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Edição de 30-11-2022
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    Arquivo: Edição de 31-10-2022

    SECÇÃO: Ciência


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    A Economia Circular

    Este mês trazemos um artigo sobre Economia Circular, um assunto que está (ou deveria estar) na ordem do dia, em mais um trabalho de excelência de uma universidade portuguesa.

    Na sociedade atual continuamos ainda com uma economia linear em que retiramos o que necessitamos da Terra, recurso que geralmente é transformado industrialmente e, quando já no fim de vida desse produto, colocamos o mesmo no caixote do lixo para ser tratado como resíduo. Este modelo económico linear, conhecido como modelo tradicional, está assente no princípio “produz-utiliza-deita fora”. Todos os anos se produzem só na União Europeia cerca de três mil milhões de toneladas de resíduos. Para combater o desperdício, a União Europeia encontra-se atualmente a desenvolver um planeamento de transição de uma economia linear para uma economia circular.

    Mas o que vem a ser isto de economia circular? Esta economia circular baseia-se num modelo de produção e de consumo que envolve a partilha, o aluguer, a reutilização, a reparação, a renovação e a reciclagem de materiais e produtos existentes, sempre que possível. Desta forma, o ciclo de vida dos produtos é alargado e conseguimos transformar resíduos que seriam desperdiçados em novos recursos para a obtenção de novos produtos!

    De uma forma prática, a economia circular implica a redução do desperdício ou dos resíduos ao mínimo. Quando um produto chega ao fim do seu ciclo de vida, os seus materiais são mantidos dentro da economia sempre que possível, podendo ser utilizados várias vezes, o que permite desta forma retirar mais valor dos recursos.

    O problema dos recursos é que são finitos. Isto significa que depois de extraídos do nosso planeta, as gerações futuras não serão capazes de os explorar, o que vai levar a uma falha no sistema. Esta economia linear, aliada ao aumento da população mundial, tem causado uma procura crescente por matérias-primas, muitas delas escassas e com reservas disponíveis a terminar. A transição para uma economia circular pode trazer grandes benefícios como a redução da pressão ambiental, uma maior segurança no aprovisionamento de matérias-primas e, ainda, a criação de empregos; a União Europeia espera criar cerca de 700 000 postos de trabalho até 2030 ligados à Economia Circular.

    Com inspiração nos mecanismos dos ecossistemas naturais, que gerem os recursos a longo prazo num processo contínuo de reabsorção e reciclagem, só precisamos de fazer a nossa parte que passa pela separação dos resíduos e a sua colocação nos recipientes próprios de modo a ser feita a sua recolha. O planeta necessita da ajuda de todos e todos devemos fazer a nossa parte.

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    “Cientistas da Universidade de Coimbra criam material superisolante com borracha de pneus usados

    O desafio de criar um novo tipo de isolamento térmico e acústico para edifícios, numa perspetiva da economia circular, juntou investigadores de engenharia civil e engenharia química da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), que, pela primeira vez, produziram um aerogel com matriz homogénea de sílica e borracha, criando um novo material superisolante ecológico e mais económico.

    Considerando que, por um lado, na Europa são produzidos cerca de 355 milhões de pneus por ano e, por outro lado, os aerogéis são ótimos isolantes térmicos, mas são dispendiosos, os cientistas apostaram no desenvolvimento de um aerogel incorporando borracha de pneus usados.

    Liderado por Paulo Santos, investigador do ISISE (Institute for Sustainability and Innovation in Structural Engineering) e professor do Departamento de Engenharia Civil da FCTUC, o projeto, financiado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), foi desenvolvido ao longo dos últimos quatro anos e compreendeu várias etapas até os cientistas conseguirem o seu objetivo. A tecnologia desenvolvida no âmbito do projeto foi submetida a processos de patenteamento nacional e internacional.

    «Tivemos de vencer muitos obstáculos ao longo do projeto. No início, foi extremamente difícil introduzir a borracha, reduzida a grânulos de um milímetro, dentro do aerogel, mas, após vários estudos complexos, encontrámos uma solução de desintegração química da borracha ou desvulcanização, com recurso a um ácido que torna a borracha líquida. Assim, conseguimos abrir uma nova porta de processamento do aerogel, porque o aerogel é produzido primeiramente em fase líquida», relata Luísa Durães, coordenadora da equipa de investigadores do Departamento de Engenharia Química da FCTUC.

    Ultrapassado o primeiro grande obstáculo, o passo seguinte foi encontrar a fórmula certa para a mistura de líquidos. «Era necessário encontrar os solventes mais compatíveis para os sistemas da sílica e da borracha. A partir daí, foi mais fácil conseguir um material inovador e altamente eficaz», prossegue a investigadora do Centro de Investigação em Engenharia dos Processos Químicos e dos Produtos da Floresta (CIEPQPF), frisando que o novo material com borracha de pneus usados é muito vantajoso, pois «além de ter um preço praticamente nulo porque é um desperdício, a borracha é hidrofóbica, isto é, repele a água, o que é benéfico na secagem dos aerogéis. Por outro lado, a borracha tem caraterísticas de grande estabilidade térmica e química. O desafio, nesta fase, foi perceber se, ao misturar com a borracha, as propriedades do aerogel se mantinham as mesmas, o que aconteceu».

    Desenvolvido o aerogel a partir de borracha reciclada e realizados testes através de múltiplas técnicas, observou-se que o novo produto apresenta um elevado desempenho, como afirma Luísa Durães: «tem caraterísticas de um superisolante térmico. Assim,

    (...)

    leia este artigo na íntegra na edição impressa.

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    Cristina Pinto

    Assessora de Imprensa – Universidade de Coimbra – Faculdade de Ciências e Tecnologia”

    Por: Luís Dias

     

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