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    Arquivo: Edição de 31-03-2019

    SECÇÃO: Saúde


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    UMA QUESTÃO DE SAÚDE

    Febre: amiga ou inimiga?

    A febre é um dos mais frequentes motivos de consulta encontrados nos cuidados de saúde, principalmente durante a infância. Culturalmente, foi criada uma “fobia da febre”, graças ao medo das suas consequências. Mas afinal, será a febre assim tão perigosa? Qual a melhor forma de lidar com a febre? Será necessário procurar ajuda médica sempre que surge febre?

    O QUE É A FEBRE?

    Febre é definida como “uma elevação da temperatura corporal igual ou superior a 1ºC acima da média basal diária individual”. O seu valor depende de alguns fatores como o local e a hora de avaliação.

    Para simplificar e, uma vez que é difícil conhecer a temperatura basal de cada um de nós, consideram-se valores compatíveis com febre, segundo o local de medição:

    • Retal maior ou igual a 38ºC;

    • Axilar maior ou igual a 37,6ºC;

    • Timpânica maior ou igual a 37,8ºC;

    • Oral maior ou igual a 37,6ºC.

    De salientar que estes valores não são rigorosos, mas sim limites aproximados baseados em estudos populacionais.

    PORQUE SURGE A FEBRE?

    A febre é um sinal clínico e não uma doença em si própria. Esta surge quando existe uma agressão ao normal funcionamento do organismo, sendo a principal causa a invasão de um agente infecioso (vírus, bactérias...). A febre é, assim, um mecanismo de defesa, sendo, em regra, benéfica para o indivíduo.

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    O QUE FAZER QUANDO OCORRE A FEBRE?

    1.Quando é identificada febre, a primeira medida a tomar deve ser verificar que a temperatura foi medida corretamente, utilizando um termómetro adequado ao local de medição;

    2.Confirmada a temperatura, deve ser avaliada a existência de sinais e sintomas designados “de alerta” como:

    Irritabilidade/choro inconsolável;

    Sonolência excessiva ou incapacidade de adormecer;

    Convulsão;

    Manchas na pele nas primeiras 24 a 48 horas;

    Dificuldade em respirar;

    Dor incontrolável;

    Vómitos repetidos entre as refeições;

    Recusa alimentar superior a 12h;

    Dor/dificuldade em mobilizar um membro ou alteração da marcha;

    Urina turva ou com mau cheiro.

    Estes são sinais de gravidade e devem motivar uma avaliação médica precoce, independentemente do dia de doença, sendo mais importantes do que o próprio valor da temperatura.

    Assim, os serviços de saúde devem ser procurados precocemente nas seguintes situações:

    Evidência de sinais de alerta;

    Crianças com idade inferior a 3 meses;

    Crianças com idade inferior a 6 meses com temperatura axilar maior ou igual 40ºC ou retal maior ou igual 41ºC;

    Em caso de patologia crónica grave.

    3. Caso se excluam as situações referidas anteriormente, a gestão da febre pode ser iniciada em casa, tendo como único objetivo minimizar o desconforto associado ao aumento da temperatura. Para tal podem ser utilizados fármacos anti-piréticos, como o paracetamol e o ibuprofeno. Medidas físicas de controlo da temperatura, como diminuição das camadas de roupa ou banhos tépidos, devem ser realizados com precaução, uma vez que podem ter o efeito oposto e aumentar ainda mais o desconforto associado ao processo febril.

    Assim, a intervenção no contexto da febre deve ser adequada a cada caso. Importa relembrar que não é obrigatório o uso de antipiréticos sempre que ocorre febre, nem existe um dia mais apropriado para uma observação médica num indivíduo com febre. O importante é avaliar a situação e agir de forma ponderada. Na maioria das vezes, a febre é mais amiga do que inimiga!

    Bibliografia: Norma de Orientação Clínica 014/2018: Processo Assistencial Integrado da Febre de Curta Duração em Idade Pediátrica. Direção-Geral da Saúde. 03/08/2018.

    Por: Telma Lopes*

    *Médica Interna de Medicina Geral e Familiar

     

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