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Edição de 31-03-2021
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    Arquivo: Edição de 30-06-2012

    SECÇÃO: Música


    Entrevista com Marcelo Aires – percussionista

    Nasce a 12 de junho de 1990. O gosto pela música desde muito cedo despertou – com 2 anos de idade dá os seus primeiros passos na bateria, tendo aos 3 iniciado o estudo deste instrumento, apoiado e acompanhado de perto desde sempre pelo seu pai, Rui Aires (guitarrista). Aos 7 anos ingressa no Conservatório de Música do Porto, na classe de percussão, onde conclui o 6º grau de formação, e onde consolida muitas das bases técnicas e musicais essenciais à sua formação como músico. Aqui participa em todo o tipo de eventos avidamente (concertos a solo, com o grupo de percussão, orquestra, “Big Band”, entre outros). Em 2005, com 15 anos, ingressa na Escola Profissional de Música de Espinho, onde conclui os 3 anos de formação geral com bom aproveitamento (19 valores). Entre esta fase de formação e a atualidade participou em todo o tipo de eventos, tocando com as mais diversas orquestras (nacionais e internacionais), grupos de câmara, como músico convidado para sessões de gravação e performances ao vivo com os mais variados projetos, na área da música experimental, pop, rock e metal. A par de tudo isto gere a sua vida profissional entre aulas de bateria e percussão (que leciona particularmente) e os seus projetos musicais – Oblique Rain, Heavenwood e Colosso. É o mais recente endorser português (espécie de representante autorizado oficial) das marcas DDrum e Silverfox, de baterias e baquetas, respetivamente.

    Fotos ARQUIVO FC
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    “A Voz de Ermesinde” (AVE) - Festejaste mais um aniversário há pouco tempo, já vão 22 anos de idade. É uma boa oportunidade para te fazer uma entrevista sobre a tua vida profissional na área da música. De todos este anos, achas que os melhores têm sido passados com a música e através dela?

    Marcelo Aires (MA) – Sem dúvida! A música significa muito para mim e todas as experiências vividas através da mesma têm sido realmente extraordinárias – crescemos muito em tantos anos de estrada!

    AVE - Desde quando é que vem esse amor artístico?

    MA - Penso que desde sempre. Cresci a respirar música – o meu pai é guitarrista e a minha mãe adora cantar, e desde muito pequenino que me lembro de os ver e ouvir nos seus projetos e atuações. Além do mais, sempre me apoiaram em tudo, algo que fez com que nesta jornada sonhar com uma carreira de sucesso na área se tornasse um objetivo para a vida.

    AVE - Olhando para trás, pensas teres tido uma boa formação musical e humana nas várias escolas por onde já estudaste?

    MA - Sim. O facto de os meus pais me terem possibilitado todos aqueles anos de aulas particulares de bateria, a par da admissão no Conservatório e Música do Porto enquanto ainda era muito novo foram sem dúvida elementos fulcrais na minha formação enquanto músico, e os três anos passados intensivamente na Escola Profissional de Música de Espinho serviram bem para consolidar todas as bases técnicas, musicais e culturais até então desenvolvidas.

    AVE - Haverá um momento em particular que penses ser “a pedra de toque” para decidires seguir para um nível superior os teus estudos?

    MA - Houve, sem dúvida – provavelmente durante a fase de transição entre o Conservatório e a Escola Profissional, onde a prática musical passou a ser prioritária em relação a tudo o resto, o que me fez ambicionar essa continuidade académica a um nível superior.

    AVE - É verdadeiro perguntar se existe uma motivação especial para a prática musical?

    MA - Sim, sem dúvida. Na música há paixão, fascínio pelo som, a capacidade de moldar sensações, daí que seja legítimo referir que para a prática musical tenha, inevitavelmente, que existir essa "motivação especial".

    AVE - Neste momento estás já a ensinar na Artaria - Escola de Música de Alfena. Fala-nos dessa experiência e de como entraste no mercado de trabalho.

    MA - Comecei relativamente novo, pois o meu pai deu-me a oportunidade de ir orientando alguns dos alunos na escola assim que entrei para o ensino secundário, algo que me deixou com bastante experiência pedagógica e me obrigou a ser mais responsável – diga-se de passagem que até então tem sido uma ótima experiência.

    AVE - Tens tido oportunidades de tocar em público com regularidade? Fazes parte do grupo Oblique Rain. Que estilo de música apresentam?

    MA - Sim, a minha agenda tem andado bastante concorrida, não haja dúvidas! Falando de Oblique Rain especificamente, gostamos de abordar um pouco de tudo, desde o metal à música experimental, daí que a melhor definição do estilo de música apresentado será mesmo o progressivo/ambiental.

    AVE - Tens participado em mais projetos de bandas?

    MA - Sim - de momento Heavenwood, como músico de sessão, e Colosso (a par de mais dois projetos na área da música experimental a desenvolver nesta segunda metade do ano).

    AVE - Sentes-te mais realizado enquanto professor ou enquanto instrumentista de palco?

    MA - Como instrumentista, sem dúvida, ainda que também goste muito de lecionar.

    AVE - Enquanto percussionista, sentes-te mais à vontade como solista ou inserido numa orquestra ou grupo seja ele, por exemplo, de música de câmara clássico ou combo jazz?

    MA - Em grupo, não só pela a questão do à vontade, mas também pelas possibilidades de interação musical enquanto coletivo. Acho que não há maior satisfação que a partilha de experiências musicais em conjunto com um bom grupo de pessoas.

    AVE - Em que estilo pensas que te inseres enquanto percussionista? Tens afinidade por algum tipo de escola e por algum tipo de repertório?

    MA - Gosto muito de explorar o som, do experimentalismo, em contraste com a música mais programática, e identifico-me totalmente com as linguagens contemporâneas – nesse aspeto tenho uma visão um tanto avantgarde, pois sou fã da inovação!

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    AVE - Para que os nossos leitores menos informados (ou para aguçar o interesse) sobre os diversos instrumentos que um percussionista pode aprender a tocar, diz-nos em poucas palavras quais e em que moldes.

    MA - Em termos de instrumentos, temos desde a marimba, xilofone, vibrafone, timbales, caixa, multipercussão, até aos acessórios de orquestra e percussão tradicional, como os elementos básicos na área. Para cada um deles existe uma história e técnicas específicas, as quais devem ser dominadas, levando anos de aperfeiçoamento – e após todo este período de aperfeiçoamento há que saber adaptar tudo aquilo que lhe foi transmitido para a prática, em contextos musicais.

    AVE – Quais são as tuas influências musicais?

    MA - Acho que sou influenciado por tudo, pela Arte em geral – gosto de pegar num conceito ou ideia e adaptá-lo a minha abordagem nos diferentes contextos, se bem que quando quero criar algo de raiz, há pelo menos duas variantes da música a que normalmente me associo – impressionismo e experimentalismo.

    AVE - Ídolos, tens?

    MA - Não diria que sim, até porque são muitos os fatores e entidades a influenciar a minha forma de abordar a música, de modo que é um tanto complicado definir alguém ou algo especificamente.

    AVE - Fazendo um pequeno balanço, na altura em que completas 22 anos, que perspetivas para o teu futuro a curto e a médio prazo nesta arte?

    MA - Dado que começo a alcançar algum reconhecimento na área enquanto profissional, pretendo continuar a tocar e compor o mais regularmente possível, desenvolver os projetos em que estou inserido e o Departamento de Bateria e Percussão da Artária. Academicamente falando, vou prosseguir com a especialização na área da bateria, tanto dentro como fora do país.

    AVE - Dentro dessas perspetivas encontras espaço para concretizar sonhos?

    MA - Sem dúvida – gostaria muito de ir lá para fora para estudar durante uns bons tempos, acumular experiência e reconhecimento na área – quero muito deixar uma marca em Portugal, mas ficaria muito satisfeito se mesmo no estrangeiro o meu trabalho fosse bastante reconhecido!

    AVE - Consideras, então, que estudar e/ou trabalhar lá fora é/será essencial?

    MA - No meio artístico, para se conseguir uma formação sólida, é essencial um contacto com o mercado lá fora, pela questão da experiência, competitividade, entre outras coisas, dado que em determinados países sabemos que existe uma abertura cultural muito superior à nossa. Mas obviamente que não vejo isso como algo indispensável para toda a gente – vai sempre depender dos objetivos de cada um para a sua vida profissional.

    AVE - Por falar em futuro, que modelo de divulgação prevês para a música?

    MA - Dadas as possibilidades que hoje em dia temos à nossa disposição (e tendo em conta que já não se vendem discos como há uns anos atrás), penso que investir na divulgação dos projetos em formato digital é um bom processo de divulgação, e há que ter em conta que cada vez mais o nome e a experiência do músico são elementos fulcrais na área, por isso há que desenvolver o marketing pessoal.

    AVE - O que é possível fazer no meio musical para sobreviver?

    MA - Acho que é possível fazer de tudo um pouco – basta haver empenho, brio e dedicação naquilo que fazemos – se bem que as pessoas inseridas nesta área devem procurar a sua vocação (um grande solista nunca terá a disposição de alguém com grandes capacidades pedagógicas para lecionar, e vice versa), como também desenvolvê-la no limite das suas capacidades – apenas terão de ser profissionais e pró-ativas, e os resultados aparecerão.

    AVE - Já tiveste oportunidade de tocar em Ermesinde e em Alfena, onde resides?

    MA - Sim, diversas vezes.

    AVE - Consideras estas duas cidades dinâmicas no que toca a atividades culturais?

    MA - Não necessariamente – falta alguma abertura cultural.

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    AVE - A que se deve essa falta de abertura cultural?

    MA - Terá muito a ver com a questão das mentalidades presentes nas várias organizações por detrás destes eventos – é importante divulgar a tradição, mas também não devemos fechar portas a tudo o resto, daí que pudessem surgir mais exposições e workshops de artes plásticas, festivais (de pequena e média escala, pelo menos) que abarcassem os mais variados géneros musicais, desde a música erudita, jazz, rock, metal e mesmo música experimental, e divulgar todas estas variantes nos ensinos básico e secundário, com pequenos concertos e atividades práticas com isto relacionadas.

    AVE - Costumas ver exposições, concertos, teatro ou outras atividades por cá?

    MA - Não - nesses contextos estou mais pelo Porto.

    AVE - Isso deve-se ao facto de as atividades por cá te serem menos apelativas?

    MA - Sim, por isso mesmo.

    AVE - Vives em Alfena desde quando?

    MA - Desde 1998.

    AVE - Na generalidade, que te parece Alfena? Uma cidade à altura das tuas expetativas enquanto cidadão? Uma freguesia de Valongo voltada para o futuro ou fechada em si mesma?

    MA - Gosto bastante de aqui viver. Alfena é muito pacata, posso relaxar e trabalhar tranquilamente, e acho que aos poucos vai adquirindo e desenvolvendo os serviços básicos necessários aos cidadãos, evitando que estes dependam tanto dos grandes centros para todas e quaisquer necessidades (como é exemplo o novo hospital).

    AVE - Em comparação com Ermesinde, tens pontos de comparação na tua opinião?

    MA - Sim, penso que são duas zonas semelhantes em muitos sentidos, e desde que Alfena se começou a desenvolver mais rapidamente, a discrepância entre uma e outra é agora muito reduzida, principalmente ao nível dos serviços.

    AVE - Que achas da cidade especificamente em termos ambientais e políticos? Havia algo que gostavas que fosse mudado?

    MA - Não, de momento não vejo nada que me afete nesses sentidos.

    AVE - Sobre este jornal, “A Voz de Ermesinde”, costumas ler? Qual a tua opinião sobre esta série de entrevistas a músicos da nossa terra?

    MA - Costumava ler há uns anos, mas entretanto perdi um tanto o rasto do mesmo. Em relação à questão das entrevistas, penso ser uma mais valia em termos de desenvolvimento e difusão da cultura por estas bandas, e obviamente uma promoção louvável do nosso trabalho enquanto profissionais.

    AVE - Obrigado pela entrevista. Os nossos desejos de um futuro promissor!

    Por: Filipe Cerqueira

     

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