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Edição de 20-09-2021
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    Arquivo: Edição de 30-06-2021

    SECÇÃO: Ciência


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    As profundezas do universo

    Neste mês de junho voltamos a um dos temas que mais debatemos aqui no nosso espaço de ciência, o universo! O universo é, desde sempre, um dos temas mais fascinantes para o homem, seja pela sua grandiosidade ou pelo seu lado desconhecido. Regularmente ouvimos notícias de novas descobertas e reconhecimentos, como a que trazemos hoje, que nos fazem questionar que mais segredos se podem esconder, o quão grandioso poderá, na realidade, ser e quais as surpresas que ainda estarão por revelar… Mas, afinal, qual é o tamanho do universo? O que é que conhecemos do universo e ainda nos falta conhecer?

    As respostas às perguntas acima colocadas não são fáceis. Atualmente, com a tecnologia existente e depois de cruciais avanços pela astronomia, qual será o tamanho do universo que conhecemos? Quando falamos do tamanho do universo devemos, em primeiro lugar, falar do universo conhecido porque o tamanho do universo em si é praticamente imensurável, uma vez que, segundo as leis da física, está em constante expansão. Atualmente, recorrendo a estimativas avaliamos a idade do universo em cerca de 13,5 mil milhões de anos, enquanto as estimativas para o seu tamanho atual são de 156 mil milhões de anos-luz.

    Importa realçar que a velocidade de expansão do universo é muito superior à velocidade da luz. Isto provoca uma dessincronização, pois aquilo que conseguimos observar é apenas a luz que chega até nós ou, neste caso, aos nossos satélites e telescópios. Assim, considera-se que a área do universo observável, atualmente, pelos astrónomos é de cerca de 93 mil milhões de anos-luz, sendo que cada ano-luz é equivale a 9,5 triliões de km, algo que está muito além da nossa capacidade de imaginação.

    Por aquilo que observamos, quanto mais conhecemos o universo, mais mistérios parecem surgir, evidenciando o facto de que, para além do seu tamanho, também a sua complexidade parece estar em constante expansão.

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    “Gigantes cósmicos inauguram uma nova era na Astronomia no rádio

    A descoberta de duas novas galáxias gigantes na emissão no rádio sugere que muitas mais destas estruturas impressionantes estarão prestes a revelar-se, segundo um estudo internacional com a colaboração do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA).

    Algumas galáxias projetam jactos de matéria que partem da sua região central e se estendem muito para além da própria galáxia, através do meio intergaláctico. Em alguns casos, estes jatos, detetados em frequências rádio, ultrapassam extensões de centenas de milhares ou mesmo milhões de anos-luz – são as chamadas radiogaláxias gigantes, os maiores objetos individuais que existem no Universo.

    Conhecidas menos de mil desde a primeira identificada em 1974, estas radiogaláxias gigantes poderão afinal ser mais comuns do que se pensava e ter estado invisíveis à sensibilidade limite da geração anterior de radiotelescópios, segundo um artigo publicado em janeiro na revista científica Monthly Notices of the Royal Astronomical Society e que teve a colaboração de José Afonso, do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA2) e da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (Ciências U. Lisboa).

    O artigo anuncia a descoberta de duas novas dessas galáxias numa pequena região do céu, algo que se diria impossível em objetos que se acreditava serem tão raros. Em dados recentemente recolhidos com o novo radiotelescópio MeerKAT, na África do Sul, são visíveis em cada uma destas galáxias dois jactos opostos, típicos de galáxias com núcleo central ativo3, mas com dimensões impressionantes, estendendo-se pelo espaço intergaláctico muitas vezes a dimensão da parte da galáxia que emite na luz visível.

    “Parte da matéria em queda para o enorme buraco negro que encontramos no centro destas galáxias ativas acaba por ser ejetada para muito longe”, explica José Afonso. “Mantendo-se brilhante em radiofrequências durante milhões e milhões de anos, esta emissão no rádio pode ser utilizada como um registo da atividade do núcleo ativo ao longo da história da galáxia. Temos estado a detectar apenas ‘o topo do iceberg’ da população de radiogaláxias gigantes, e uma fase tão importante na vida de uma galáxia, a fase de galáxia ativa, é provavelmente muito mais comum do que pensávamos.”

    Estas duas estruturas recém-descobertas são então excelentes alvos para conhecer a história e as transformações por que passaram galáxias deste tipo, e até para perceber como é que o centro da nossa própria galáxia Via Láctea poderá eventualmente vir a atravessar fases de muito maior atividade. Situadas respetivamente a 2,1 e 3,8 mil milhões de anos-luz, aquelas duas galáxias têm dimensões da ordem dos sete milhões de anos-luz, o que é mais de 60 vezes o tamanho da nossa galáxia. O estudo reforça a hipótese de que, se forem mais comuns, são de facto radiogaláxias antigas, cujos jactos puderam crescer durante centenas de milhões de anos.

    Muitas estarão afinal ainda por descobrir, por serem objetos muito ténues, mas finalmente ao alcance da sensibilidade do MeerKAT, uma infraestrutura de 64 antenas inaugurada em 2018 na África do Sul e um precursor do futuro radiotelescópio Square Kilometre Array (SKA). Num rastreio do céu realizado com o MeerKAT, o rastreio MIGHTEE, um projeto começado em 2010 e que contou com José Afonso e outros investigadores do IA, foi possível identificar os ténues mas longos jactos, incluindo os característicos lóbulos terminais onde o material proveniente do centro da galáxia é detido pelo gás que preenche o meio intergaláctico.

    “Neste trabalho participámos na análise das imagens e tivemos de nos assegurar que a emissão de rádio, ao longo de toda a extensão vista na imagem, pertence de facto a uma única estrutura, ou jato”, diz José Afonso. “Tentei também comparar com resultados anteriores para verificar se este par de radiogaláxias gigantes, numa tão pequena área do céu, é uma descoberta tão pouco usual, e sim, é!”

    (...)

    leia este artigo na íntegra na edição impressa.

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    Por: Luís Dias

     

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