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Edição de 31-03-2021
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    Arquivo: Edição de 30-05-2014

    SECÇÃO: Opinião


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    A guerrilha socialista

    António José Seguro percebeu o que queriam os seus opositores no partido e, num golpe de mestre, fê-los meter a viola no saco e a mostrarem claramente ao que vinham: cheira a poder, queremos estar na linha da frente quando soar a trombeta para eleições legislativas. Por isso, caro Seguro, sai!, que Costa e seus “muchachos” querem rapidamente tomar a primeira fila.

    Não temos filiação partidária, donde as decisões que venham a ocorrer no PS só nos preocupam enquanto cidadão, o que não é pouco, sabendo que se trata de partido do arco do poder, não sendo, por isso, indiferente quem seja por si referenciado para governar o país.

    A proposta de António José Seguro deverá ser acarinhada por se inserir naquilo que comentadores, analistas, académicos e políticos recorrentemente defendem: ser preciso reformular o funcionamento dos partidos para que a democracia não corra desnecessários riscos de fragilização.

    Ora admitir que militantes e simpatizantes de um partido escolham pessoas diferentes para gerir o partido e governar o país é reconhecer o óbvio: há pessoas com perfil adequado para mobilizar as estruturas partidárias onde o objetivo principal é sensibilizar o eleitorado para as suas propostas, mas se chamadas a exercer funções de primeiro-ministro são um desastre com incalculáveis custos para o país. O princípio de Peter tem aqui perfeito cabimento. E evitá-lo revela sabedoria. O contrário é tomar o poder para servir as clientelas e amiguismos.

    Esperemos, por isso, que a crise latente no Partido Socialista se salde por introduzir na vida partidária portuguesa o recurso a eleições primárias para escolha de quem os eleitores desejam ver como seu primeiro-ministro, deixando as eleições limitadas aos militantes para quando se tratar de escolher os dirigentes do partido.

    Isto faz todo o sentido quando se tenha presente que o conjunto dos militantes socialistas rondará os oitenta mil, enquanto o universo previsível que poderá participar num processo de eleição aberto a simpatizantes poderá abranger muitas centenas de milhares. E não se argumente que a iniciativa anunciada por Seguro é complexa e demorada de montar. Bastará escolher o que já foi praticado em Itália e em França e rapidamente marcar data para as eleições primárias, designado o período para os interessados apresentarem as respetivas candidaturas.

    Se assim acontecer, os portugueses poderão vir a agradecer a António José Seguro pelo excelente serviço prestado ao regime democrático português, criando as condições para que sejam chamados ao Governo do país aqueles que uma maioria significativa de eleitores entendem reunir as melhores condições para o bom exercício da função.

    Por: A. Alvaro de Sousa

     

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