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Edição de 20-10-2017
Jornal Online

SECÇÃO: Saúde


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O que é a Gota?

A gota é das doenças reumáticas mais comuns no adulto. Constitui uma doença de causa inflamatória consequente do aumento de ácido úrico no sangue (hiperuricemia); resultando em deposição de cristais de ácido úrico nas articulações e tendões que podem originar uma reação inflamatória aguda (crise de gota).

A gota afeta maioritariamente os homens a partir dos 40 anos, sendo as mulheres menos afetadas e quando o são, a doença ocorre numa idade mais tardia, perto dos 60 anos. A gota e consequentemente os níveis aumentados de ácido úrico no sangue constituem um fator de risco importante para o aparecimento de artrite gotosa ("crise de gota"), litíase renal (formação de "pedras" nos rins) e de doença cardiovascular.

Com o avançar da idade, os níveis de ácido úrico no sangue tendem a aumentar e estes mesmos níveis variam consoante determinadas características de cada pessoa, como o peso, a altura, a pressão arterial e até mesmo o consumo de álcool. Por isso que a obesidade, diabetes tipo 2 e hipertensão arterial são fatores de risco para o aparecimento de gota. Outros fatores de risco são: insuficiência renal, hipotiroidismo (doença da tiroide), triglicerídeos elevados, história de familiares com gota e o uso de alguns medicamentos como é o caso de determinados diuréticos.

Sintomas

Os cristais de ácido úrico têm características inflamatórias e a deposição destes origina uma reação de inflamação intensa e repentina, localizada na articulação afetada ("crise de gota"). A forma de manifestação mais comum é o atingimento de uma articulação, a do primeiro dedo do pé, causando inchaço, rubor, calor, dor muito intensa e por vezes febre. Apesar de esta ser tipicamente a primeira manifestação, crise de gota pode abranger diversas articulações em simultâneo. Tipicamente as articulações mais atingidas são as articulações dos dedos das mãos, punhos, cotovelos, joelhos, tornozelos.

As crises de gota por norma são limitadas no tempo, mesmo que não se faça medicação o seu alívio ocorre ao fim de alguns dias. Com a evolução da doença as crises podem tornar-se cada vez mais frequentes e com o passar do tempo, estando as articulações sujeitas a repetidos processos inflamatórios, haver o desgaste das mesmas. A destruição das articulações leva a deformação das mesmas, associadas a dor e limitação da mobilidade das articulações atingidas. Por vezes observam-se os chamados tofos gotosos que são formados pelos depósitos de ácido úrico, observando-se por exemplo nos dedos das mãos pequenas nódulos ou tumefações à volta das articulações das falanges.

Diagnóstico

O diagnóstico de gota é baseado no conjunto de várias informações como a história clínica do doente, baseada na apresentação dos sintomas e em exames que evidenciam o aumento de ácido úrico, como análise de sangue e/ou urina. Pode também ser importante a realização de alguns exames de imagem, como Raio X ou ecografia, de forma a tentar perceber existe alguma lesão articular.

Tratamento

A importância do tratamento da gota subdivide-se no tratamento das crises de gota e na diminuição de ácido úrico de forma a prevenir o aparecimento das crises e a melhorar as lesões provocadas. Os anti-inflamatórios são a opção terapêutica mais comum no tratamento das crises, assim como a aplicação de gelo e repouso.

O tratamento a longo prazo, na maioria dos casos é para a vida toda, sendo o medicamento usado para este efeito o alopurinol. A sua ação passa por reduzir os níveis de ácido úrico no sangue e desta forma prevenir o aparecimento das crises de gota e as suas complicações como é o caso da destruição articular. Para um tratamento bem sucedido é igualmente importante rastrear e tratar condições associadas ao aparecimento de Gota, como a obesidade, hipertensão arterial, diabetes, dislipidemia (colesterol elevado) e litíase renal ("pedras nos rins").

Prevenção

A adoção de estilos de vida saudáveis acaba por ser a atitude preventiva para qualquer condição patológica, na prevenção da gota não é exceção. Para além de estar recomendada a prática de exercício físico também o reforço de ingestão de água e cuidado com a alimentação, são medidas que devem adotadas. Alimentos que aumentam o ácido úrico como as bebidas alcoólicas, carne vermelha, enchidos, marisco e peixe (salmão, sardinha) devem ser evitados durante as crises e ingeridos com moderação.

Se apresenta algum dos sintomas referidos ou tem dúvidas consulte o seu médico de família que o aconselhará da melhor forma.

Por: Daniela Medeiros Coelho*

*Médica Interna de Medicina Geral e Familiar, Pós-graduada em Geriatria Clínica

 

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