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Edição de 31-03-2021
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    Arquivo: Edição de 31-12-2013

    SECÇÃO: Património


    TEMAS ALFENENSES

    A emigração para o Brasil e as suas marcas na paisagem urbana de Alfena (2)

    Fotos ARQUIVO AL HENNA
    Fotos ARQUIVO AL HENNA
    Os irmãos Francisco e José Martins Borralho, nascidos em Alfena, por volta de 1695, provavelmente no lugar da Ferraria, onde, ainda hoje, não faltam Borralhos, agora como alcunha, porque há muito desistiram do seu apelido ancestral, talvez por conotação pejorativa, emigraram para Minas Gerais nos primeiros anos de 1700, tempo da corrida ao ouro, dedicados à mineração ou ao garimpo, em busca da tão ansiada fortuna. Aí, também eles desistiram do apelido Borralho, adotando, em seu lugar, o nome da sua terra natal, passaram a ser os Martins Alfena. 

    É bem provável que após exaustão das jazidas se tenham dedicado à agricultura, afinal a sua ocupação dos tempos de infância pelos campos da Arrancada, dos Agueiros ou da Bajanca, ou a apascentar o gado nas terras mimosas das nascentes de Saínhas.

    Certo é que alguns dos filhos conseguiram obter carta de Sesmarias, onde fundaram as suas fazendas, no limite das quais viriam a promover a edificação de uma pequena ermida em honra de N. Sra. das Dores e S. José, originando, tempos depois, a implantação, à sua volta, de um arraial, o Arraial de S. José dos Alfenas. 

    Assim nasceu Alfenas, hoje uma importante cidade do Estado de Minas Gerais, com 75 000 habitantes, que deve a sua fundação à nossa  gente, para nós, alfenenses, justo motivo de orgulho.

    Referimos em anterior crónica nesta página o Comendador Manuel Moreira Duarte Matos, grande comerciante da Praça do Rio de Janeiro, sem esquecer os sócios da importante Sociedade Vieiras, Mattos & Cia, o seu irmão Francisco, bem como seu sobrinho e afilhado, o também Comendador e grande benemérito Manuel Martins Ferreira de Matos e seus irmãos Vicente e José.

    A Vieiras Mattos & Cia, fundada em 1866, era detentora,  no primeiro quartel do Séc. XX, da maior quota de produção e comercialização de sal, o seu principal negócio, em todo o Brasil. Com filiais em vários Estados estendeu, nessa época, a sua atividade à indústria cerâmica, águas minerais, transportes e agricultura.

    Como sabemos, deve-se ao  Comendador Ferreira de Matos a construção do belo edifício da Escola Idalina Matos, inaugurada em 1927, hoje Centro Cultural.

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    Manuel Luís Arruda, natural do lugar do Reguengo, cedo partiu para o Brasil onde terá  acumulado bom pecúlio, o suficiente para compor cunhados e cunhadas, permitindo--lhe o consórcio, cerca de 1850, com Maria Antónia Martins Moutinho de Ascensão. Não só compôs os herdeiros como adquiriu diversas propriedades, aumentando assim a sua casa agrícola, em Punhete, vindo a construir o edifício lá existente, que, aliás, não concluiu, restou toda uma ala por construir, porque, entretanto, ocorreria o seu falecimento.

    Por último, uma referência aos Almeidas, ou de uma forma mais abrangente, aos "Padeiros”, alcunha que lhes ficou pela profissão dos antepassados, oriundos de Valongo. 

    Florindo de Sousa Almeida, nasceu na Codiceira, em 19-03-1843, terá partido para o Brasil por volta de 1870, com seu irmão Manuel e seu primo António Marques da Fonseca (Marques Padeiro), constituindo em sociedade uma firma de serração de madeiras e carpintaria, sua anterior profissão. Mais tarde chegaram os sobrinhos Carlos dos Santos Almeida, futuro genro de Florindo e seu sucessor à frente da Firma, António dos Santos Almeida e António Bento Ferreira, sobrinho-neto.

    Regressados a Alfena no início do Séc. XX, Florindo Almeida encetou a construção dos edifícios sitos na Rua 1º de Maio, 1876 (Baguim) e Rua 1º de Maio, 2548 (Codiceira), seu irmão Manuel, na Rua 1º de Maio, 2584 (Codiceira), António Marques da Fonseca o edifício situado na Rua de S. Lázaro, (Restaurante Casarão) e, finalmente, Carlos dos Santos Almeida o mais belo e imponente edifício que em Alfena existiu, o Palacete, onde hoje se situa o Salão Plaza, mais metro menos metro, destruído, em 11-01-1963, por um violentíssimo incêndio.

    Eis pois, as marcas que os "nossos brasileiros" torna-viagem nos deixaram e que desde há um século moldam a paisagem urbana de Alfena..

    Por: Arnaldo Mamede - Al Henna

     

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