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Edição de 31-03-2021
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    Arquivo: Edição de 30-06-2012

    SECÇÃO: Editorial


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    Será Portugal um país de resignados?

    Nos últimos tempos a comunicação social tem dado eco a algumas manifestações de descontentamento do povo português, para alguns não passam de casos esporádicos e pontuais encabeçadas por partidos políticos de esquerda, porque no seu entender o povo compreende todos estes constrangimentos e está disposto a apoiar o atual Governo, bem comportado a fazer tudo o que a troika exige e até mais se for necessário…

    Penso que alguns quiseram dar o benefício da dúvida a este Governo mantendo-se equidistantes da crítica e do mal estar em crescendo que nos rodeia, mas hoje começam a sentir-se desconfortáveis com tanta injustiça, tanto desemprego, tanta pobreza e, sobretudo, sem esperança.

    Os governantes continuam a acreditar na “paciência” dos portugueses, mas sempre ouvi dizer que a paciência tem limites…

    Sem uma estratégia visível e explícita ninguém acredita em nada.

    A maioria da população portuguesa vive aparentemente acomodada, sem perspetivas de futuro, perdeu a alegria e a força para lutar.

    Mas o povo não é parvo e merece mais respeito por parte de quem o governa sem diálogo nem explicações. Austeridade sobre austeridade em tudo é apresentada como sendo a melhor e a única solução para os problemas. Privatizações anunciadas depois de serem negociadas, quem lucra com isso, para quem vai o dinheiro?

    Na sua maioria para pagar juros e mais juros e o país cada vez mais pobre.

    Aproxima-se a época em que a maioria dos portugueses costumam ir de férias, nomeadamente uma classe média que conquistou nas ultimas décadas o direito a um subsídio que lhes permitia um descanso merecido, uma escapadela para a praia ou para o campo, um recarregar de baterias que os ajudava a regressar ao trabalho com mais ânimo e força. A maioria da população vai ficar em casa ou desloca-se para casas de familiares ou amigos. Os que ainda podem vão optar por situações mais económicas e resta, como é óbvio, um grupo que mantém o seu estatuto e vai passar férias sem restrições e escolhidas no estrangeiro ou no país.

    No fim do verão cá estaremos, uns mais descansados, outros mais desiludidos, mas resignados não.

    Como em tudo na vida acredito que é sempre possível inverter caminhos, corrigir rotas, analisar, reequilibrar e rejeitar o que tiver de ser rejeitado.

    Vivemos muitos anos convencidos que tínhamos encontrado um caminho que nos conduzia à felicidade e ao bem estar de uma forma simples, vivendo acima das posses da maioria das pessoas e dos Estados, em benefício de uma minoria. E é essa mesma minoria que hoje nos culpa por isso.

    Como dizia D. Manuel Policarpo, «é preciso que os líderes europeus mantenham a dignidade da pessoa humana no centro e na resposta à crise».

    Acredito que hoje «o homem caminha para um horizonte que se evapora à medida que ele julga estar mais próximo, cada solução trazendo novos dilemas. De todas as vezes, a felicidade tem de ser reinventada e ninguém possui as chaves que abrem as portas da terra prometida: temos que decidir o rumo à medida que avançamos e rectificar a trajectória passo a passo, com mais ou menos sucesso. Lutamos por uma sociedade e uma vida melhores, procuramos incansavelmente os caminhos da felicidade, mas nada garante que alcançaremos aquilo que nos é mais precioso: a alegria de viver». (1)

    (1) Lipovetsky, Gilles. “A Felicidade Paradoxal – Ensaio sobre a Sociedade do Hiperconsumo”, pág. 317.

    Por: Fernanda Lage

     

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