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Edição de 31-07-2019
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    Arquivo: Edição de 30-06-2019

    SECÇÃO: Ciência


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    Bactérias – Amigas ou inimigas?

    No artigo deste mês iremos focar-nos em bactérias, aqueles pequenos seres vivos que estão em todo o lado mas que não conseguimos ver. Serão eles benéficos para a nossa saúde?

    Muitas pessoas ainda acreditam que as bactérias não têm qualquer utilidade, ou que só existem para nos causar doenças mas, felizmente,esta ideia está longe de ser verdade! Algumas bactérias provocam doenças, é um facto, mas existem outras que nos são úteis nas mais diversas atividades: na nossa alimentação, na produção de insulina, nos tratamentos de beleza, no ambiente, entre outros.

    Na realidade, muitas células que estão presentes no nosso corpo não são humanas, são bactérias que se encontram presentes no nosso sistema digestivo e que nos auxiliam nos complexos processos da digestão! Estão presentes maioritariamente nos intestinos e ajudam na digestão dos alimentos, na regulação do apetite, controlam o metabolismo e até melhoram as respostas do sistema imunitário.

    Na temática da alimentação, além das bactérias que atuam no leite para o fabrico de iogurtes, há ainda aquelas que atuam sobre o álcool etílico, transformando-o em ácido acético, formando o vinagre. Mas não se ficam por aqui, pois a atuação das bactérias no meio ambiente também merece destaque: são extremamente importantes para a renovação da matéria orgânica, pois, estes pequenos seres, juntamente com os fungos, realizam o processo de decomposição, transformam a matéria orgânica morta e devolvem-na ao solo sob a forma de matéria inorgânica. Ainda na vertente ambiental, encontramos bactérias que, juntamente com outros microorganismos, atuam no tratamento biológico de rios poluídos, em reatores biológicos.

    Outra utilidade das bactérias que muita gente desconhece é a sua importância na agricultura, especialmente no combate às pragas agrícolas. Um verdadeiro exemplo disto é a bactéria Bacillusthuringensis, que ataca as larvas de determinados insetos, produzindo cristais de proteínas que acabam por romper os intestinos, provocando a morte dessas mesmas larvas. Dessa forma, elas controlam os insetos que atacam as plantações representando uma parte crucial do controle biológico de pragas.

    Resumindo, as bactérias não só nos são extremamente úteis como são essenciais para o equilíbrio do nosso planeta Terra. E o melhor de tudo, é que sem elas dificilmente conseguiríamos provar os deliciosos iogurtes, o artigo que se segue é sobre eles.

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    «IOGURTE, UM CONTRIBUTO BACTERIANO PARA A SAÚDE

    A palavra iogurte deriva da palavra turca yoğurt, do adjetivo yoğun, “denso” ou “tornar denso”.

    O iogurte é um alimento originário dos Balcãs e, tal como outros produtos derivados do leite fermentado, remonta a milhares de anos atrás. O leite era transportado por animais, em sacos feitos de pele de outros animais. O contacto com o corpo do animal mantinha o leite a uma temperatura que promovia a transformação do leite, soube-se mais tarde que o processo era mediado por bactérias. É dos processos biotecnológicos mais antigos, mas apenas em 1908 tem início a comercialização do iogurte, graças ao médico IlyaIlyichMechnikov, prémio Nobel da Medicina. A transformação, do leite em iogurte, deve-se a um processo de fermentação, mediado por dois tipos de bactérias: Lactobacillusbulgaricus e Streptococcusthermophilus. Idealmente os iogurtes devem conter quantidades aproximadamente iguais destas bactérias.

    COMO É QUE OCORRE ESTA TRANSFORMAÇÃO?

    Estes microrganismos bacterianos utilizam a lactose, açúcar do leite, como fonte de carbono e de energia através de um processo de fermentação láctica. Esta transformação resulta na produção de ácido láctico, responsável pelo caráter ácido deste alimento. Este processo ocorre quando o valor de temperatura do leite ronda os 40ºC.

    Estas bactérias lácticas, assim designadas, estimulam-se mutuamente, complementando o crescimento uma da outra. No início da fermentação, o valor de pH do leite favorece o desenvolvimento de Streptococcusthermophilus e, com o aumento do teor de ácido láctico Lactobacillusbulgaricus. O equilíbrio das bactérias é necessário para que, o produto permaneça suficientemente ácido e aromático. A acidez e armazenamento a valores de temperatura que rondam os 4-5ºC, torna os iogurtes alimentos relativamente estáveis, porque inibe o crescimento de outras bactérias prejudiciais para a saúde.

    O tempo de prateleira, tempo durante o qual o iogurte é comercializado, é de cerca de um mês. Após este período deixa de haver “alimento” disponível para manter as bactérias vivas, ocorre produção de ácido em excesso e o iogurte azeda. Durante a fermentação, a proteína, a gordura e a lactose do leite sofrem hidrólise parcial, tornando o produto facilmente digerível, sendo considerado um agente regulador das funções digestivas. A acidez estimula as enzimas intervenientes no processo digestivo, pelas glândulas salivares. Torna-se um alimento de extrema importância para pessoas que manifestam sintomas de intolerância à lactose, ou seja, têm dificuldades em digerir este açúcar em formas mais simples que o organismo possa assimilar.

    Para além das suas propriedades nutricionais benéficas, o seu consumo promove o fortalecimento do sistema imunitário, sendo também uma importante fonte de cálcio. Devido aos seus benefícios desde cedo o seu consumo regular foi associado à longevidade.

    Natural, com aromas ou pedaços, é um alimento completo “vivo”. .

    Margarida Vieira

    Ciência na Imprensa Regional – Ciência Viva»

    Por: Luís Dias

     

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