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Edição de 30-09-2020
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    Arquivo: Edição de 31-03-2019

    SECÇÃO: Ciência


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    A CIÊNCIA HOJE (3)

    Energia eólica, só vantagens?

    No artigo desta edição iremos focar-nos na energia eólica. Esta forma de energia obtém-se através da transformação da energia do vento em energia útil. É um dos principais meios de obter energia de forma renovável e limpa, uma vez que não produz poluentes e está permanentemente ao dispor do Homem. A energia eólica é uma importante alternativa aos combustíveis fósseis, estando continuamente disponível em qualquer região no Mundo.

    A utilização do vento para nosso benefício já é antiga, seja para produzir energia mecânica através de moinhos de vento ou impulsionar os barcos através de velas mas a sua utilização para produzir eletricidade é mais recente. A energia eólica apareceu com a crise do petróleo, nos anos 70. Nessa década, a Europa começou a sentir algum receio devido à escassez do petróleo, o que levou à procura de outras fontes de energia. Como o vento estava sempre disponível, porque não usá-lo para obter energia elétrica?

    Surgiram, assim, as primeiras turbinas com aproveitamento do vento para a obtenção de pequenas quantidades de energia. Nestas turbinas, a energia do vento é transformada em energia elétrica através de um equipamento chamado aerogerador, equipado com hélices que se movimentam com a velocidade do vento. A colocação dos aerogeradores ocorre normalmente em locais de altitude elevada ou na orla marítima, locais esses onde regularmente o vento tem grande intensidade.

    A utilização da energia eólica comporta numerosas vantagens face às energias tradicionais fósseis e mesmo em comparação com outros tipos de energias renováveis, em função do seu maior desenvolvimento. Como não polui, isto significa que não tem desvantagens? Infelizmente, não. Apesar das grandes vantagens em utilizarmos o vento para a produção de energia elétrica, este tipo de aproveitamento energético também apresenta algumas desvantagens e impactos significativos, principalmente no voo de algumas aves.

    TURBINAS EÓLICAS CAUSAM PERDA DE HABITAT PARA AVES PLANADORAS MIGRATÓRIAS
    TURBINAS EÓLICAS CAUSAM PERDA DE HABITAT PARA AVES PLANADORAS MIGRATÓRIAS
    O artigo que transcrevemos, em seguida, relata o impacto que a energia eólica pode ter no habitat de algumas aves planadoras e de que forma este tipo de instalações mudam a paisagem. Portugal, que é um dos países europeus onde a energia eólica tem mais peso e onde tem registado o maior crescimento desde 2005, começa já a estudar alguns desses impactos que podem existir nesta forma de produção de energia. No entanto, apesar das desvantagens, continua a ser uma excelente forma de produzir eletricidade sem aumentarmos os níveis de poluição do nosso planeta Terra.

    Um novo estudo, agora publicado no Journal of Animal Ecology

    (https://besjournals.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/1365-2656.12961), demonstra que o impacto da produção de energia eólica na vida selvagem pode ser maior do que se pensava; uma área com cerca de 650m a 700m de raio à volta de cada turbina eólica é espaço de voo perdido para as aves planadoras. Os investigadores recomendam o desenvolvimento de novas medidas reguladoras que permitam conciliar a conservação da vida selvagem com a produção de energia eólica em áreas importantes para a migração destas aves.

    Ao seguirem com equipamento GPS de alta-precisão o voo de 130 milhafres-pretos (Milvusmigrans) numa região povoada por turbinas eólicas, em Tarifa (sul de Espanha), e modelarem quais as áreas mais utilizadas por estas aves tendo em conta as condições do vento e o relevo, os investigadores verificaram que as turbinas eólicas causam uma perda significativa de espaço de voo para estas aves.

    “Os resultados demonstram que em torno de cada turbina eólica existe uma área com cerca de 650m a 700m de raio que é menos utilizada do que o esperado tendo em conta o seu potencial. Esta perda de habitat pode ser particularmente relevante para as aves planadoras, que no seu voo de migração estão restritas a utilizar áreas com condições de vento específicas. Para estas aves, pequenas perdas de área adequada de voo podem ter um grande impacto na sua viagem migratória”, explica Ana Teresa Marques, estudante de doutoramento no Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais – cE3c (Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa) e no CEABN InBIO e primeira autora do estudo.

    O estreito de Gibraltar é uma região-chave para a migração de aves de toda a Europa. A equipa internacional de investigadores desenvolveu este estudo na região de Tarifa, no lado espanhol do Estreito de Gibraltar, numa área de estudo que compreendia 160 turbinas distribuídas por sete parques eólicos. Para acompanhar o voo das aves, os investigadores utilizaram dispositivos de telemetria por GPS de alta resolução temporal (um ponto GPS a cada minuto) e precisão de 1.5 metros. Para modelar as regiões mais favoráveis ao voo destas aves, i.e. com correntes de ar térmicas ou orográficas ascendentes, os investigadores utilizaram dados sobre o relevo e direção e velocidade do vento.

    (...)

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    Por: Luís Dias

     

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