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Edição de 20-09-2021
Jornal Online

SECÇÃO: Património


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Recordações da Festa de São Lourenço na década de 60

São Lourenço, padroeiro da cidade de Ermesinde, é evocado e comemorado no dia dez de agosto, dia do seu martírio. Esta comemoração, por disposição católica, tornou-se móvel, facultando ser comemorada pelo maior número de fiéis no fim de semana mais próximo desta data.

Considerando o período atípico que temos experienciado, este ano as comemorações de S. Lourenço tiveram lugar na igreja matriz. As festas de S. Lourenço de 2021, desenrolaram-se entre os dias 7 e 11 de agosto e compuseram-se de vários momentos. No dia 7 iniciaram-se as comemorações, às 18h00, com o terço, celebração de missa e mais tarde, às 21h30, um recital de música instrumental em louvor do Santo. No dia 8, foram realizadas eucaristias festivas e ao invés da procissão com a imagem de S. Lourenço, foi realizada uma entrada e saída solene, na missa das 11h, do andor que anteriormente circulava pelas ruas da cidade. No dia 10, dia de martírio do santo, foi realizada uma missa festiva e terminaram estas festas no dia 11, com eucaristia, dia do décimo nono aniversário de dedicação da nova igreja matriz.

Andor de São Lourenço no adro da Igreja Matriz (2021) – Fotograma retirado do direto da Paróquia de São Lourenço de Ermesinde
Andor de São Lourenço no adro da Igreja Matriz (2021) – Fotograma retirado do direto da Paróquia de São Lourenço de Ermesinde
Procuramos, neste nosso artigo, dar a conhecer ou a recordar aquelas que foram as anteriores festas em homenagem ao santo padroeiro da cidade de Ermesinde, na década de 60, do século passado.

Recuamos um pouco no tempo para que se compreendam as origens destas festividades. De acordo com Jacinto Soares (2008) o culto deste santo na nossa cidade remonta a tempos muito antigos, tendo ocorrido inclusivamente mudanças no local onde as festividades ocorriam, passando pela capela de Asmes, o largo da capela de S. Silvestre e a partir da primeira metade do século XIX para o local atual, com veneração na anterior e nova matriz. A monografia de Manuel Augusto Dias e Manuel Conceição Pereira (2001) dá-nos ainda conhecimento de que a procissão desta romaria ocorria por várias ruas da cidade, onde se integrava o povo e algumas das personalidades políticas do município e da freguesia.

O nosso jornal documentou, ao longo da sua história, de que forma se viviam estas festividades, também conhecidas como um arraial pois concentravam atrações religiosas e laicas. A nossa escolha por recordar as festividades de S. Lourenço na década de 60 recaem no facto de estas começarem a ser mencionadas n’A Voz de Ermesinde a partir do ano de 1963.

Conforme referido, a primeira nota que encontramos n’A Voz de Ermesinde sobre as festas de S. Lourenço é na edição n.º 66, mês de Junho, do ano de 1963. Este artigo, que não se encontra assinado - assim como os seguintes sobre estas festividades - dá-nos conhecimento de que as festas iriam ocorrer nos dias 10 e 11 de agosto e que a cidade se iria revestir do maior esplendor para comemorar a vida do seu padroeiro.

O dia do martírio de São Lourenço (10) começou, em 1963, com uma salva de morteiros que deu conhecimento à população das festividades a ocorrer. Os dias foram preenchidos por música, procissão, desfile de gigantones e cabeçudos e oferta de um novo estandarte ao padroeiro. Por esta altura já se realizava, em simultâneo, uma feira de sementes (que Jacinto Soares dá conhecimento de que atraía inúmeros forasteiros e que aumentava, ainda mais, as atenções sobre o arraial). Encontramos registo, da mesma forma, de um festival de folclore e fogo de artificio após a missa. Consideramos ainda curiosa a nota que encerra este artigo no nosso jornal que nos dá conta que: O recinto do arraial será devidamente ornamentado e feericamente iluminado por técnicos da especialidade, o que nos permite compreender que a cidade se engalanava para receber as festividades em honra do seu padroeiro. Por esta altura, as festas ocorriam junto da antiga matriz, acompanhando o artigo uma imagem da mesma que aqui reproduzimos.

Começa assim a tradição de n’A Voz de Ermesinde encontrarmos documentado o programa dos dias de arraial, entre outros aspetos das festividades, que tão úteis são na sua reconstituição nos dias de hoje.

Vista parcial da antiga Igreja Matriz de Ermesinde – A Voz de Ermesinde, n.º 66, Junho de 1963
Vista parcial da antiga Igreja Matriz de Ermesinde – A Voz de Ermesinde, n.º 66, Junho de 1963
No ano de 1964 os festejos de S. Lourenço decorreram entre os dias 8 e 10 de agosto e além das atrações mencionadas anteriormente, salientamos que faz parte do programa no dia 8 de agosto, às 21 horas, serem ligadas as mais variadas diversões e iluminações festivas nas ruas de S. Lourenço e Rodrigues de Freitas. Incluindo-se uma curiosa nota sobre esta parte do arraial, onde nos é descrito que: A azáfama na procura de lugares para abarracamentos e diversões é intensa, havendo pistas para automóveis, carroceis, etc. já com lugares assegurados. O que nos permite compreender que de facto a romaria seria bastante concorrida e que se procuravam os melhores lugares no arraial. No dia 9 de agosto de 1964, incorporou-se na procissão a Fanfarra dos Bombeiros Voluntários de Ermesinde, em trajes de gala e tomaram ainda parte as Irmandades e Anjinhos. O artigo deste ano deixa-nos ainda o desejo comum aos ermesindenses de que: Estas festas que já no ano findo atingiram elevado brilhantismo prometem, este ano, classificarem-se entre as melhores do Norte do País.

Em 1965 a Romaria de S. Lourenço ocorreu entre os dias 7 e 9, apesar de não existirem, neste ano, grandes dados a acrescentar às festividades descritas anteriormente, é curiosa a descrição que nos é deixada no início do programa n’A Voz de Ermesinde que nos diz que: … tudo se conjuga para que os grandes êxitos alcançados já nos anos anteriores, sejam ainda ultrapassados, compensando assim tantos trabalhos e sacrifícios e ainda colaboração de tantos Ermesindenses que nos ajudam a quem tudo temos a agradecer. Salientamos ainda o facto de a partir deste ano a Feira de Sementes, começar a ser mencionada como Grande Feira Anual de Sementes, algo que se manterá nos anos seguintes.

O ano de 1966 trouxe mudanças para estas festividades que ocorreram entre os dias 13 a 15 de agosto, encontrando-se por isso o já tradicional programa das festas n’A Voz de Ermesinde nº 104 e os comentários à mesma, na edição nº 105-106.

Neste ano, a romaria de S. Lourenço mudou de local e A Voz de Ermesinde dá-nos conhecimento de que a festa vai passar a ocupar novos e amplos espaços de terreno e por modernos arruamentos, as Festas de S. Lourenço de 1966 prometem ultrapassar o brilhantismo e esplendor já alcançado nos anos anteriores. A promessa neste ano foi de maiores e vistosas sessões de fogo de artificio e todos os acessos a esta festa passariam a estar ornamentados a preceito. Sabemos ainda que: A feira das Sementes não deixará de se realizar em local, apropriado, mantendo a tradição e servindo os interesses dos agricultores, mantendo-se as animações e parque de diversões.

(...)

leia este artigo na íntegra na edição impressa.

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Bibliografia:

Arquivo A Voz de Ermesinde (1963-1969)

DIAS, Manuel Augusto. PEREIRA, Manuel Conceição (2001). Ermesinde – Registos Monográficos. Vol. II. Ermesinde: Câmara Municipal de Valongo

SOARES, Jacinto (2008). Ermesinde: Memórias da nossa gente. 1ª edição. Ermesinde: Junta de Freguesia de Ermesinde

Por: Mariana Filipa Lemos

 

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