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Edição de 30-09-2020
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    Arquivo: Edição de 01-03-2014

    SECÇÃO: Editorial


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    Em busca das raízes do nosso Carnaval

    Em tempo de Carnaval lembramos as velhas tradições do Entrudo celebrado com comida farta e melhorada.

    Na nossa região come-se cozido à base de carne de porco ou feijão guisado com orelheira, a que muitos acrescentam rabo e pé de porco, presunto toucinho e salpicão.

    No Porto e arredores é realmente a orelheira que impera, cozida acompanhada de legumes ou feijão, e até com arroz, é o caso das merendas de arroz de Paços de Ferreira.

    Procurar a origem de todos estes festejos é mergulhar num mundo entre o profano e o sagrado em que, para a religião católica, é fácil encontrar justificação a partir do século XI, altura da implantação da Semana Santa antecedida do jejum da Quaresma.

    Este longo período de privações acabaria por incentivar a realização de diversas festividades nos dias que antecediam a Quarta-Feira de Cinzas, primeiro dia da Quaresma.

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    Para trás, como sempre, fica o mistério, é o Carnaval, um ritual de purificação e expulsão das forças malignas do Inverno, festas «em vista do renovo da vegetação, que tiveram a sua última forma expressa nas Saturnais romanas. Elas comportam originariamente o sacrifício anual do rei, que transparece nos actuais enterros do Entrudo nas suas várias personalizações burlescas, nas lutas do Verão e do Inverno». (1)

    Dessas tradições ainda encontramos alguns vestígios como o enterro do João, a queima do galheiro, o dia das Comadres e o dia dos Compadres, o pai velho de Lindoso... Todos estes festejos terminavam com o fogo, a queima dos bonecos, sinónimo de purificação, o fim do Inverno, a morte do mal e a esperança na nova Primavera.

    Tempo de liberdade, de prazer e mal dizer – é Carnaval, ninguém leva a mal!

    Desse Carnaval rural temos ainda bons exemplos em Trás-os-Montes, os Caretos de Podence, que no Domingo Gordo e Terça-Feira de Carnaval percorrem as ruas e vielas da terra em bandos frenéticos a correr atrás das raparigas solteiras para as chocalharem. Ou os diabos de Vinhais. Aí a morte, acompanhada da Censura e dos diabos, sai à rua na Quarta-Feira de Cinzas.

    No Renascimento aparecem os bailes de máscaras, com ricas fantasias e os carros alegóricos.

    Em fins do século XIX e princípios do século XX, na nossa terra, o Carnaval era festejado em espaços públicos e em privados.

    O Carnaval da rua era o mais popular e por vezes violento, era hábito esfregar a cara das pessoas com pó de talco, fuligem e cinzas das lareiras, graxa e outras gorduras, e borrifavam-se as pessoas com água, e outros líquidos.

    Nas casas particulares as famílias mais abastadas divertiam-se organizando bailes de máscaras.

    Na classe média organizavam-se assaltos, atirava-se talco, confettis e os mais novos lançavam rolos de fitas coloridas.

    Faziam-se partidas como a de colocar pedaços de papel nas costas das pessoas, imitando caudas de animais, levavam-se doces, ratos, centopeias, moscas, tudo a fingir, que se colocavam pela casa ou na mesa de refeições, de preferência no meio dos alimentos.

    Em Ermesinde, na Segunda-Feira de Carnaval, os mascarados desfilavam pela feira, alguns vinham das terras vizinhas de comboio.

    O guarda-roupa destes mascarados era muito improvisado, quase sempre os homens vestiam-se de mulheres e as mulheres de homens. Representavam muitas vezes cortejos de casamentos, a noiva, sempre um homem com uma grande barriga e um ramo de flores, que nalguns casos era uma couve-galega. Figuras isoladas como espanholas, bruxas com a respetiva vassoura e homens vestidos de raparigas com cabeleiras e grandes seios, com lábios muito pintados, outros de criadas de servir.

    As crianças quando podiam improvisavam um vestido de princesa. Uma roupa velha dava uma roupa de cigana, de camponesa, de pastor, e por vezes vestiam roupas tradicionais de outras terras.

    Hoje, como em tudo, passamos de colonizadores a colonizados, e até no Carnaval isso acontece.

    (1) Ernesto Veiga de Oliveira, “Festividades Cíclicas em Portugal”.

    Por: Fernanda Lage

     

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