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Edição de 31-03-2021
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    Arquivo: Edição de 28-02-2021

    SECÇÃO: Editorial


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    Holocausto

    O primeiro Museu do Holocausto de Portugal e da Península Ibérica situa-se na Rua Campo Alegre, no Porto, e a sua inauguração chegou a estar prevista para o dia 20 de janeiro último, a oito dias do dia 27, data em que, anualmente, se celebra o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, mas ficou adiada para quando a situação de confinamento for superada.

    Recordo que a presença da comunidade judaica no Porto remonta à Primeira República e ficou a dever-se à iniciativa do Capitão Barros Bastos, herói da 1.ª Grande Guerra e republicano convicto. Foi ele que içou a bandeira do partido republicano no já desaparecido edifício da Câmara do Porto, quando pela 2.ª vez, a República aí foi proclamada (a 1.ª vez havia sido no dia 31 de Janeiro de 1891, aquando da fracassada tentativa revolucionária republicana), no dia 6 de outubro de 1910. Foi Barros Bastos que mandou construir a Sinagoga do Porto, na Rua Guerra Junqueiro, que ficaria concluída em 1938. Antes, em 1923, e aproveitando a liberdade religiosa apregoada em Portugal, no tempo da República, já havia formalizado, no Governo Civil do Porto, a constituição da Comunidade Judaica do Porto, que, atualmente, é presidida por Dias Ben Zion e conta cerca de meio milhar de membros.

    Este novo espaço museológico (que em boa parte se ficou a dever a um grande donativo de uma família sefardita portuguesa que reside no sudeste asiático e que foi vítima, durante a 2.ª Guerra Mundial, de um campo de concentração japonês) pretende manter viva a memória do massacre de cerca de 6 milhões de judeus que foram exterminados pelos nazis durante a 2.ª Guerra Mundial. Por isso, para que nunca se esqueça, o Museu do Holocausto do Porto mostra a vida judaica antes do Holocausto, e durante esse período negro da História da Humanidade, quando o Nazismo decretou os Guetos, criou os campos de Concentração e de Extermínio, adotando a Solução Final. Mostra também a Libertação, os Judeus no Pós-Guerra e a criação do Estado de Israel. Lembra os “Justos entre as Nações” portugueses que tudo fizeram para salvar judeus, onde se destacam os diplomatas Aristides Sousa Mendes (cônsul português em Bordéus) e Carlos Sampaio Garrido (embaixador português em Budapeste); Monsenhor Joaquim Carreira (que foi Reitor do Colégio Pontifício Português em Roma, onde estava no final da 2.ª Guerra Mundial, tendo protegido muitos judeus italianos) e o emigrante português em França, José Brito Mendes.

    O Museu do Holocausto do Porto inspirado, em termos organizativos, no Museu de Washington, expõe, em fotos e ecrãs, em salas e corredores, imagens e filmes reais sobre a vida dos judeus, antes do Nazismo, durante a perseguição ordenada por Hitler, e após a libertação, logo que a Guerra chegou ao fim. Reproduz os dormitórios do Campo de Concentração de Auschwitz e tem uma sala cheia de nomes das vítimas. Do único Museu do Holocausto ibérico faz parte também um cinema, uma sala de conferências e um centro de estudos.

    Trata-se, afinal, de um valioso recurso didático e pedagógico para professores e alunos de todo o país (esperando-se que as visitas anuais atinjam dezenas de milhares de pessoas por ano), apoiado pelo governo português, no âmbito do “Projeto Nunca Esquecer” com o objetivo principal de preservar a memória do Holocausto.

    Por: Manuel Augusto Dias

     

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