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    Arquivo: Edição de 28-02-2013

    SECÇÃO: Editorial


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    Dia da Mulher

    Festejar as conquistas alcançadas, lembrar a luta das mulheres, no passado e no presente, denunciar e lutar pelos direitos das mulheres que continuam a diferentes velocidades: «entre duas “Europas” que se confrontam, entre a Ásia e a África, entre o norte e o sul da América, há mulheres a quem são vedados os mais elementares direitos humanos e cometidas as mais profundas atrocidades». (1)

    Durante séculos a mulher foi vista como um ser frágil que o homem aparentemente protegia, negando-lhe toda a capacidade de intervenção ativa na sociedade.

    (…) «Impediram-na de fazer ouvir a sua voz no questionamento fundamental e colectivo à existência que permite pertencer a uma sociedade cultural, caracterizada por indivíduos providos de sensibilidade, inteligência e vontade». (1)

    Alguém dizia que uma mãe que dedica a sua vida, de corpo e alma, ao marido e à família é amada e estimada… e desprezada.

    No período em que vigorou em Portugal o Estado Novo era dominante a ideia de que «à mulher cabia sacrificar-se em proveito da família (…), esta deveria aceitar o destino de Deus, resignar-se perante a dor e as penas que lhe coubessem suportar». (2)

    Até 1967 a legislação admitia, de facto, como fundamento para o divórcio a ocorrência de sevícias e injúrias gravas, no entanto «se os maus-tratos forem infligidos pelo marido à mulher, sem exceder os limites de uma moderada correcção doméstica eles não constituirão sevícias capazes de justificar o pedido de divórcio.» (2)

    Os maus tratos eram portanto aceites e desculpáveis e muitas vezes referidos nos ditos populares, como um dos mais conhecidos: “Quanto mais me bates, mais gosto de ti”.

    Embora tenha sido com o 25 de Abril e as conquistas de uma sociedade democrática e mais justa que no nosso país as questões da paridade e o apoio às mulheres vítimas de violência se veio a acentuar, em muitos países civilizados o papel da mulher na sociedade tinha já sofrido profundas alterações nos valores morais e culturais segundo os quais hoje vivemos.

    Muitos questionam se faz sentido um Dia da Mulher, convencidos que as conquistas alcançadas já atingiram a paridade desejada. Como se enganam!, o mundo continua a ser governado por homens, homens esses que em muitos casos maltratam as mulheres.

    Também é vulgar pensar-se que os casos de violência sobre as mulheres são exercidos apenas por homens sem instrução, o que não é verdade, a violência e os maus tratos atingem todos os estratos sociais.

    Vivemos momentos difíceis que em muito poderão contribuir para o aumento da violência e dos maus tratos, o desemprego, a falta de dinheiro para os bens essenciais, a fome, a falta de esperança para viver...

    São mais uma vez as mulheres que continuam a fazer milagres de divisão e partilha com os seus, que acolhem os filhos sem emprego, e quantos desses casos não serão também eles motivos de discórdia!...

    Comemoremos o dia 8 de março, se possível com alegria, porque nos últimos 100 anos a mulher mudou o mundo em muitos setores, não para ser melhor que os homens, mas para ser ela própria.

    «Não desejo que as mulheres tenham poder sobre os homens, mas sobre si mesmas». (3)

    (1) http://www.glfp.pt/glfp/sinteses_pdf/a_insercao_da_mulher_na_sociedade_do_seculo_(XXI.pdf

    (2) “História da Vida Privada em Portugal. Os Nossos Dias”. Cláudia Casimiro. Tensões, tiranias e violência familiar. As mulheres: quem cala…consente?

    (3) Simone de Beauvoir

    Por: Fernanda Lage

     

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