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Edição de 20-10-2017
Jornal Online

SECÇÃO: Património


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Ainda a palavra “Ermesinde” (9)

Retomo agora a sequência elaborada por Reinaldo Beça, do seu artigo publicado. Há uma relação familiar entre todas estas pessoas e outras que se seguirão, quando for oportuno irei elaborar um quadro genealógico para se poder comprovar mais facilmente todas estas relações familiares.

Falemos agora da seguinte na lista.

AFONSO III DAS ASTÚRIAS
AFONSO III DAS ASTÚRIAS
Ermesenda Moniz,(ca. 905-962), Esta D. Ermesenda é a primeira referida na crónica de Reinaldo Beça, pois a outra Ermesenda Moneonis "Moniz", "deo vota", filha de Munio Viegas, o GascoIII, viveu cerca de 200 anos depois, mas pertencem à mesma família, e que falaremos noutra crónica.

Esta que iremos retratar, estará nos antecedentes de uma das famílias mais reconhecida dos primórdios do nosso país, a família dos Ribadouros, portanto de seu nome, D. Ermesenda Moniz "de Ribadouro", filha de Munio Guterres iniciador desta família altamente prestigiada do condado Portucalense. Teve diversos irmãos dos quais trataremos mais adiante.

Afonso III, o Grande, principia a reinar, em Oviedo, à morte de Ordonho, em 866. Governava as Astúrias e consolidou os territórios reconquistados da Galiza,foi sobre o seu impulso, nomeando capitães, tais como, Vímara Peres (Era nonagentesima sexta prenditusestPortugale ad Vimarani Petri - Na era de 906 - no ano de Cristo de 868, Portugale foi apresado por Vimara Petri), e Hermenegildo Guterres (que conquistou Coimbra), estava a tratar da mudança da capital do reino para Leão , quando morreu em Zamora em 910 (provavelmente no cerco à cidade que era dominada pelos mouros), dividiu o reino pelos seus 3 filhos. Por essa altura, cerca de 905, terá nascido a nossa protagonista, em terras portucalenses, pois que seu pai governava juntamente com LucidioVimaranes (filho e sucessor de Vímara Peres), presor de Negrelos e governador do condado de Ambas Maias.A afinidade destas famílias com a corte é muito próxima como se pode verificar pelo casamento de Ordonho II, rei da Galiza e depois de Leão, com a filha do conde Hermenegildo Guterres, Elvira Mendes de Coimbra. A proximidade destas famílias é muito grande, como se pode comprovar, pois o próprio filho de Vímara Peres, casou com a filha do conde Hermenegildo Guterres, Gudilona Mendes. Portanto foi neste contexto de reconquista, de fronteiras ainda não plenamente definidas, com as incursões permanentes e as "razias", de parte a parte,que nasceu e cresceu a nossa Ermesenda Moniz "de Ribadouro" .

ORDONHO II
ORDONHO II
Dos irmãos podemos, sabemos que GunsalvusMuniz, ca 909-981, conde de Coimbra,que foi casado com sua prima Tutadomna ou MumadonnaFroilaz, com propriedades em Leça e nessa zona, aparece em documentos régios de Ordoño II, Ramiro II e Sancho I, o Gordo.Documentado através das doações que efectuou ao mosteiro do Lorvão, as vilas de Cerzedo, Padalares e Serpins em 961, e Treixedo e outros bens em 981. Existem documentos em como detinha propriedades em Leça. Aparece em vários documentos régios de Ordonho II, Ramiro II e Sancho I, o Gordo, que mandou envenenar 965. No tempo do abades Árias de Guimarães, teve conflitos armados com o conde Gonçalo Mendes. Tendo sido casado com a sua prima D. Tota (Tutadomna ou Mumadona) Froilaz. Não havendo referência à vida de Ermesinda Muniz, e sendo este o irmão cabeça de casal da família seria muito natural que vivesse na sua corte. Existindo alguma documentação nesse sentido entre os anos 929 e 934.

Em 960, morre em Guimarães, a condessa MumadonaDías. Em seu testamento outorga a região de Aveiro ao mosteiro de Santa Maria da Oliveira em Guimarães .

Em 962 testemunha e confirma uma doação que sua mãe fez ao mosteiro de Celanova. Temos no mesmo ano estas referências, "…GuttierMunioni, HermesindeMunioni…" confirmou a carta de 11 de junho de 962, nos termos do qual "Giloyra" propriedade doada/herdada "inter germanos meos" de "genitorisetgenitricismeeArianiducisetHermesindeauctrixcometisse" Celanovapela a alma de "virimeiMunnionis", embora o documento não indique sua relação com o doador.

RAMIRO II
RAMIRO II
Sem dúvida foram os predecessores,da famílias dos de "Ribadouro", não se sabendo como aparece este nome, mas foi uma das grandes famílias ligadas à independência de Portugal. Foi ainda sobrinha de S. Rosendo, famoso bispo de Mondoñedo, e posteriormente santificado, padroeiro de Amarante, e ainda de D. Ermesenda Guterres já retratada anteriormente. Dos seus irmãos GutierreMuniz (ca. 910-999) foi conde de Burgos, aparecendo muitas vezes nas cortes de Ramiro II, Ordonho III e Ramiro III; outro dos irmãos foi Árias Muniz (ca. 913-973), e que foi bispo de Dume, Braga, em 948; GotonaMuniz (?-964) que casou com o seu primo Sancho Ordoñez, rei da Galiza em 924; Elvira Muniz que em 968 confirmou uma venda em Guilhabréu e em 978 vendeu metade de Moreira da Maia; Egas Muniz(ca. 915-954) conde dos Gascos da Galiza .

Após intensa investigação sobre esta senhora não conseguimos encontrar dados relevantes, não havendo qualquer indicação que tenha casado ou que tenha ingressado em qualquer mosteiro. Acredito que tenha acompanhado este irmão, Gonçalo Muniz, conde de Portucale, e sua cunhada e prima Tutodona ou MumadonaFroilaz,condessa de Portucale. Portanto terá sido uma figura pouco interventiva e que viveu na sombra do irmão e da cunhada, tendo provavelmente este administrado os seus bens. A partir do ano de 962 não se consegue obter qualquer sinal de vida.

ORDONHO III
ORDONHO III
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Por: Carlos Marques

 

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