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Edição de 20-10-2021
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    Arquivo: Edição de 30-06-2021

    SECÇÃO: Património


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    Centenário da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ermesinde

    A Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ermesinde (AHBVE) comemorou, este mês, o centésimo aniversário de existência. Apesar de se discutir em termos bibliográficos a data da sua fundação entre vários dias deste mês, foi no dia 1 de junho de 1921 que vários homens bons de Ermesinde se reuniram no antigo Hotel Sobral, na Travagem, com o intuito de fundar tão nobre instituição.

    Esta associação denominada de Bombeiros Voluntários de Ermesinde, Corpo de Salvação Pública, tinha como fim, em 1921, “socorrer os seus cidadãos nos casos de incendio e em outras calamidades de qualquer especie que requeiram do seu auxilio, mas sempre em harmonia com os seus Estatutos”. Já neste momento, a AHBVE demonstrava um espírito de solidariedade para com a população fora do comum, pois se atentarmos aos materiais que deram início a esta corporação, encontramos apenas um carro braçal reformado, e já utilizado por outra corporação, e dez baldes de lona. Foi ainda colocado à disposição por empréstimo de Amadeu Vilar o material de salvação de que dispunha. Por isso, tal como atualmente, este corpo nasce e sobrevive da boa vontade de cidadãos, que muitas vezes de forma voluntária, arriscam a sua própria vida em prol do salvamento de outros cidadãos.

    Televisão nos Bombeiros (Fonte: A Sopa dos Pobres, Fevereiro de 1958, N.º 2, página 2)
    Televisão nos Bombeiros (Fonte: A Sopa dos Pobres, Fevereiro de 1958, N.º 2, página 2)
    Os primeiros estatutos da AHBVE preveem, ainda, que possam fazer parte do seu projeto “todos os indivíduos sem destinção do sexo edade ou nacionalidade, que tenham condição social para o facil desempenho dos deveres impostos aos associados, precisando os menores de autorisação por escrito dos seus paes ou tutores para serem admitidos”. Sendo por isso, desde a sua origem, uma associação igualitária e que aceita todas as pessoas aptas para prestar auxílio à população em momentos de aflição.

    O nosso jornal dedicou-se desde a sua origem a acompanhar e dar conhecimento da missão nobre destes homens voluntários que acorriam à população de Ermesinde. Encontramos a primeira nota logo no 2.º número da “Sopa dos Pobres”, num artigo de A. Vale, onde se pede para que o povo de Ermesinde ajude e contribua para a criação de um posto de enfermagem no Quartel dos Bombeiros.

    Contudo, consideramos ainda mais curiosa a notícia que surge no número 4.º do nosso jornal, de que incluímos a sua reprodução fotográfica, também pela mão de A. Vale, onde tomamos conhecimento de que o Quartel dos Bombeiros já contava com uma televisão. Nesta altura, o Quartel funcionava na rua de Miguel Bombarda e para fazer face a despesas, angariar fundos e para entretenimento dos sócios, eram disponibilizadas várias formas de diversão.

    Sabemos que, em 1928, a sede disponibilizava jogos de damas, dominó, ping-pong e jogos de valas. Entre 1947-1952 vamos encontrar alguns torneios e à disposição dos sócios bilhar, matrecos e snooker. Seguindo-se no final da década de 50, em 1958, a instalação de uma televisão para usufruto dos sócios. Contudo, o uso destes equipamentos obedecia a regras e no quartel existiam regulamentos, horários e preços. Mas, sobretudo, conseguimos compreender que o Quartel era visto pela população como um elemento congregador, onde se encontravam os sócios e amigos da AHBVE para ver televisão, jogar e alimentar um convívio que acabava por colocar estes voluntários mais próximos, ainda, da população.

    Monumento ao Bombeiro Voluntário (Fonte: Arquivo A Voz de Ermesinde – à direita); Monumento ao Soldado da Paz (Fonte: Bombeiros Voluntários de Ermesinde 1921-1996 – Bodas de Diamante – à esquerda)
    Monumento ao Bombeiro Voluntário (Fonte: Arquivo A Voz de Ermesinde – à direita); Monumento ao Soldado da Paz (Fonte: Bombeiros Voluntários de Ermesinde 1921-1996 – Bodas de Diamante – à esquerda)
    Não só de entretenimentos lúdicos se fez a história da AHBVE, como forma de se aproximar à população de Ermesinde e se tornarem um centro dinamizador de atividades culturais, tendo sido realizadas ao longo do último século várias iniciativas. Para esse efeito são, muitas vezes, criados núcleos e secções próprias dentro da AHBVE para o desenvolvimento das atividades, parte desta história está ligada a inúmeros saraus musicais, teatros, bailes, conferências, programas de variedades, espetáculos, filmes, exposições, feiras do livro e concursos. Mais uma vez destacamos aqui o papel do Jornal A Voz de Ermesinde, onde podemos encontrar notícia de vários destes momentos e que tão úteis se tornam para conhecermos a dinâmica e atividades que se realizavam na nossa cidade.

    As atividades culturais procuram criar receita para a Associação, e sobrepunham-se aos peditórios, pois atraíam muitos ermesindenses, no século passado, que ficavam entretidos e passavam no Salão de Festas dos Bombeiros bons momentos, como a passagem de ano e o Carnaval. Incluímos no nosso artigo a nota de alguns dos eventos que aconteceram entre 1985 e 1996, possivelmente de mais fácil memória para muitos dos ermesindenses, pela maior proximidade temporal. Nestes anos aconteceram, entre outras, as sessões de cinema dos filmes “Tempos Modernos” (Charlie Chaplin) e “Deus, Pátria, Autoridade” (Rui Simões), espetáculos musicais e de ilusionismo, a exibição de peças de teatro e de revista e ainda a exposição “Ermesinde Ontem e Hoje”, em 1996, coordenada por Jacinto Soares.

    É ainda indispensável mencionar o papel que as mulheres desempenharam na AHBVE, apesar de na sua data de fundação em 1921 não serem contempladas as mulheres bombeiras. Era previsto o seu estatuto como sócias e empenharam-se nos peditórios para esta associação, nomeadamente nas festas da Santa Rita. Organizavam para os peditórios - quermesses, bailes, vendiam bolos… e todas as formas que se recordassem de forma a auxiliar, muitas vezes, ao trabalho daqueles que eram os seus maridos ou familiares.

    Atualmente, e como consequência da evolução dos tempos e da sociedade, a AHBVE dispõe de um corpo misto e as mulheres desempenham, tal como os homens, um papel crucial no salvamento e prestação de serviços à comunidade. Sendo os lugares de adjunto de comando desempenhados por Francisco Pereira, Cândida Magalhães e Pedro Rosinha. Uma informação que destacamos dado que no século passado as mulheres poucas intervenções tinham neste corpo de salvação e ocupavam pequenos cargos de secretaria e telefonia.

    A missão nobre destes Homens é-nos ainda recordada diariamente pela presença de um monumento de homenagem ao Bombeiro Voluntário, na rotunda do cruzamento entre as ruas José Joaquim Ribeiro Teles e Dr. Joaquim Maia Aguiar, no centro de Ermesinde. Este monumento foi inaugurado em 2008, por ocasião dos 87 anos da AHBVE. A escultura, no centro da rotunda, é da autoria de Mendes da Rocha, em ronde-bosse (pode ser vista de todos os lados), apresenta-nos um bombeiro fardado e com capacete a segurar nos braços uma criança de tenra idade.

    (...)

    leia este artigo na íntegra na edição impressa.

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    Por: Mariana Filipa Lemos

     

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