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Edição de 30-09-2020
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    Arquivo: Edição de 15-12-2018

    SECÇÃO: Saúde


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    Displasia da anca

    A consulta de Vigilância de Saúde Infantil no âmbito dos Cuidados de Saúde Primários, realizada pelo médico de família, pressupõe a avaliação da criança em diversas etapas do seu desenvolvimento físico, psicomotor, cognitivo e emocional. No exame físico do recém-nascido e lactente, é essencial realizar o exame da anca, até à idade em que é adquirida a marcha. Desta forma, é possível prevenir e tratar, em tempo adequado, patologias que podem condicionar a marcha da criança, nomeadamente a Displasia de Desenvolvimento da Anca.

    A Displasia de Desenvolvimento da Anca consiste numa alteração da anatomia da articulação coxofemoral, ou seja, num defeito ou malformação da articulação definida pelo “encaixe” da cabeça do fémur na anca. Na ausência de tratamento ou de diagnóstico tardio, a displasia da anca acarreta elevada morbilidade e consequências funcionais e físicas visíveis para criança a curto e longo prazo, afetando a sua qualidade de vida.A maioria dos casos de displasia da anca é unilateral, mais frequente à esquerda, rondando os 80% dos casos. Existe uma prevalência cinco vezes superior no sexo feminino e a sua causa não está bem definida ou conhecida, mas acredita-se na existência de predisposição genética, existência de história familiar, apresentação pélvica (“bebé sentado”) durante a gravidez, ou presença de pouco líquido durante a gestação que condicione a mobilidade do bebé.

    DIAGNÓSTICO

    Em todas as consultas de saúde infantil, desde o nascimento até ao início da marcha, deve então ser realizado o exame das ancas. Este consiste na procura e deteção precoce de sinais e manobras que indiquem instabilidade da articulação. Antes da aquisição da marcha, os sinais que podem levantar suspeita de displasia da anca, são a ausência de simetria das pregas da pele ao nível da região das nádegas e das coxas do bebé, a posição e movimentos espontâneos dos membros inferiores.Manobras provocadas pelo médico como as manobras de Ortolani e Barlow, avaliam a estabilidade da anca. Após a aquisição da marcha, pode-se observar alterações da mesma, com queda da bacia para o lado oposto à anca afetada, limitação da abertura das ancas, dismetria dos membros inferiores (“perna mais curta”).

    Na presença de algum destes sinais o exame de eleição até aos quatro a seis meses de idade é a ecografia das ancas do bebé. Após os 6 meses de idade é a radiografia (RX) da bacia (ancas).

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    TRATAMENTO

    O tratamento da displasia da anca deve ser realizado o mais precocemente possível na vida do doente, de forma a evitar complicações. A complicação mais frequente é a artrose da anca.

    A displasia da anca quando não tratada, evolui para artrose da anca, sendo responsável por cerca de 50% dos casos de cirurgia para colocação de prótese da anca.

    De facto, trata-se de uma doença relativamente comum, cujo diagnóstico por vezes não é feito atempadamente, é tardio e consequentemente acarreta elevada morbilidade.

    Em suma, torna-se de extrema importância a realização de um exame físico adequado à criança, até adquirir a marcha, de forma a despistar displasia da anca. Na suspeita do diagnóstico de displasia da anca, aconselhe-se com o seu médico de família, pois a orientação urgente para a consulta de ortopedia infantil deve ser realizada.

    Daniela Medeiros Coelho*

    *Médica Interna de Medicina Geral e Familiar Pós-graduada em Geriatria Clínica

     

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