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Edição de 31-12-2020
Jornal Online

SECÇÃO: Ciência


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A importância da divulgação científica

Neste último artigo do ano temos o privilégio de partilhar um texto do nosso “avô dos dinossauros”, o professor Galopim de Carvalho, que é professor catedrático jubilado pela Universidade de Lisboa, fazendo parte do Departamento de Geologia da Faculdade de Ciências desde 1961. É autor de vinte e um livros, entre científicos, pedagógicos, de divulgação científica e de ficção e memórias, contando com mais de duzentos trabalhos em revistas científicas. É um símbolo nacional da defesa e preservação do património cultural e científico, nomeadamente de sinais marcantes da riquíssima evolução da história natural.

Foi, ainda, um dos grandes responsáveis pelo carinho dos portugueses pelos dinossauros, tendo sido fundamental na preservação das esquecidas pegadas da pedreira de Carenque, no concelho de Sintra, um dos trilhos mais longos do Cretáceo, conseguindo salvar as pegadas únicas que lá se descobriram. É, assim, impossível falarmos de divulgação científica em Portugal, sem mencionar todo o trabalho e obra do professor Galopim de Carvalho.

Nesta reta final do ano, um ano que exigiu muito de nós e da ciência, resta desejar que a evolução científica continue a ser uma forte aliada da nossa própria evolução e que a divulgação científica consiga acompanhar todo o progresso: “Sem comunicação, o conhecimento científico não avança. Morre com quem o cria.”.

Desejos de continuação de umas boas festas e de boas entradas em 2021. Que seja um ano repleto de saúde, paz, ciência e progresso.

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“DIVULGAÇÃO E COMUNICAÇÃO EM CIÊNCIA

O saber científico, cujo desenvolvimento nas últimas décadas registou progressos consideráveis, afirma-se, cada vez mais, não só como veículo indispensável à preparação escolar e profissional, mas também como parte importante da formação global do cidadão. Nesta óptica, a divulgação científica interessa-lhe como elemento potenciador da sua capacidade de intervenção cívica consciente, por exemplo, nas políticas de desenvolvimento e de ambiente. A pouca atenção ainda dada à divulgação da ciência, por muitas sociedades do presente, tem razões culturais, sociais e políticas bem conhecidas. É paradigmático o pensamento que diz «o poder do feiticeiro assenta na ignorância dos seus conviventes tribais». A condição feminina, em certas sociedades, com interdição de acesso ao ensino e, portanto, ao conhecimento, visa a submissão das mulheres aos ditames dessas sociedades.

Divulgar seja num livro, num artigo de jornal ou de revista, num blogue ou numa página do Facebook é, à semelhança do professor, escrever ou falar numa linguagem correcta e clara, acessível ao cidadão comum, sem perda de rigor científico e, sempre que possível, agradável de ler ou ouvir.

Em cumprimento de um dever cívico de todo aquele que teve o privilégio de estudar a nível superior e atingiu patamares elevados de conhecimento, divulgar é dirigir-se ao cidadão, em geral, facultando-lhe adquirir conhecimentos que não tiveram oportunidade de adquirir, aprofundar os que possui e relembrar os que o tempo apagou ou distorceu.

Em cumprimento deste dever cívico, o divulgador científico procura, ainda, aproximar-se dos professores das escolas, proporcionando-lhes informação científica actualizada, em estreita ligação a uma componente cultural indispensável a quem tem a nobre missão de ministrar conhecimentos e, ao mesmo tempo, formar cidadãos.

Via de regra, o divulgador é um generalista. Dizendo de uma maneira divertida, o generalista é alguém que sabe pouco acerca de muita coisa, ao contrário do especialista, que sabe quase tudo acerca de quase nada.

O divulgador pode ser um cientista especializado, nesta ou naquela parcela do conhecimento, dotado de vocação generalista. Sabe comunicar com os seus pares e fá-lo numa linguagem própria, pouco ou nada acessível ao cidadão comum. Mas sabe mudar o discurso quando se dirige ao vulgo (no sentido de povo), ou seja, quando divulga.

Comunicação em ciência é uma acção mais abrangente do que divulgação. É algo de essencial. Ciência não é comunicação, mas não existe sem ela. À semelhança dos mais rudimentares saberes dos nossos primitivos antepassados, também a ciência é inseparável da comunicação. Entendida como um conjunto de conhecimentos acerca de parcelas maiores ou menores do todo universal, obtidos através da observação, da experimentação e/ou da elaboração mental, a ciência é um edifício do colectivo, cujos alicerces se perdem nos confins do tempo da humanidade. Edificada pedra sobre pedra, o seu fio condutor sempre foi e será a comunicação. Sem comunicação, o conhecimento científico não avança. Morre com quem o cria. Comunicar ou comungar, do latim, communicare, significa partilhar com outrem. Comunica-se através da linguagem escrita, falada ou gestual. Comunicam entre si, e até connosco, muitos dos animais que conhecemos. A comunicação entre os humanos utiliza sobretudo a voz e a escrita, muitas vezes apoiadas pela expressão fisionómica e corporal, como acontece, por exemplo, com o professor na sala de aula. Comunicam entre pares, ao mais alto patamar de erudição, os sábios nas academias e os investigadores nos congressos e outras reuniões científicas. Comunicam entre si professores e alunos. Comunicam, através dos livros ou dos media, e aos mais diversos níveis, os poucos divulgadores que se dispõem a fazê-lo.

Quase tudo o que nos rodeia e de que constantemente nos servimos, ou com o qual nos articulamos diariamente, resultou das conquistas da ciência e da tecnologia. Os alimentos, os medicamentos, os transportes e comunicações, os equipamentos mais variados da indústria, da saúde, da cultura ou do lazer, radicam, em grande parte, nestas conquistas do génio humano. O conhecimento científico e as tecnologias com ele relacionadas são alguns dos pilares sobre os quais assentam as sociedades humanas, o progresso social e o bem-estar da humanidade.

(...)

leia este artigo na íntegra na edição impressa.

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A.M. Galopim de Carvalho

Ciência na Imprensa Regional

– Ciência Viva”

Por: Luís Dias

 

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