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Edição de 31-12-2020
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    Arquivo: Edição de 30-11-2020

    SECÇÃO: História


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    ACONTECEU HÁ UM SÉCULO (19)

    Figuras monárquicas recebidas pela República Portuguesa

    Apesar do regime político português ser uma República e os governos não prescindirem dessa forma de governo, houve figuras da realeza europeia que foram recebidas pelos nossos governantes, de forma cordial e festiva, em novembro de 1920, faz agora um século.

    Foi o caso concreto dos reis da Bélgica (Alberto e Isabel) e do seu príncipe herdeiro (Leopoldo) que chegaram a Lisboa no dia 1 de novembro de 1920 e do Príncipe do Mónaco, Alberto I, que chegou a Lagos no dia 4 de novembro, seguindo para Lisboa a bordo do couraçado “Vasco da Gama”. O primeiro foi recebido como um dos heróis da resistência aos alemães, no início da Primeira Guerra Mundial, o segundo como um reputado cientista.

    Recordando estes ilustres visitantes, seguimos as reportagens que saíram no jornal “A Capital” e na “Ilustração Portuguesa”, de 1 e de 15 de novembro, respetivamente.

    O primeiro jornal esgota quase toda a sua 1.ª página com o título “OS REIS DA BELGICA”. Aí se refere que os monarcas belgas que regressavam dos Estados Unidos chegaram à capital portuguesa a bordo do “S. Paulo”. Foram dadas as boas vindas aos ilustres visitantes, de forma bastante efusiva, justificando-se tal receção pela atitude determinada e intrépida do Rei belga durante a Primeira Guerra Mundial.

    Efetivamente, aquando do primeiro conflito mundial, Alberto I assumiu o comando do exército belga para defender o seu país da invasão alemã, que não respeitou a sua declarada neutralidade, e foi capaz de resistir até que o Reino Unido e a França se preparassem para a primeira batalha do Marne, logo em setembro de 1914.

    “A Capital” escreve que «Portugal honra-se e orgulha-se de receber no seu territorio quem tão brilhantes provas deu de coragem civica, valentia pessoal, abnegação e desinteresse, salvando a Europa ocidental do fero jugo alemão».

    REPORTAGEM DA RECEÇÃO FEITA EM LISBOA À FAMÍLIA REAL BELGA (IN "ILUSTRAÇAO PORTUGUESA", EDIÇÃO N.º 769, DE 15-11-1920)
    REPORTAGEM DA RECEÇÃO FEITA EM LISBOA À FAMÍLIA REAL BELGA (IN "ILUSTRAÇAO PORTUGUESA", EDIÇÃO N.º 769, DE 15-11-1920)
    Para receber o Rei da Bélgica todos os edifícios do Estado em Lisboa se embandeiraram, tal como muitas casas particulares, com colchas e bandeiras de várias nacionalidades. Muito povo se concentrou na Praça do Comércio. No Cais das Colunas, erguia-se um pavilhão que estava decorado com as cores da Bélgica e uma larga passadeira de veludo. O Presidente da República, vários membros de governo, da Câmara, deputados e senadores, bem como o Cardeal Patriarca e diversos cidadãos belgas que viviam em Lisboa estiveram presentes na receção à família real belga: Alberto I; sua esposa, Isabel (neta do deposto rei D. Miguel de Portugal); e o filho de ambos, Leopoldo. Organizou-se um Cortejo, que em marcha triunfal, no meio de palmas, de “vivas” e de flores, rumou ao Palácio da Ajuda onde houve uma primeira receção, seguindo depois para o Palácio de Belém, onde houve a receção presidencial seguida de almoço. Os reis só seguiriam viagem no dia seguinte.

    Da “Ilustração Portuguesa” n.º 769, com a data de 15 de novembro de 1920, transcrevemos parte da reportagem que é feita, ao longo de 6 páginas, à visita do Príncipe Alberto, do Mónaco, onde se põe em evidência sobretudo o seu perfil de cientista ligado ao mundo oceanográfico. Em termos políticos refira-se que foi ele quem promulgou a primeira constituição do Mónaco em 1911, precisamente o mesmo ano da Constituição da República Portuguesa, e foi ele o responsável por muitos melhoramentos daquela linda cidade-estado no sul de França.

    «O principe Alberto de Monaco, que acaba de nos visitar, não é apenas uma figura aristocratica de soberano, uma testa coroada que por esse motivo apenas tenha direito ás nossas homenagens. O principe Alberto de Monaco, que em 10 de setembro de l889 sucedeu a seu pai Carlos III é um erudito, uma figura extraordinaria no mundo da sciencia e a quem esta muito deve. Ele é por assim dizer o fundador da sciencia oceanografica. De 1889 até hoje, como bom soberano, ele tem operado em Monaco uma verdadeira transformação. Tudo, desde o aspecto exterior até á vida interna, foi transformado. Monaco tem por isso hoje o aspecto de uma grande cidade, de uma capital grandiosa e elegante. Avenidas, largas ruas, jardins, construções maravilhosas, tudo isso a vontade tenaz do principe Alberto creou e deu forma. Assim, Monaco tem uma catedral famosa, um belo palacio principesco, um ministerio, um museu de antropologia prehistorica, um magnifico porto, um hospital modelo e um museu oceanografico, que é o primeiro do mundo. O príncipe de Monaco não é, pois, apenas um sabio ensimesmado em trabalhos do seu mister de erudito. É um governante na mais completa acepção da palavra. A constituição pela qual Monaco hoje se rege foi ele que lh’a outorgou. É tambem da sua creação a camara do comercio, que tanto impulso tem dado ao comercio e vida locais. Suas são tambem, a creação de um liceu, a de uma biblioteca comumal, de uma escola industrial modelar, pois que o principe tem consagrado muita da sua actividade á imstrução. Monaco, além d’isso, tem uma Opera e cada ano realisa as suas exposições de Belas Artes. É por assim dizer este minusculo país, um principado de sonho, onde não chegaram as grandes convulsões dos povos. Todos ali trabalham, todos ali são felizes, e, como os povos felizes não teem historia, não registam os grandes periodicos todos os dias o seu nome. Nem bombas, nem gréves, nem atentados.

    (...)

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    Por: Manuel Augusto Dias

     

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