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Edição de 30-11-2019
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    Arquivo: Edição de 31-07-2019

    SECÇÃO: Crónicas


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    PASSEIOS DE BICICLETA À DESCOBERTA DO PORTUGAL REAL...

    Em 2017 o incêndio devastou 9.476 hectares do Pinhal de Leiria

    As diversas notícias que foram sendo transmitidas ao longo do ano, pelos meios de comunicação social sobre o Pinhal de Leiria, aguçaram-me a curiosidade. Dia 24 de junho preparei o meu descapotável de duas rodas.

    Certifiquei-me da pressão dos pneus, oleei a corrente, revi o sistema de travagem, água nos bidons, barras nutricionais nos alforges e estava pronto para partir. Às seis e trinta da manhã do dia 25 comecei o passeio. Passei pelo Porto em direção a Espinho e daí entrei na EN 109 até Aveiro. Iria, se possível, sempre junto à costa. Em 2017 tinha ido até à Figueira da Foz. Na altura passei pela estrada Florestal 1, totalmente destruída, e de Mira a Quiaios o incêndio tinha consumido todo o pinhal.

    Quando por lá passei as raízes dos pinheiros ainda estavam em brasa. Não a iria fazer. Continuaria pela nacional até à cidade da Figueira.

    Junto da estrada, a massa florestal que estava a recuperar era a dos eucaliptos. Nada tinha sido feito para a replantação de espécies autóctones.

    Os técnicos têm essa posição, de a própria natureza regenerar por si só. Veremos se conseguirá. Com a pressão imobiliária e industrial não auguro futuro risonho.

    Na serra do Marão anos após o incêndio que por lá lavrou, o que se vê é uma mata de giestas. Lá cheguei ao parque de campismo da Figueira e pasmei! A maior parte dos pinheiros tinham desaparecido. Ao meu espanto, foi-me dito: - É a lei amigo, fomos obrigados a abater a maior parte, e olhe, não ganhamos para o trabalho.

    PINHAL DE LEIRIA - UMA LONGA IMAGEM DE DESTRUIÇÃO DA NATUREZA
    PINHAL DE LEIRIA - UMA LONGA IMAGEM DE DESTRUIÇÃO DA NATUREZA
    Uns caíram sobre uns bangalôs e destruíram-nos. Sorri. Pela vingança da flora. A tenda ficaria à torreira do sol e da lua. Mas engano meu. O tempo mudou num ápice. A chuva tomou conta do tempo. Dia 26, ao meio da manhã, segui até Carriço.

    A estrada tornou-se plana. Para meu espanto, passei por um Camping da Orbitur inserido numa área de pinhal verdejante. A lei não é igual para todos? Os pinheiros queimados lá continuavam em pé, alguns quebrados pelo meio com a força do vento. Passavam por mim camiões com atrelados, cheios de troncos de pinheiros verdes. Verdes??? Em Carriço viro à direita para apanhar a estrada Atlântica, em pleno Pinhal de Leiria ou também conhecido como pinhal d`El-Rei… As primeiras árvores foram mandadas plantar por D. Afonso III, no séc. XIII. Durante o reinado de D. Dinis foi intensificado o seu plantio e dele foi efetuado o abastecimento de madeiras para a indústria naval no tempo dos descobrimentos. Em outubro de 2017 o incêndio devastou 9.476 hectares de um total de 11.000 hct. O mesmo teria sido planeado entre madeireiros um mês antes, assim como combinados os preços para a madeira. Até ao presente nunca mais vi informações dadas pelo Ministério Público. Bastou uma simples reunião para destruir oito séculos de existência. A estrada levar-me-ia para as praias de Pedrógão e da Vieira.

    A paisagem era horrível e no limite da insanidade hilariante. A faixa dos dez a vinte metros da estrada estava abatida dos pinheiros. Para lá dessa mítica medida, lá estavam em pé, queimados, semi-derrubados. Ali já não haveria perigo de combustão. Junto à estrada é que continuariam a ser um perigo.

    (...)

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    Por: Manuel Fernandes

     

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