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Edição de 31-03-2021
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    Arquivo: Edição de 31-01-2013

    SECÇÃO: Editorial


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    EDITORIAL

    Revolucionários conservadores

    Encontrei há dias um amigo que me dizia: – somos uns revolucionários conservadores, sempre estivemos agarrados a tudo que nos cercava; hoje por mais que o mundo se altere continuamos na mesma, cheios de encargos e impostos, mas continuamos agarrados ao património dos nossos antepassados numa perspetiva de conservar e preservar o que nos deixaram. Somos assim com as nossas coisas pessoais, com o património das nossas terras, do nosso país.

    Na verdade sempre nos encontramos nas lutas pela defesa do património cultural e natural. Aprofundamos os nossos conhecimentos em conversas e ações de formação, participamos ativamente em associações de Defesa do Património.

    Hoje dei comigo a fazer o balanço de toda esta trajetória.

    Foto URSULA ZANGGER
    Foto URSULA ZANGGER
    Na verdade, nesses meios, aprendeu-se a respeitar e admirar o trabalho dos outros, desenvolveram-se ações de solidariedade, respeito mútuo, ética, responsabilidade social e cooperação. Aprendemos o valor da memória de um povo e a importância das suas raízes.

    Hoje as escolas, as juntas de freguesia, as câmaras municipais em colaboração com diferentes associações e outros organismos realizam por este país fora um trabalho de sensibilização e defesa do Património Cultural e Natural muito significativo.

    O Património Cultural e Natural é algo que faz parte da vida de cada um de nós e como tal precisa ser respeitado, mas se o queremos respeitar temos que o conhecer e dar a conhecer aos outros, por isso a importância das visitas orientadas a locais de interesse ambiental, histórico e cultural.

    Muitas câmaras municipais e juntas de freguesia têm acarinhado e compreendido as festividades cíclicas que se desenvolvem ao longo do ano no nosso país, é o caso do “Enterro do João” que se realizará mais uma vez em Ermesinde.

    Ernesto Veiga de Oliveira refere no livro “Festividades Cíclicas em Portugal” que esta tradição do “Enterro do João” se realizava «numa região limítrofe do Porto, situada a norte da Areosa e compreendida nas antigas Terras da Maia».

    O “Enterro do João” caracteriza-se por uma série de aspetos verdadeiramente notáveis: «a conotação complexa da personagem central, o seu nome, tipo, figura o seu sentido geral indecoroso, burlesco, visceral, libertino e erótico, corporizando e representando integralmente um período de completa liberdade licenciosa, que, seja qual for a sua natureza, é concebida por uma forma difícil de superar, e se manifesta na aparência do boneco, na natureza dos actos, palavras e atitudes que em relação a ele e sob o seu signo e inspiração se praticam». (1)

    No Carnaval ninguém leva a mal e como tal não admira que o povo aproveite este tempo para criar, adaptar ou conservar com toda a liberdade o seu gosto, mentalidade e desejos.

    É tudo uma questão de cultura, e não me admirava nada que este testamento com uma boa dose de criatividade, mesmo com alguma brejeirice, venha a ser enriquecido com realidades mais próximas das nossas vivências.

    Mas voltemos aos revolucionários conservadores, na minha juventude defender a cultura popular era um ato revolucionário, e hoje não me sinto conservadora por considerar que não podemos perder a memória e as raízes dos nossos antepassados, mas acrescento que é fundamental construir património que integre o que de melhor esta e as novas gerações consigam legar.

    (1) Ernesto Veiga de Oliveira, “Festividades Cíclicas em Portugal”, Publicações Dom Quixote, 1984.

    Por: Fernanda Lage

     

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