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Edição de 31-05-2019
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    Arquivo: Edição de 31-01-2017

    SECÇÃO: Património


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    Ainda a palavra “Ermesinde”

    Tomando como base o artigo publicado na Voz de Ermesinde, na edição de 20-12-2008, por Reinaldo Beça, decidi fazer um levantamento de todas as damas medievais, referidas pelo autor acima referido, e acrescentar outras da mesma época e com o mesmo nome da nossa cidade.

    Constatamos que era um nome relativamente vulgar por estas épocas como iremos demonstrar.

    ERMESINDA PELAYS

    ERMESINDA DAS ASTÚRIAS, POR FRANCISCO JOAQUÍN GUTIÉRREZ DE LA VEGA, 1854. (MUSEU DO PRADO, MADRID)
    ERMESINDA DAS ASTÚRIAS, POR FRANCISCO JOAQUÍN GUTIÉRREZ DE LA VEGA, 1854. (MUSEU DO PRADO, MADRID)
    Apesar de ser uma rainha da qual sabemos bastante, comparada com outras da mesma época, pois vem registada em quase todas as crónicas da época, pouco ou nada sabemos sobre a sua origem e juventude.

    Com o passar do tempo, e com a progressiva despovoação da Meseta e do Vale Médio do Ebro, onde se situavam as principais praças-fortes do Ducado da Cantábria, como Amaya, Tricio, ou a Cidade da Cantábria, os descendentes do Duque Pedro foram-se progressivamente transladando para a região cantábrica e aí se misturaram com os destinos do Reino das Astúrias. Para além disto sabemos que, esta Ermesinda ou Ermesenda Pelays , também será descrita pelos nomes de Hermesinda, Hermesenda, Ermisendaou Ormisenda, pois era um nome algo vulgar dentro da comunidade goda, pelo menos, pós invasão muçulmana. Terá nascido entre os anos de 692 e 693, em Tineo, Astúrias, próximo de Oviedo, não estando documentado. Esta era uma região de montanha, a actividade principal seria a pastorícia, e a criação de gado. A criação de gado cavalar, era fundamental para o estado de guerra permanente, as terras agrícolas não eram muitas, e de difícil trato. Em suma, uma vida árdua e difícil.

    Terá sido neste contexto, que Ermesinda terá conhecido Alfonso, filho de Pedro, Duque de Cantábria, quando este se deslocou a Cangas a pedido de Pelágio, e por influência deste dá-se a união das duas casas.

    Finalmente, acordado o compromisso, casou com o filho do duque da Cantábria, a influência do seu pai foi fundamental para esta união, de seu nome Alfonso, ("Adefonsus… cumuxore sua Regina Ermesinda" como refere o"SebastianiChronicon"). Devido aos acontecimentos ocorridos com o sucessor e filho de Pelágio, o rei Fávila, que em 739, e após dois anos de governo, terá morrido devido a um acidente de caça. Tornando-se vago o trono, a irmã do rei falecido seria a herdeira natural, mas devido ao direito godo, e porque esta é casada, transmite os seus direitos ao trono das Astúrias, ao seu esposo, que passa então a chamar-se Alfonso I das Astúrias.

    Sabe-se pelo que foi descrito pelas crónicas que foi uma grande senhora, pois foi a primeira mulher em que as chamadas "Crónicas Asturianas" a citaram pelo seu nome próprio. Aparece escrito como Ermesinda "CronicaRotensis" - "Filiam Pelagiinomen Ermesinda inconiungioaccepit." e Bermesinda, no "CodiceAlbeldense" - "Et dum Asturiasuenit, BermisindamPelagi filiam Pelagioprecipienteaccepit.", talvez por deturpação ou erro de cópia de Hermesinda. A sua menção, nas crónicas, é explicada pela importância que teve o seu casamento com Alfonso, filho de Pedro, Duque de Cantábria, "Adefonsus… Petri, Cantabriaeducisfilius", e que é o primeiro exemplo de relação política, "aliança" entre duas regiões, na monarquia asturiana. Que o casamento era extremamente importante, não há dúvida, pois legitima toda a linhagem descendente do Duque da Cantábria, Pedro, e de Pelágio, pois com a morte prematura de Fávila, não havia descendência, libertando o caminho da sucessão de Alfonso e o trono asturiano. Se considerarmos a data de nascimento de Fruela I, filho e sucessor de Alfonso, e que teria nascido em 722, poderíamos supor que teria casado em 721 com mais ou menos 25 a 28 anos (idade algo tardia para esta época), também seria a idade aproximada de Ermesinda.

    Sabe-se que o marido Alfonso faleceu a 757, e sabe-se também que Ermesinda não terá sobrevivido muitos anos ao marido, não se sabendo a data exacta do seu falecimento, mas que terá ocorrido algures nas Astúrias, provavelmente, em Gangas de Onís.Segundo o Bispo Sebastião de Salamanca, refere na Primeira Crónica General que estaria sepultada, no Mosteiro de Santa Maria, próximo de Cangas de Onís, segundo outro cronista do século XVI, estaria no mesmo local do seu esposo, denominada "Santa Cueva de Covadonga". O seu túmulo estaria localizado na cabeceira da igreja, de frente para o altar principal numa pequena caverna. É um sarcófago de pedra lisa, cuja cobertura é uma única peça de pedra, quatro pés de largura na cabeça e dois nos pés, como um caixão, mas com um apartamento em vez de uma cobertura abobadada. O comprimento é de doze pés e três de altura. Nesta sepultura está gravada o seguinte epitáfio:

    SEPULTURA PELÁGIO
    SEPULTURA PELÁGIO
    "AQVI YAZE EL CATOLI

    CO Y SANTO REI DON

    ALONSO EL PRIMERO

    I SV MVJER DOÑA ERME

    NISINDA ERMANA DE DON

    FAVILA A QVIEN SVCEDIO.

    GANO ESTE REY MVCHAS VI

    TORIAS À LOS MOROS. FALLECIO

    EN CANGAS AÑO DE 757."

    Não se sabe, com certeza, a data do seu falecimento, mas sabe-se que sobreviveu ao marido, apesar de por curto tempo.

    Depois de toda esta investigação, podemos concluir, que o nome da nossa cidade não poderia ter tido origem nesta rainha, pois para além de toda a sua vida ter sido nas Astúrias, e nada nos faz crer que antes da invasão teria aqui vivido ou teria aqui bens. Toda esta região se manteve sob o domínio muçulmano, pelo menos até 868, com a tomada do Porto, por Vímara Peres. Só por essa época, é que toda esta região entre Douro e Ave foi de alguma forma pacificada, e talvez tivesse início um tímido povoamento, pois até aí era uma zona de guerra permanente.

    BIBLIOGRAFIA:

    Alfonso III. (1918). Crónica de Alfonso III. Madrid.

    Brandão, F. L. (1973). Monarquia Lusitana (Parte Terceira). Lisboa: Imprensa Nacional; Casa da Moeda.

    Del Arco y Garay, R. (1954). Sepulcros de la Casa Real de Castilla. Madrid: Instituto Jerónimo Zurita, Consejo Superior de Investigaciones Científicas.

    Fernandez, J. G., Moralejo, J. L., & Ruiz de la Peña, J. I. (1985). Cronicas Asturianas. Oviedo: Universidad de Oviedo.

    Ferreira, J. A. (1928-1934). Fastos Episcopaes da Igreja Primacial de Braga: Sec. III-Sec.XX. Braga: Mitra Bracarense.

    López, E. G. (1957). Grandeza y Decadencia del Reino de Galicia. Buenos Aires: Editorial Citania.

    Marínez Díez, G. (2005). El Condado de Castilla (711-1038): la historia frente a la leyenda. Valladolid: Comunidad Autonoma.

    Mattoso, J. (1992). História de Portugal (Vol. I). Lisboa: Círculo de Leitores.

    Risco, F. M. (1789). España Sagrada (Vol. Tomo XXXVII). Madrid: Ofcias de Blas Roman.

    Valle Poo, F. (2000). El solar de un Viejo Reino. Cangas de Onís-Covadonga-Picos de Europa, Astúrias, Espanha: Ediciones Nobel S. A.

    1 Considerada uma palavra portuguesa no Diccionario d'appellidos portugueses, de Pedro Augusto Ferreira, 1908, Porto, como se faz referênciana página 132, como Ermezinde como se escrevia há uns anos atrás, e ainda se refere às palavras Ermezindae Ermezindo, que terão importância neste estudo.

    2 Pelays, filha de Pelágio

    3 Que se tenha conhecimento foi o primeiro casamento realizado com a finalidade da união estratégica de duas regiões peninsulares, as Astúrias e a Cantábria.

    4 Em espanhol o nome Ermesinda é precedido do H, ficando Hermesinda.

    5 Del Arco y Garay, Ricardo (1954). "Chapter X". Sepulcros de la Casa Real de Castilla. Madrid: Instituto Jerónimo Zurita. Consejo Superior de Investigaciones Científicas. p. 131. "Su tumba esla que está al cabo de laIglesiafronterodel altar mayor, en una pequeñacueva. En partes está labrada. Esunlucillo de piedra lisa, concubierta de una pieza, de cuatro pies de ancho a lacabecera y dos a los pies, como ataúd, perocubiertallana y no tumbada. Su largo, doce pies y tresen alto."

    Por: Carlos Marques

     

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