura política de destaque no meio ermesindense. Já em 1883 havia sido Regedor substituto e, desde a entrada em vigor do Código Administrativo de 1886, sempre integrou o Executivo da Junta da Paróquia de S. Lourenço de Asmes como Presidente, à exceção do período que vai de 2 de janeiro de 1887 a 8 de abril de 1888, em que foi vogal.

    A Junta Paroquial de S. Lourenço de Asmes, na sua primeira sessão após o 31 de Janeiro, mostrou-se claramente favorável à causa monárquica, apressando-se a enviar ao Rei D. Carlos o seguinte telegrama: «Senhor. A Junta de Parochia da freguezia de S. Lourenço d’Asmes, concelho de Vallongo; reunida em sessão extraordinaria no dia 13 de Fevereiro de 1891, deliberou que em nome de todos os seus comparochianos se manifestasse a El-Rei, á familia real e ao Governo de sua Magestade as mais sinceras felicitações pelo malogro do ignominozo attentado contra as constituições do paiz no dia 31 de Janeiro, patenteando assim a sua firme adhesão á Monarchia».

    O Código Administrativo em vigor era o de 1886, promulgado a 17 de julho desse ano, por iniciativa de José Luciano de Castro (do Partido Progressista). De carácter centralizador, o novo código administrativo procurava reduzir o ímpeto descentralizador introduzido pelo código administrativo anterior (1878) que dava demasiada autonomia executiva aos corpos administrativos, o que fomentou a desordem das finanças locais.

    O Pároco de S. Lourenço de Asmes era o Padre que na história desta Paróquia mais tempo teve a responsabilidade da sua administração, nada mais, nada menos do que 53 anos (entre 1845 e 1898); o seu nome era Manuel José Moutinho de Ascensão e, ao longo do mais de meio século que esteve na Paróquia assumiu vários cargos políticos, alguns por inerência de funções.

    Ao tempo desta tentativa revolucionária, Ermesinde tinha

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    Por: Manuel Augusto Dias

     

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