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Edição de 31-05-2019
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    Arquivo: Edição de 20-09-2013

    SECÇÃO: Editorial


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    Feiras das colheitas

    Verão está a acabar, é tempo de colher, transformar e tratar os produtos agrícolas para o sustento da família e vender os excedentes para compensar outros gastos, fazer investimentos, cuidar da casa, prevenir o futuro.

    Diria que quem semeou e tratou tem agora a sua recompensa, mas nem sempre é assim, a natureza, tal como a vida, prega-nos por vezes muitas partidas.

    De qualquer forma este era o tempo supremo da vida rural. Para além da azáfama da vida nos campos, era tempo de festa, festa no campo, festa nas casas, festa nas feiras, festa na terra em honra dos santos protetores dos seres humanos, dos animais, das searas, das vinhas.

    Tempo de acertos de contas, pagavam--se rendas, foros, impostos e côngruas em produtos da terras.

    Encontrei um documento do meu bisavô que assinalava o pagamento de um foro em milho, galinhas e capões.

    Eu ainda tenho os sacos de estopa que transportavam o milho com que os meus avós pagavam a côngrua.

    Tempo de feiras anuais, das colheitas, de S. Miguel e das feiras novas.

    Feiras que com o seu desenvolvimento em muito contribuíram para o aumento da circulação da moeda e o desaparecimento da troca direta.

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    A feira de Ponte de Lima, que se realiza desde 1125, é uma das mais antigas, bem como a de Melgaço. Mas para mim, e certamente para a maioria dos lavradores de Ermesinde, a grande feira de S. Miguel era a de Vila Nova de Famalicão, fundada em1205 no reinado de D. Sancho I.

    Era a feira por excelência, fui lá muitas vezes com o meu pai, adorava a feira do gado e lembro-me de, muito pequena, pedir ao meu pai que me desse uma junta de vitelos de raça barrosã, para mim eram bois em miniatura, sempre gostei de brincar às quintas…

    Em Famalicão comprava loucinha de barro enquanto o meu pai procurava mais umas ferramentas.

    As máquinas e as alfaias agrícolas eram encantadoras, só que eram muito grandes, não havia miniaturas…

    Das feiras mais antigas lembro-me ainda da de Castelo Mendo em Almeida.

    Mais tarde apareceram as feiras novas que se espalharam por todo o país.

    As feiras ditavam o preço das colheitas em função da oferta e da procura, que nem sempre correspondia à abundância ou escassez dos produtos, dependia de outros fatores, como por exemplo dos compradores que apareciam.

    Este rever da vida rural levou-me a pensar que nem sempre quem semeia, quem trabalha, quem cuida, é compensado.

    No entanto neste setembro, com eleições à porta, espero que quem semeou, quem trabalhou, quem apresentou bom produto seja compensado e quem vendeu gato por lebre, quem se limitou a vender banha da cobra seja penalizado.

    Mas mais importante ainda é que nesta “feira”de ideias não sejamos aldrabados e que cada um de nós procure e persevere no que quer para a sua vida, independentemente do partidarismo excessivo com que são tratados os problemas da nossa governação.

    Setembro – tempo de procura, de recolha dos bens necessários para enfrentar tempos difíceis, tempo de reflexão e escolha do caminho a percorrer.

    Por: Fernanda Lage

     

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